15/01/2021 às 10h55min - Atualizada em 15/01/2021 às 10h51min

Cânones da literatura ao redor do mundo

Quem são os grandes nomes da literatura no México, nos Estados Unidos, na Espanha e no Brasil?

Talyta Brito - Editado por Gustavo Henrique Araújo
Foto/Reprodução: autores
Levantou, ainda a titubear. Deu de cara com os diversos post-it colocados na parede do quarto com desenhos de cadeias carbônicas. Acabou tropeçando na caixa de pizza – seu jantar da noite anterior. Teve uma nostalgia boa ao se deparar com a foto dos amigos, e lembrou de um tempo em que ele ainda tinha vida social. Agora, seus dias se resumiam ao cursinho, às revisões e aos simulados. Respirou fundo, lembrou-se de que era só uma fase, logo toda aquela pressão passaria.

Faltavam alguns meses para o tão concorrido vestibular. Estudar matérias como Literatura era cansativo demais. Ela já havia tentado de tudo, café para ficar acordado, audiobook etc. Não entendia a necessidade de ler coisas que, na sua visão, eram ultrapassadas. Segurou o livro pela milésima vez, deu uma rápida folheada. Dessa vez, no entanto, decidiu tentar de forma diferente: tomou um banho e, ao invés de começar pelo prefácio, decidiu dar uma stalkeada na vida do autor. Puxou o notebook que estava embaixo de uma pilha de xeroxs grifadas e digitou no site de busca o nome Machado de Assis. A princípio, descobriu que o escritor era neto de escravos alforriados, autodidata e fundador da Academia Brasileira de Letras. Mas foi, quando se deparou com a existência de uma outra obra “Machado de Assis: Afrodescendente”, escrita pelo professor Eduardo Assis Duarte, que sua curiosidade foi aguçada. 

Desceu as escadas apressadamente, procurou o Kindle do pai na gaveta do escritório, comprou o livro e começou a ler. A notificação do celular desviou sua atenção das páginas. Quem diria! Há algumas horas ler uma página de um livro era uma verdade tortura, uma sessão de martírio, poderíamos dizer, agora estava ali, impressionado com a vida do criador de Rubião, Bento Escobar e, claro, de Capitu – com seus olhos de cigana oblíqua e dissimulada. Já era tarde, decidiu interromper as pesquisas.


Na manhã seguinte, acordou com o primeiro toque do despertador. Queria saber mais sobre a vida dos cânones literários – escritores que tem sua obra considerada atemporal ao redor do mundo.  Começou  a pesquisa pelo México, a terra do taco – tortilha de milho -, que integra a alimentação da população antes da colonização espanhola. Por lá, descobriu um tal de Ruan Rulfo, apesar do escritor não possuir diploma de nível superior, produziu grandes obras como “Pedro Páramo” e “ A planície em chamas” e consagrou-se com um dos nomes da literatura latino-americana. O gosto pela leitura foi introduzido pelo padre Irineo Monroy. Além de professor, ele também atuava como censor eclesiástico – um tipo de fiscal que recolhia livros que considerava impróprio para os fiéis lerem. Assim, como a morte do clérigo, Juan herdou todos os livros apreendidos. Anos mais tarde, o escritor declarou: “passava todo o meu tempo lendo”.  

Em seguida, foi para os Estados Unidos, e se deparou com o "Grande Gatbsy" – que está entre os 100 melhores romances do século XX, conforme lista publicada pela Editora Library. Escrito por Scott Fitzgerald, integrante da “geração perdida” da literatura americana, a obra faz uma crítica ao sonho americano. "Está vendo, minha memória não está tão falha assim, eu me lembro da professora explicando o conceito do 'sonho americano' na aula de história", pensou ele, enquanto voltava a atenção para a tela.

A programação daquela tarde era dormir por pelo menos uma hora e meia antes de começar a revisão de bioquímica, mas ele decidiu ir à biblioteca e ver pessoalmente a obra de Miguel Cervantes – maior dramaturgo e poeta da língua espanhola. Como diz o grande poeta brasileiro Sérgio Vaz: “ler é da hora!”, uma pena que muita gente ainda não tenha descoberto a magia das páginas.
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