25/01/2021 às 15h03min - Atualizada em 25/01/2021 às 14h50min

Publicitárias incentivam consumo consciente por meio das redes sociais

Um dos temas recorrentes no Devargazin é a indústria Fast Fashion

Myllena Ferreira - Editado por Larissa Barros
Arquivo pessoal - Sarah Rabello Tolentino
Ao apostarem em um projeto experimental, três publicitárias criaram um perfil no Instagram com objetivo de conscientizar as pessoas a consumirem moda de uma forma mais responsável. O Devagarzin foi criado em outubro do ano passado e foi tema do trabalho de conclusão de curso (TCC) de Sara Rabello, Izabela Alcântara Castro e Rebeca Moura, todas nascidas no estado de Minas Gerais, 21 anos, e formadas em Publicidade e Propaganda no final de 2020. 

A ideia para criação do projeto surgiu durante aulas da faculdade, quando Isabela percebeu que uma propaganda não resumia o conceito geral de uma empresa. “Começamos a perceber que precisávamos analisar a marca além do que ela parecia ser e isso nos levou ao consumo consciente, em que devemos conhecê-las e obter informações”, disse.

De acordo com a também publicitária, Sara Rabello, moda é uma forma de expressão e a publicidade também está relacionada a isto. Para ela, vestimos o que as marcas são, por isso, é necessário saber o que estamos usando. Um dos temas recorrentes no Devargazin é a indústria Fast Fashion, a produção e consumo no qual estes produtos são comprados, usados e descartados facilmente. O que acaba proporcionando a fabricação em massa e novamente um descarte mais rápido.

 

Para algumas pessoas, essa indústria é a única opção, pois, na maioria das vezes os produtos são mais baratos. Apesar disso, é possível reduzir a compras ao adotar alguns costumes, como por exemplo lavar as roupas de forma correta. Segundo as publicitárias, dessa forma, as peças duram mais e acaba evitando um descarte acelerado. Além disso, procurar por menos tendências e optar por peças atemporais, que nunca saem de moda, também é uma opção.

Com o aumento do alcance por meio das redes sociais, as pessoas têm fácil acesso a novas tendências e a influência de adquirir uma roupa sem necessidade por meio das redes sociais. Para Izabela Alcântara, nós escolhemos quem vamos seguir no Instagram e se concordamos com o tipo de consumo.

“A influência sempre vai existir, o consumo consciente é algo individual, devemos tomar escolhas por nós e não pensando que aquela pessoa está me incentivando a comprar ou não. O problema é se vamos nos deixar influenciar por isso”, diz a publicitária.

Além disso tudo ser prejudicial ao meio ambiente, para a produção de uma grande quantidade de peças existem pessoas em condições de trabalho escravo, caso já registrado em marcas como Renner, grande nome da indústria varejista, de acordo com relatório do Ministério Público do Trabalho, divulgado pelo site Carta Capital.
 
A falta de informação do público sobre as marcas foi uma surpresa para as publicitárias, que afirmam ser gratificante ver o retorno que o Devagarzin está tendo. Atualmente, o Instagram do projeto soma cerca de nove mil seguidores e suas publicações alcançam em média mais de oito mil pessoas por dia.
 

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