13/02/2021 às 22h52min - Atualizada em 13/02/2021 às 22h36min

7 quadrinhos Sci-Fi para quem quer deixar de lado as histórias de super-heróis

Diversos mundo e possibilidades em obras de ficção científica clássicas e atuais

Jonathan Rosa - Editado por Fernanda Simplicio
Cenas e capas de quadrinhos Scii-fi. (Foto: Reprodução/ Image/ Vertigo/ DarkSide)

A ficção científica (carinhosamente apelidada apenas de sci-fi, que é uma abreviação do nome em inglês Science Fiction) é um dos gêneros mais democrático e diversificado da cultura pop em geral. Afinal, são os conceitos das histórias deste tipo de obra que acabam servindo de inspiração para grandes filmes, séries, jogos e, e sem dúvidas, quadrinhos!

Estilo literário que vem se desenvolvendo desde o século XIX, é composto por universos distópicos, jornadas espaciais, inteligência artificial, alienígenas e criaturas fantásticas. Além de lidar com a ciência, tanto real quanto ficcional, e os impactos disso na sociedade.

O sci-fi é tão extenso que já conta com cerca de 30 subgêneros atualmente. – Estes que merecem um artigo a parte só para comentar as especificações de cada um. Portanto após mergulhar nesse universo magnificamente rico, trago essa humilde lista com 7 quadrinhos de ficção científica ocidentais, não incluirei mangás desta vez, para quem está afim de sair um pouco do gênero de super-heróis, e que se você não conhece eu recomendo dar uma chance. 

Papers Girls

Aqui, temos uma história que remete a obras como Stranger Things e Super 8 por ser uma ficção científica envolvendo “crianças em bicicleta”, na qual jovem garotas suburbanas acabam encontrando alienígenas no planeta Terra, bem no dia das Bruxas de 1988. A série utiliza os pontos fortes do mistério e do sci-fi, mantendo o espectador sempre curioso investido em nunca revelar o que realmente está acontecendo.

A graphic novel de Brian K. Vaughan com parceria de Cliff Chiang foi publicada de 2015 a 2019 e já acumula prêmios, tanto pelo roteiro, quanto pela ilustração. A série se destaca por trabalhar com a visão de jovens garotas vivendo sua pré-adolescência com aventuras que envolvem mistérios e viagens no tempo. Paper Girls acompanha a história de Erin, KJ, Mac e Tiff que entregavam jornais na manhã seguinte ao Halloween, mas a cidade é atacada por uma invasão de forças misteriosas do futuro. Como resultado, as garotas são envolvidas no conflito entre duas facções guerreiras e viajantes do tempo.

Um ponto que chama atenção no quadrinho é a paleta de cores feita por Matt Wilson, que ganhou prêmio de melhor colorista na premiação de Eisner no ano de 2016. A escolha de cores vivas, de Paper Girls consegue criar um estilo diferenciado e único, casando-se com a arte feita por Chiang. São cores que chamam atenção, criando um tom de mistério que a obra necessita.

Em julho do ano passado a Amazon Prime anúncio que está produzindo uma série de TV de Paper Girls. O projeto será realizado em parceria com a Legendary Television. E apesar de ainda não ter data oficial, já se sabe que Stephany Folsom, co-roteirista de Toy Story 4, será produtor executivo da série ao lado de Christopher Cantwell e Christopher C. Rogers, que também atuarão como showrunners. 

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Tokyo Ghost

Acrecivo, romântico e cyberpunk Tokyo Ghost é recheado de alegorias sobre a sociedade, a história se passa num futuro distópico quando a sociedade decaiu em um profundo vício pela tecnologia controlado por criminosos. Com uma arte deslumbrante e cheia de referências escondidas nos painéis criados pelo ilustrador Matt Hollingsworth, a série foi publicada entre 2015 e 2016.

A protagonista da obra é a detetive Debbie Decay, que se apresenta como a última pessoa “limpa” na Los Angeles no ano de 2089. A garota sofre com o vício de seu namorado, Led, que vive plugado no mundo virtual, dependente de tudo o que essa tecnologia tem para oferecer. Para tentar curar seu amado desse vício e cumprir um último trabalho para seu chefe, Debbie parte em busca de um terrorista capaz de se infiltrar na mente das pessoas através da rede neural, o que nos levando cidade de Tóquio desse futuro, que ao contrário da grande maioria deste tipo de obra, fez questão de um oásis contra a tecnologia que tomou a humanidade das pessoas.

O arco escrito por Sean Gordon MurphyMatt Hollingsworth e Rick Remender nos carrega para um mundo onde todos andam ocupado em evitar a realidade, enfurnados nos antros do crack eletrônico, cujo monopólio está nas mãos de gângsteres comandados pelo famigerado Flak. E como em todo comércio que envolve viciados, os problemas não são poucos. Apesar de ter uma mensagem bem agressiva de que toda tecnologia é ruim, tornando a narrativa um pouco exagerada por vezes, por outro lado é razoavelmente didática e amarga em alguns pontos.
 
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Saga

A segunda obra escrita por Brian K. Vaughan, nesta lista é uma Space Operas incrível e cativante. Agora com as belíssimas ilustrações de Fiona Staples, Saga traz um universo exuberante que abarca diversos personagens únicos e cativantes. Desmembrando as façanhas de dois amantes de lados opostos em uma guerra intergaláctica, o gibi traz um universo cheio de personagens memoráveis.

Considerado por especialista na área, um dos quadrinhos indie mais proeminentes e bem recebidos do mercado contemporâneo. A trama acontece em um cenário que mescla cirurgicamente no mesmo universo: magia, uma civilização de robôs com TVs acopladas, humanos híbridos com animais e alta tecnologia. Criando 
personagens que compõem a alma desta obra, cujos receios e motivações são sempre cuidadosamente explorados pelo autor ao longo da narrativa.

Em “Saga” o leitor é apresentado a Alana e Marko, um casal de jovens apaixonados, que assim como no clássico “Romeu e Julieta” pertencem a clãs rivais de uma longa guerra entre dois povos, e aos poucos percebem que a conflito que já dura anos não leva a nada. Ela é de do planeta Landfall, que é o maior da galáxia e cientificamente mais avançado. Já ele é de Wreath que nada mais que um satélite natural do gigante Landfall, cujos habitantes são praticantes das artes mágicas.

Uma vez que as duas nações são obrigadas a viver em simbiose, ambos os povos acabaram por continuar as suas batalhas em outros locais, fazendo uma espécie de terceirização desta guerra. Já que a destruição de qualquer um dos planetas teria consequências devastadoras para o outro. Desta forma, este confronto entre ciência e magia prolonga-se ao longo da galáxia, acabando por envolver outras civilizações numa guerra que, como todas as outras, não faz qualquer sentido.

Em “Saga” podemos encontrar povos cuja cabeças são verdadeiros monitores de televisão, ao mesmo tempo que entrarmos numa floresta assombrada onde a presença de fantasmas e de árvores mágicas são tão naturais quanto respirar. Criando assim um universo tão rico e diversificado como espécie de “Guerra das Estrelas” fundida com “Senhor dos Anéis”.

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Transmetropolitan 

Esse é um sci-fi adulto, violento e extraordinariamente político. A série não é para qualquer leitor, é bom que se tenha interesse no jornalismo investigativo sobre a realidade extrema, com densas camadas de análise social. Além de não se preocupar com o excesso de a palavrões, nudez e violência. Mas se passar por isso a experiencia é esclarecedora.

A série escrita por Warren Ellis já possui 60 volumes publicados pela celo da Vertigo que pertence a DC Comics entre 1997 e 2002, no Brasil ganhou 10 encadernados pela Panini. ‘Transmetropolitan’ tem como personagem central o jornalista Spider Jerusalem, e sua busca por tenta esclarecer a verdade nua e crua dos fatos. A narrativa aborda diversas temáticas, desde nanorrobótica e liberdade de expressão até seres extraterrestres e criogenia.

Spider é paranoíco, possivelmente sociopata e claramente viciado em drogas, um ser patético e medíocre, que não controla nem mesmo os mais banais desejos da carne. Mas a busca dele pela verdade é o tema central desta obra, e em meio a tudo isso nos vemos em uma odisseia investigativa que envolve a mais baixa escória daquela sociedade.

Ambientado em um universo cyberpunk à obra toca nos mais profundos temas sociais, e sem medo de ir fundo na ferida e criticar aquilo que precisa ser criticado. A série provoca profundas reflexões acerca de assuntos como racismo, a influência da mídia, o poder das religiões, o sistema educacional, a democracia, o abuso de poder da polícia, a censura, e a busca pela verdade.

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O Incal 

Incal é uma história de grandes proporções, com vários grupos e ambientações do universo e conta com inúmeros personagens de peso, cada um com suas motivações. A obra escrita pelo cineasta Alejandro Jodorowsky e ilustrada por Moebius Giraud, a retratada uma viagem estarrecedora aos sentidos do leitor a uma imensa ficção científica cheia de humor, metáforas e simbolismo.

A trama segue o preguiçoso detetive de última categoria John Difool, que sempre gostou de vida mansa, fumar, beber e desfrutar da companhia de mulheres, até que acaba recebendo um poderoso cristal conhecido como Incal de um alienígena moribundo prestes a morrer. Após tomar pose do valioso artefato o herói imperfeito é arrastado para uma aventura onde passa a ser o centro do universo, uma vez que o governo, os rebeldes, os Bergs e uma seita tecnológica querem o incal a todo custo.

Após uma guerra civil na Cidade-poço, uma cidade subterrânea dividida em níveis de acordo com o estrato social, o detetive acaba sendo obrigado a formar aliança com o Metabarão (o maior guerreiro do universo), Solune (um garoto andrógeno), Animah (uma musa do centro da Terra), Tanatah (a rainha dos rebeldes) e seu assistente o Matador (um homem com cabeça de lobo). Nisso, o objetivo do grupo é fugir do governo e combater a ameaça dos Bergs e do culto tecnológico do Tecnopapa.


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100%

Um social sci-fi que se passa em uma Nova York futurista onde as grandes novidades são as Danças e a Lutas gástricas, nas quais os órgãos internos de seus participantes são holográficamente projetados para a plateia. Os bares possuem cabines capazes de simular qualquer ambiente imaginável e a violência em excesso deixa a cidade constantemente sitiada por forças policiais.
 
Com um belo visual Cyberpunk a histórias de ‘100%’ interconecta seis pessoas que procuram realizar seus sonhos, seja com os punhos ou através da sua arte. Daisy, uma dançarina de boate; John, um lavador de pratos; Strel, uma gerente de dança; Haitous um boxeador; Kim, uma bargirl; e Eloy, um segurança com aspirações artísticas. O material original contém três histórias centradas no romance que avaliam diferentes facetas do amor, todas escritas e ilustrados por Paul Pope.

Os temas abordados são: segurança, violência, sexualidade, erotismo, tecnologia, arte e, acima de tudo, os relacionamentos humanos. Tudo refletindo as preocupações em relação ao futuro. Um dos momentos mais inspirados é a abordagem sobre a evolução do erotismo na humanidade. Antes bastava mostrar um pouco de pele para ser erótico, agora, se chega ao ponto de mostrar as entranhas de uma pessoa para poder excitar o público.

Contudo, são os dramas, medos e aspirações dos seis personagens quem comandam as ações. O próprio título do álbum vem disso, são histórias 100% reais, que falam de viver intensamente.
 
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Descender

'Descender' é um aclamado gibi de ficção-científica escrito por Jeff Lemire e Fernando Scheibe desde 2019. Abordando um dos conceitos mais queridos do sci-fi, o conflito entre robôs e humanos. Os autores usam esse conceito e seus clichês como base para criar uma trama original e repleta de possibilidades.

Distribuindo organicamente as informações e enigmas, ao mesmo tempo em que vai progressivamente aumentando a tensão da trama, sem deixar a essência dos personagens de lado. Tudo isso ocorre após um ataque de robôs gigantes aos planetas da UGC (United Galactic Council), que dizimou grande parte da população da galáxia e criou um sentimento de ódio às inteligências artificiais.

A história se passa dez anos depois deste trágico acontecimento, e agora o robô Tim-21 desperta em uma colônia de mineração esquecida onde precisa sobreviver em um universo em que as máquinas são caçadas e eliminadas sem piedade por todos os planetas.

Cada planeta dentro de ‘Descender’ tem um visual único, e isso vale também para as diversas facções que vão sendo introduzidas em cada nova edição. Esse é um universo que, cheio de histórias e conflitos. Mas á muito mais na trama do que o mostrado nas páginas, como pequenos detalhes do mundo e as trajetórias dos personagens que contribuem para o mistério.

A arte da série é fica nas talentosas mãos de Dustin Nguyen, ganhador do Eisner de Melhor Desenhista em 2016. O artista trabalha com aquarela, que não é o esperado para uma história que tem como ponto central a tecnologia, mas funciona perfeitamente. Não é à toa, Nguyen opta por dar um visual mais orgânico e cheio de vida.


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REFERÊNCIAS:  

Ficção Cientifica e seus sub gêneros. GEEKS IN ACTION. 11 de ago. 2016. Disponível em: <https://geeksinaction.com.br/index.php/2016/08/11/ficcao-cientifica-e-seus-sub-generos/> Acesso em: 10 de fev. de 2021.

GUTS. 10 Quadrinhos de ficção-cientifica que mereciam ganhar filmes. GEEKS IN ACTION. Disponível em: <https://geeksinaction.com.br/index.php/2019/12/25/10-quadrinhos-de-ficcao-cientifica-que-mereciam-ganhar-filmes/> Acesso em: 10 de fev. de 2021.

RAFAEL, L. 10 HQs de ficção científica que você precisa conhecer! LEGIÃO DOS HERÓIS. 2018. Disponível em: <https://www.legiaodosherois.com.br/lista/10-hqs-de-ficcao-cientifica-que-voce-precisa-conhecer.html> Acesso em: 10 de fev. de 2021.

TANG, M. 10 HQs Cyberpunk para você conhecer. MINA NERD. 17 de abr. de 2017. Disponível em: <https://minasnerds.com.br/2017/04/12/10-hqs-cyberpunk-pra-voce-conhecer/> Acesso em: 10 de fev. de 2021.

UZEDA, N. 28 melhores quadrinhos Cyberpunk! PAPO NAS ESTRELAS. 10 de jul. de 2019. Disponível em: <http://www.paponasestrelas.com.br/quadrinhos-cyberpunk/> Acesso em: 10 de fev. de 2021.


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