11/02/2021 às 22h12min - Atualizada em 11/02/2021 às 21h26min

A literatura pelas ruas de Sorocaba

Sesc Sorocaba promove intervenção literária através do projeto "No princípio era o verbo". Carro circula transmitindo trechos de livros pelas ruas da cidade

Bianca Nascimento - Editado por Andrieli Torres
Fabiana Ferraz; Julia Privatti
Divulgação/Sesc Sorocaba
É comum carros de som com homenagens, denominados "loucuras de amor" passarem pelas ruas, principalmente durante a pandemia em que muitas pessoas precisaram de criatividade para não deixar que datas importantes como aniversários e outros momentos especiais passassem em branco.

Em Sorocaba, interior de São Paulo, a ideia foi diferente, ao invés de declarações, o Sesc Sorocaba decidiu inovar e desenvolver o projeto 'No princípio era o verbo', no qual um carro de som sai pelas ruas da cidade compartilhando literatura, através dos textos de autores da região. 

O programa é uma grande aposta para aumentar acessibilidade às atividades culturais, com objetivo de que mesmo se grande parte da população estiver em suas casas, a literatura, a cultura e as demais expressões de arte cheguem aos seus lares.

Muitos dos textos recitados na programação são de autoria de Fabiana Ferraz, escritora e fundadora do Clube de Escrita de Sorocaba, profissional que tem grande bagagem de obras e projetos ligados ao mercado literário. 

A escritora que foi finalista da última edição do Prêmio da Associação Brasileira de Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror (ABERST), com o conto de terror “A mulher e o vento”, publicado pela Editora Corvus, relata que foi uma grande surpresa participar do projeto.
“Nunca imaginei meus textos passeando pela cidade com a ajuda de um carro de som. É uma pena estarmos em uma pandemia, porque eu gostaria de acompanhar tudo de pertinho para ver a cara das pessoas ouvindo os trechos de cada história, esperando o que vai acontecer após o próximo parágrafo, deve ser uma experiência bem inusitada”, conta Fabiana.
As obras são recitadas através da voz da atriz e arte-educadora, Dani Silva, e do ator e intérprete de Libras, João Mendes, responsáveis pela dramatização.  

É só imaginar crianças brincando no quintal e sendo surpreendidas com um som que vem das ruas, interpretando os atos dos personagens e as descrições dos fatos. Senhoras tricotando em seus sofás antigos enquanto o bolo está no forno e o cheiro fica no ar, na mistura da poesia que irradia a cozinha, passa pela sala e chega aos ouvidos com um som que remete as lembranças da juventude quando ouviam as dramatizações nos rádios.


Sorocaba e a expressão artística

A cidade que se destaca como sede da região metropolitana de São Paulo, pelo desenvolvimento, crescimento econômico e qualidade de vida para a populaçã,  proporciona ao público arte e literatura por meio de palestras, oficinas, mostras, cafés literários, feiras e festivais.

Entre os projetos mais relevantes de Sorocaba, destaca-se o 'Clube de escrita', que tem como objetivo reunir pessoas da região interessadas em escrever e manter viva a arte de escrever.

Para Julia Privatti, moradora e escritora de Sorocaba “a intervenção literária da região, apesar de não se apresentar em grande número, existe. Mas um de seus maiores problemas está na falta de visibilidade, fazendo com que diversas vezes passem em branco e que percam seu potencial”. Desse modo, o estímulo à influência e valorização das atividades literárias é de grande importância.

  “Infelizmente são poucas as pessoas que costumam ter uma boa interação com a cultura em geral, isso porque elas muitas vezes não são ensinadas a como interpretá-las ou serem induzidas a esse universo", expõe Julia.


O tempo tem roubado o prazer das pessoas em procurar um lugar aconchegante para sentar e ler um bom livro, mergulhar no mundo da literatura e explorar a imaginação com as diversas histórias e enredos das obras. Diante disso, a ideia do projeto foi excelente para despertar novamente o interesse ao consumo das obras literárias.

“A ideia é simplesmente incrível! É uma ótima forma de chamar atenção e atrair a população para o universo literário de um jeito bem fora do convencional. É o chamariz perfeito!”, diz Julia em opinião ao ‘No princípio era o verbo’.


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