12/02/2021 às 06h30min - Atualizada em 12/02/2021 às 06h23min

O efeito Amanda Gorman

Ela é a mais jovem poetisa a declamar em uma cerimônia de posse presidencial

Lívia Oliveira - Editado por Andrieli Torres
Foto/Reprodução: L.A.Taco

“E então levantamos nossos olhares não para o que está entre nós, mas para o que está diante de nós. Encerramos a divisão porque sabemos que devemos colocar nosso futuro em primeiro lugar, devemos primeiro colocar nossas diferenças de lado. Abaixamos nossos braços para que possamos estendê-los um ao outro. Não buscamos mal a ninguém, e sim harmonia para todos.”

 

As profundas palavras de Amanda Gorman romperam nações, trouxeram esperança aos corações do público e acalmaram possíveis hesitações e dúvidas sobre o futuro não só dos Estados Unidos, mas também do mundo inteiro. Aos 22 anos, nativa de Los Angeles, é a mais jovem poetisa a declamar em uma cerimônia de posse presidencial. Seu talento nítido e simpatia certamente trariam arrepios aos ali presentes. Encharcou-lhes na imensidão do seu poema, proporcionou-lhes uma amostra do seu efeito, mostrou que a poesia não morreu, pois sua chama ainda arde.

 

Tanto os convidados presenciais quanto os telespectadores não imaginavam o tamanho poder do ativismo de Amanda. Anos atrás, era só uma adolescente que participava de concursos de poesia locais à procura de uma identidade. Mas hoje, ela encanta e semeia nos corações e mentes humanas o espírito da união, da igualdade e do otimismo. Uma jovem negra sonhadora que usa a caneta e o papel para influenciar outros jovens negros sonhadores a fazerem o mesmo que ela. 

 

Quando declamou na posse de Joe Biden, ela não só esteve lendo as palavras no papel, estava abraçando a todos bem firme e sussurrando em seus ouvidos quão forte devem lutar para curar o país outra vez. E agora, mais que nunca, pois os efeitos da pandemia nos Estados Unidos em breve se tornará uma cicatriz que será difícil forjar inexistência. Mas Amanda está lá, com seu sorriso, seus textos e representatividade ao dizer que “mesmo estando cansados, tentamos estar sempre amarrados na vitória. Não porque nunca mais conheceremos a derrota, mas porque nunca mais semearemos a divisão.” Sim, “The Hill We Climb” ("A colina que escalamos",  poema declamado na posse) trouxe esperança a 2021.

 

Agora, outra vez, surpreendeu a todos ao ser a primeira poetisa a se apresentar no Super Bowl, a final da liga de futebol americano. Tendo como público 100 milhões de pessoas apenas nos EUA, Amanda dedicou um poema aos heróis da saúde por estarem na linha de frente durante a pandemia. Em meio aos gestos, pausas e respiração, ela tecia conforto e admiração envolta das pessoas que lhe escutavam. 

 

A garota carrega as palavras que a nação precisa escutar. E elas reverberam até bem depois de ter descido do palco, saído do holofote e voltado para casa. Continua com a nação quando vão dormir pensando no que irão fazer no dia seguinte; talvez uma mudança ou quem sabe, trazer um punhado de igualdade uns aos outros. Esse é o efeito da poesia; a reflexão, a emoção, a verdade dolorosa trazida de uma maneira que toca e arde, porém é doce e pulcra.

 

A jovem tem projetos em mente a serem realizados ainda este ano, livros a serem publicados, eventos para participar e, acima de tudo, corações para tocar. Se estamos em dúvida sobre como 2021 será, graças a Amanda Gorman conseguimos adquirir certa força e ânimo para encará-lo.



 
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