17/05/2019 às 21h32min - Atualizada em 17/05/2019 às 21h32min

Modificações permanentes podem ter complicações éticas

Entenda o porquê de ainda não haver modificações genéticas permanentes em seres humanos, mesmo com tantas tecnologias

Daiana Pereira - Editado por Thalia Oliveira
fotografia: arrige.org
Pesquisas científicas por meio da Biotecnologia são realizadas a todo momento, no mundo inteiro. Por esse ramo de estudo, foi possível descobrir formas de tratamento mais eficazes para doenças, melhorar a engenharia e o agronegócio, por meio de transgênicos. Entretanto, a modificação de genes em seres humanos ainda é um caminho obscuro na ciência, em que mudanças permanentes do DNA podem causar malefícios.

Em dezembro de 2018 foi registrado na França a ARRIGE, Association for Responsible Research and Innovation in Genome Editing, cujo objetivo é promover uma governança global de edição de genes, abrangendo cientistas, acadêmicos, clínicos, instituições públicas e privadas e outras pessoas interessadas pelas pesquisas. A criação dessa governança é muito clara, é necessário disseminar conhecimento de forma consciente para a sociedade, incentivar a reflexão científica e, acima de tudo, manter a ética.

A ciência é sempre questionada o porquê de a Biotecnologia ainda não ter possibilitado a cura de doenças, como câncer e HIV. Porém, o que é necessário discutir é: Quais são as consequências que essas modificações genéticas podem acarretar para uma pessoa futuramente?  

Modificações permanentes na Biotecnologia e as consequências

De acordo com Doutor Allan Radaic, pós-doutor na University of California (UCSF), o fato de estar modificando geneticamente uma pessoa, pode trazer complicações éticas e de saúde. Para ele, essa modificação de genes pode trazer muitos benefícios, como melhorar a eficácia de tratamentos e até curar doenças, como é o seu objetivo na Universidade onde trabalha, encontrar a cura para o câncer de boca, um dos mais recorrentes do mundo. Porém, Allan afirma que as questões éticas prevalecem muito no sentido de não sabermos o que pode ocorrer a longo prazo, o que pode ferir os direitos humanos.

Eu vejo que a biotecnologia é o futuro da humanidade no sentido de pesquisas e tecnologias, principalmente nas questões de saúde e alimentação”, afirma o doutor. Porém, ressalta que Às vezes as coisas não são preto no branco, não são tão simples e contou um exemplo de como a modificação genética em humanos pode causar graves problemas a longo prazo, através de um medicamento criado para melhorar o enjôo de mulheres grávidas. O propósito de reduzir esses problemas em gestantes foi atingido, entretanto, ao nascerem os bebês, muitos nasciam sem braços ou pernas, o que fez com que um medicamento aprovado cientificamente fosse retirado do mercado em um ano. A partir disso, surgiu um comitê de avaliação de malefícios para gestantes e mulheres em fase de amamentação.

O pós-doutor conta que realiza pesquisas científicas para encontrar tratamentos para o câncer de boca e pescoço, e que são realizadas modificações temporárias, ou seja, após 15 dias a célula volta ao normal, entretanto, esse período de tempo já é o suficiente para as células sofrerem mudanças genéticas e entrar em apoptose, que é a morte da célula.

Allan então afirma que é essencial analisar no mundo da ciência o fato de: “será que estamos conseguindo prever todos os possíveis malefícios que esse novo medicamento, essa nova tecnologia irá causar?”. Ou seja, a descoberta de modificações genéticas permanentes em seres humanos pode ser um grande passo na ciência, já que pode levar a cura para doenças, entretanto, ainda é fundamental a precaução e optar por pesquisas temporárias, a fim de não causar malefícios e não ir contra as questões éticas.
 
 

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