19/02/2021 às 08h42min - Atualizada em 19/02/2021 às 08h26min

A força da literatura trans

Obras que vêm crescendo graças aos seus autores, que transmitem a veracidade de suas histórias, e aos seus leitores, que recebem, por meio dos textos, doses de força

Darlanny Ribeiro da Silva - Editado por Gustavo Henrique Araújo
Foto: Amara Moira/Reprodução: Bethania Pereira

Ainda pouco conhecida, a literatura trans vem conquistando o seu espaço dentro do mercado e no gosto dos leitores, mesmo que de forma independente e limitada, é o início da derrubada de estereótipos para vencer o preconceito.
 

As produções são em sua maioria, histórias de vida dos próprios escritores, que nos últimos anos tiveram um aumento significativo nas obras publicadas. Mas o que de fato seria a “literatura trans”? Atualmente, ela é qualquer obra escrita por uma pessoa que se identifica com um gênero diferente daquele que lhe foi atribuído ao nascer.
 

Pela sua representatividade, os textos têm conquistado os leitores que conseguem se enxergar na narrativa e reconhecer um ambiente em que sua fala é sentida e transformada em palavras escritas.
 

Como vivemos numa sociedade que dita padrões há séculos, carregando isso de forma histórica e cultural, não é de se espantar que o mercado literário tenha agido com espanto frente à presença das pessoas trans, mas a literatura chega para romper esses estereótipos da nossa sociedade.
 

Sobre a transfobia, a escritora Amara Moira, uma das principais porta-vozes da literatura trans, declarou em entrevista concedida à revista Marie Claire: “Só se supera a transfobia quando há convivência efetiva com narrativas e pessoas trans, mas isso só será possível se conseguirmos eliminar os obstáculos que nos impedem de ter um lugar no mercado formal de trabalho, nas instituições de ensino e na nossa própria família."
 

Mas isso não foi empecilho para a continuidade das obras, pelo contrário, serviu de degrau e deu força a quem buscava contar as suas histórias. Essa força também se espalhou para os leitores, que são os principais responsáveis por popularizar o gênero, fornecendo um retorno positivo aos escritores e buscando por mais conteúdo.
 

“Desde as primeiras, publicadas cinquenta anos atrás, até as saídas agora em 2020, já temos cerca de cem obras. São obras de todos os tipos, ensaios, crônicas, memórias, poesia, prosa, quadrinhos, textos acadêmicos, etc. O aumento exponencial se deu nos últimos quatro anos. De 2017 para cá, foram mais de 60 dessas cem obras”, conta Amara à Marie Claire.
 

Essas produções são essenciais para fornecer um debate com a sociedade, podendo ouvir quem, muitas vezes, é reprimido e, assim, construir pontes para o respeito à pessoa trans, possibilitando a diminuição da transfobia, mesmo que a passos curtos.
 

Alguns autores e livros em destaque, que valem a pena serem lidos: Amara Moira, autora de “E se eu fosse pura”, é hoje uma das principais porta-vozes da literatura trans; Kika Sena, e seus livros “Marítimo” e “Periférica”; a autobiografia "Eu, travesti", de Luisa Marilac; e muitos outros que vão te despertar o interesse.
 


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