19/02/2021 às 10h33min - Atualizada em 19/02/2021 às 10h09min

O Black Power de Akin: uma narrativa sobre bullying, auto aceitação e representatividade

Livro infantil discute temáticas atuais da sociedade

Talyta Brito - Editado por Roanna Nunes
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O boné que para a sociedade em geral era apenas um acessório, para ele era uma espécie de disfarce da sua verdadeira identidade. A escola, espaço de aprendizagem coletiva, acabou se tornando um ambiente de tortura psicológica. É nesse cenário de dificuldades em aceitar sua própria imagem que a escritora Kiusam de Oliveira, doutora em educação pela Universidade de São Paulo (USP), nos apresenta a história de Akin, garoto de 12 anos, que tem vergonha do seu cabelo devido críticas dos colegas. A obra que conta com ilustrações de Rodrigo Andrade é voltada para público infantil, entretanto, traz reflexões sobre representatividade e auto aceitação para as diferentes faixas etárias.
 
As repressões sofridas nos intervalos das aulas não são comunicadas a sua família, embora eles percebam algumas mudanças no humor da criança. Não suportando a carga de insultos diários o menino toma uma atitude drástica: cortar o cabelo. Felizmente, ele é impedido pelo seu avô, Dito Pereira.
De acordo com uma pesquisa realizada pela faculdade de medicina da USP, veiculada no site Catraca Livre, 29% dos alunos já foram vítimas de bullying no ambiente escolar. O estudo foi realizado com cerca de 2.000 estudantes do nono ano de instituições públicas e privadas da cidade de São Paulo. 

 

 A Ph.D. Carol Dweck autora do livro “Mindset - a psicologia do sucesso” afirma que embora seja difícil impedir a ação dos agressores, as escolas podem desenvolver ações para ajudar crianças e adolescentes a mudar suas mentalidades. Após anos de pesquisa, a psicóloga dividiu a sociedade em dois grupos: pessoas de mentalidade fixa, sendo: aquelas que evitam desafios e se sentem ameaçadas pelo sucesso dos outros; indivíduos com mentalidade de crescimento, caracterizados por: persistir em meio a dificuldades e carregar o desejo de aprender mais.
“Nos bullies, há uma boa dose de pensamento derivado do Mindset Fixo: algumas pessoas são superiores, e outras, inferiores", afirma Carol.  Escolas  estrangeiras que implementaram a iniciativa de trabalhar mentalidades em alguns anos apresentaram uma diminuição do bullying físico em até 93% dos casos.

A narrativa também perpassa por uma outra temática bastante discutidas nesses últimos tempos: a representatividade.  Após a tentativa frustrada de cortar o Black Power, o avô entrega ao menino uma pasta com fotos dos seus antepassados.  As fotografias expressam o orgulho que os ancestrais de Akin tinham dos seus cabelos crespos. A partir daquele momento Akin não quer mais ter traços semelhantes aos seus colegas de classe, ele compreende que são as diferenças que tornam cada indivíduo único. Em suma, se aborda uma narrativa que ressalta a importância da família no processo formativo e educacional da criança. 


 

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