20/02/2021 às 10h27min - Atualizada em 20/02/2021 às 10h19min

Multas e interdições formam o cenário das comemorações ao carnaval 2021

Aglomerações no feriado podem gerar aumento nos casos de covid-19. Especialista aponta que as concentrações de pessoas não são adequadas e éticas

Núbia Xarife - Editado por Camilla Soares/ Maria Paula Ramos
https://prefeitura.rio/cidade/prefeitura-registra-mais-de-oito-mil-acoes-no-periodo-que-seria-celebrado-o-carnaval/
Tomaz Silva/Agência Brasil

Aglomerações, festas lotadas, saúde em risco. Este foi o cenário da última semana. O período de carnaval que comumente é festejado no mês de fevereiro em todo o país precisou ser alterado devido a pandemia de covid-19. Mas o que gerou surpresa e revolta por parte da população foi o desrespeito às medidas de segurança durante as comemorações.

Em diversos estados do Brasil os governadores cancelaram o ponto facultativo nos dias 15 e 17 como parte das ações de combate à concentração de pessoas. A decisão ficou a critério de cada Estado e Município, assim como as empresas podem ou não conceder folga aos funcionários.

Desfiles, blocos e trios elétricos conhecidos nacionalmente como parte essencial do feriado também foram cancelados. Em Pernambuco, o governo suspendeu o carnaval, os pontos facultativos e todo tipo de evento. Em entrevista coletiva pela internet o governo anunciou que medida visou evitar aglomerações. Em São Paulo, João Doria, comunicou o cancelamento do ponto facultativo em todo o estado em 29 de janeiro.

Rio de Janeiro

O governador em exercício, Cláudio Castro, não cancelou o ponto facultativo no Estado do Rio, já na capital, o prefeito Eduardo Paes, interrompeu a extensão do feriado na tentativa de controlar a disseminação do vírus. Além disso, a prefeitura organizou um esquema de fiscalização que entrou em vigor às 5h do dia 12 e permanece até às 6h do dia 22 com objetivo de impedir aglomerações.

Como em outras regiões, shows e blocos foram suspensos, mas o que se viu foi o oposto. Festas clandestinas foram flagradas em diversas regiões do estado, o que gerou aplicação de multas, interdições e até prisões. O feriado foi de muito trabalho para as equipes de monitoramento. 

A violação de regra começou na sexta-feira (12), em que foram identificados bares e quiosques lotados por pessoas sem máscara. No sábado, o Jockey Club Brasileiro sofreu interdição por parte dos agentes da Secretaria Municipal de Ordem Pública, o local abrigava centenas de pessoas e teve os equipamentos de som apreendidos.

Outro flagrante aconteceu no Parque da União, na Maré, Zona Norte do Rio. Um show do cantor Belo aconteceu em uma quadra lotada de um Ciep infligindo recomendações de distanciamento social e uso de máscaras. O cantor foi levado ao sistema prisional na quarta-feira, mas liberado no dia seguinte após pedido de habeas corpus da defesa. Ele é investigado pela participação no evento.

Segundo a prefeitura do Rio, até o dia 19 apenas as operações paralelas da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) com a Guarda Municipal, Instituto de Vigilância Sanitária e o apoio da Polícia Militar, “ foram contabilizadas 130 inspeções sanitárias, com 97 infrações e 38 interdições em estabelecimentos por descumprimento das medidas de proteção à vida, além da falta de licenciamento. Guardas municipais também constataram 363 infrações sanitárias por aglomeração e falta de máscara, totalizando 460 multas do tipo desde a sexta-feira, 12/02”.

Até o momento, o Estado do Rio acumula mais 566 mil casos confirmados e cerca de 31 mil mortes.

A pandemia não acabou

Especialistas apontam que os riscos de transmissão da covid-19 tem chances de ser maior durante o feriado prolongado. Isso porque como o coronavírus é transmitido através da respiração e contato próximo, os eventos e festas cheias facilitam a proliferação do vírus.

A professora do Departamento de Epidemiologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Regina Flauzino, nos diz que ignorar as regras não é a melhor opção.

“Se você promove uma aglomeração com gritos carnavalescos, com festas, com eventos, sem uso de máscara, ou até mesmo usando máscara, mas se você fica muito tempo ali naquela convivência você vai beber, vai tirar a máscara, vai querer sorrir, abraçar, confraternizar, isso potencializa o risco da transmissão do vírus. Então não é uma situação adequada, inclusive eu diria ética de promover aglomeração nesse período de carnaval.”, afima.

Só no Brasil a doença já atingiu mais de dez milhões de casos confirmados e autoridades acreditam que os dados voltem a subir. Com a data comemorativa, profissionais de saúde esperam em até 15 dias obter o resultado nos números referentes ao descuido de parte da população.

Apesar da vacinação está em andamento, o processo para alcançar a todos ainda é longo. No momento atual o país já vacinou cerca de 3,7% da população, o que equivale a 6, 54 milhões de pessoas, dentre elas idosos, profissionais de saúde e indígenas, de acordo com o Ministério da Saúde. Uma parcela pequena da nação que não deve flexibilizar os cuidados.

“As pessoas que já foram vacinadas é importante dizer para não ter aquela falsa impressão que estão protegidas, a vacina não está dando proteção contra transmissão, inclusive é só através da segunda dose que a gente tem uma aparente tranquilidade, então tem que ter as duas doses para que você tenha o acúmulo de anticorpos que de alguma forma proteja aquela pessoa.”, conta Regina.

Quando perguntado qual a melhor forma de curtir os feriados sem colocar a vida em risco a professora nos diz, “ Acho que ainda vai continuar sendo nas lives, vendo na televisão, dançando se divertindo frente a televisão. Não tem jeito, a gente ainda tem que continuar nesse distanciamento social. A gente vai se divertir entre família mesmo, trocando alegrias, trocando afeto através de vídeo, ainda tem que ser assim.”

 “Infelizmente é essa a mensagem que eu passo, eventos que antes nós fazíamos com aglomerações ainda não estão sendo recomendados, só a partir da diminuição de casos, diminuição de óbitos e aumento de cobertura vacinal.”, conclui.


Referências: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/2021/02/14/festa-em-cidade-turistica-do-rj-revolta-moradores https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2021/02/13/aglomeracao-rio.ghtml https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2021/02/18/cantor-belo-e-solto-apos-prisao-por-fazer-show-clandestino-em-escola-publica-no-rio.ghtml
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