20/02/2021 às 23h55min - Atualizada em 20/02/2021 às 22h53min

Juventude brasileira busca independência financeira através do empreendedorismo

53% dos brasileiros formados trabalham fora de sua área e se tornam empresários

Alexia Catherine - Editado por Ana Paula Cardoso
agenciar8.com.br
A participação dos jovens brasileiros no mercado de trabalho está em ascensão, principalmente no empreendedorismo, meio onde encontram espaço para atingir sua independência financeira. Segundo a revista Exame, a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM 2010) aponta que a juventude entre 25 a 34 anos é a mais empreendedora e os que estão entre 18 e 24 anos participam ativamente na abertura de empresas.

“Os jovens que hoje buscam emprego fazem parte da geração Z, caracterizada pelos nascidos entre 1995 e 2010. São práticos, rápidos e buscam simplificar tudo, otimizando tarefas e procurando novos conhecimentos", explicou Polyana de Castro Oliveira, psicóloga e analista de recrutamento e seleção, em entrevista ao site do Lab Dicas Jornalismo.

Em cada fase do desenvolvimento há desejo por independência, como quando a criança segura a mamadeira ou engatinha. “São marcados por múltiplas aprendizagens na fase escolar. O pai não colocava o filho apenas na escola, mas também em cursos de idiomas ou em aulas de esportes, ampliando o seu desenvolvimento e proporcionando uma bagagem de conhecimento maior em menos tempo", destacou sobre a geração Z.

Nascidos na era digital, migraram dos brinquedos físicos para os virtuais, aprendendo a navegar na internet antes mesmo de falar. Consequentemente, cresceram antenados adquirindo habilidade de multitarefas, fato que não é totalmente bom. “Como conseguem fazer várias atividades ao mesmo tempo, acabam sofrendo de déficit de atenção quando é necessário focar em apenas uma".

Esses diferenciais os tornam pessoas arriscadas, transparentes e que lutam pela liberdade de expressão, constituindo o perfil ideal para o mercado de serviços. Familiarizados com a tecnologia, possuem facilidade de inovar para ganhar dinheiro, o que os leva ao empreendimento.

 
Empresária aos 18 anos
 
Ganhar seu próprio dinheiro é uma competência esperada atualmente. Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) um levantamento realizado com 2.132 empresários de todas as idades, mostrou que 32% pensavam em abrir seu próprio negócio antes dos 18 anos.

Recém formanda no ensino médio, maquiadora e digital Influencer Ana Beatriz Ho de Almeida, 18, faz parte desse grupo. “Antes dos 13 anos eu já assistia vídeos no Youtube para aprender a me maquiar e não precisar gastar dinheiro com isso. Nas festas de família, minhas tias e primas pediam para maquiá-las e me incentivaram a cobrar, o que me fazia cogitar trabalhar como maquiadora.”

 

Em 2019, entre muitas incertezas a jovem decidiu investir sua poupança em produtos de maquiagem baratos para aperfeiçar os atendimentos. Nesse meio tempo, criou sua página no Instagram (@anahomakeup) para publicar fotos de suas clientes, que nesse momento eram apenas da família. “Quando iniciei a divulgação era fim de ano, então muitas pessoas me procuravam para as formaturas e festas. Nesse momento, me senti maravilhada por conseguir minha própria renda e busquei um curso profissionalizante para me aperfeiçoar, juntando maquiagem com design de sobrancelha”, contou.

Estar no colégio nunca foi um empecilho para ela, que aproveitava os intervalos de aula para fazer a sobrancelha das colegas de classe. No início, a maior dificuldade de Ana era a locomoção. “Ir até a casa das clientes era muito cansativo, pois eu carregava uma maleta de 5 quilos no ônibus, o que me impedia de agendar mais de uma pessoa por dia". 

 

Com a chegada da pandemia do novo coronavírus, os atendimentos presenciais diminuíram. Desse modo, voltou sua atenção para a internet produzindo tutoriais e challenges, resultando no crescimento de seus seguidores que hoje batem 90 mil. “Quando fazemos o que gostamos, temos o nosso retorno", destaca.

Para Ana, o principal motivo dos adolescentes e jovens buscarem independência financeira vai além de conquistar seus sonhos, mas também completar a renda de casa, já que muitos pais ficaram desempregados ou ganham pouco. Com o lucro de seu empreendimento, conquistou um de seus maiores sonhos, seu apartamento para morar sozinha.

Para quem deseja iniciar no ramo, ela aconselha: “Nossa coragem precisa ser maior que o medo. No meu começo, eu tinha menos de dez batons e só alguns tons de bases, o que me limitava a atender poucas pessoas. Não espere ter tudo para ir atrás dos seus sonhos, tenha comprometimento e busque se aprimorar sempre".

 
Paixão que supera a faculdade

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que mais de 50% dos brasileiros trabalham fora da área de formação, abandonando a profissão que almejam quando acadêmicos e iniciando no empreendedorismo. Esse é o caso de Gisele Medeiros de Amorim, 23, estudante de direito, fundadora e empresária no Giseliê Doces (@giselie_doces). “Eu quero que as pessoas comprem além de um produto, o meu nome, para que minha história inspire outros. Eu faço direito, mas eu sinto que doce é minha paixão e é isso que quero fazer”, destacou.

O sonho de ganhar independência lhe acompanha desde criança, quando produzia pulseiras de miçanga para vender na escola. Aos 15 anos, após participar de uma festa e observar que os funcionários do buffet aparentavam ter a mesma idade que a sua, começou a trabalhar na área ganhando R$ 40,00 por evento. Sua trajetória econômica vai desde atendente em cinemas até recepcionista.

A carreira no mundo da confeitaria surgiu inesperadamente. “Eu queria dar um presente de aniversário a uma colega e por não ter dinheiro decidi fazer algo. Montei uma caixa com 12 brigadeiros e levei para o trabalho, entretanto ela não apareceu e deixei a caixinha do meu lado no balcão da recepção. Até que uma moça se interessou pelos doces e quando disse que eram produção própria, ela comprou e levou para o marido. Em alguns minutos ela retornou e levou os 10 restantes. Nesse momento, nasceu uma empreendedora”, relembrou Gisele.

 
Como nem tudo são flores, ela enfrentou a falta de apoio dos pais e a ausência de divulgação para alcançar seus primeiros clientes, problema solucionado pelo isolamento social, que tornou o mundo mais tecnológico e aumentou seu alcance no perfil das redes sociais. Empreender tem sido a saída para milhares de jovens que não conseguem uma oportunidade no mercado de trabalho. Estudar, persistir, ser criativo e focar em seus sonhos são atitudes imprescindíveis para se tornar um empresário de sucesso.

A oportunidade de comprar um granulado ou leite condensado melhor para as receitas são conquistas diárias. Para alcançar suas vontades, ela aconselha: “Seja sábio, pois dias bons e difíceis passam. Tenha otimismo. Sabe aquele ditado sobre pegar o limão e fazer uma limonada? É isso, se apoie na sua força de vontade e não pare".

 

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