26/02/2021 às 11h56min - Atualizada em 26/02/2021 às 11h25min

O sucesso atemporal da rainha do crime

Uma das autoras mais vendidas do mundo, Agatha Christie marcou seu nome na literatura

Larissa Bispo - Editado por Gustavo Henrique Araújo
Foto: Agatha Christie | Reprodução: Google
Agatha Christie e romance policial quase podem ser confundidos. É difícil separar as duas coisas ou pensar no gênero sem associá-la, principalmente quando ela é considerada a própria rainha do crime. Dona de uma grande perspicácia e inteligência, ela fez história e deixou um legado que atravessa tempos e gerações.

Nascida em 1890, em Torquay, Inglaterra, Agatha Mary Clarissa Miller teve sua educação em casa com diversos professores particulares e, logo cedo, demonstrava possuir interesse em piano e canto, fazendo também da escrita um hobby. Em 1912, conheceu Archibald Christie, com quem se casou em 1914, adotando então o sobrenome que a fez conhecida mundialmente.

Uma intrigante história sobre o seu desaparecimento é como uma de suas tramas. Em 1926, ao saber que seu marido tinha uma amante, saiu sem dar notícias. O seu carro foi encontrado perto de casa e ninguém fazia ideia do seu paradeiro. Após 10 dias de busca, descobriu-se que Agatha estava hospedada, sob falso nome, em um hotel de luxo no norte do país. Acredita-se ter sido um episódio de amnésia devido a uma crise nervosa.

Início da carreira e o diferencial que a levou a ser a dama do crime

A sua longa e bem-sucedida carreira literária começou de forma bastante curiosa. Enquanto trabalhava para a Cruz Vermelha durante a Primeira Guerra Mundial, começou a escrever seu primeiro romance policial, “O Misterioso Caso de Styles”, fruto de um desafio proposto por sua irmã, alegando que Agatha seria incapaz de escrever uma boa história de mistério. É nesse livro que conhecemos pela primeira vez seu mais lendário personagem fictício: o detetive belga Hercule Poirot.

Ler os seus livros e se deparar com tantas aventuras, mortes inusitadas e assassinos geniais nos faz pensar na possibilidade de existir tamanha mente fértil em uma simples senhora sentada diante de sua máquina de escrever. No entanto, monotonia talvez não fosse uma palavra que combinava de forma alguma com quem era Agatha Christie.

Foi através do seu trabalho na Cruz Vermelha como enfermeira e, logo depois, como funcionária da farmácia, que a autora adquiriu conhecimentos sobre venenos e soube utilizá-los – e muito bem, diga-se de passagem – em suas histórias, assim como suas viagens que inspiraram alguns dos seus livros, sendo os mais famosos “O Assassinato no Expresso do Oriente” e “Morte no Nilo”.

Agatha era excepcional em criar tramas de assassinos precisos e improváveis e gostava de brincar com o leitor ao fazê-lo mudar de opinião diante de suas personagens com histórias e mistérios próprios. O presente equilíbrio de homens e mulheres e sua forma de estereotipá-los para confundir cria em nós um senso de empatia e raiva ou, por vezes, sentimentos conflitantes pela sua maneira de conduzi-los pelo enredo, levando-os em uma montanha-russa de ações conforme o ritmo da história pede.

Quando me perguntam: ‘A senhora põe pessoas reais em seus livros?’, respondo que pra mim é inteiramente impossível escrever sobre qualquer pessoa que eu conheça, ou mesmo com quem tenha conversado, ou de quem apenas tenha ouvido falar! Não sei por que motivo, isso é suficiente, para, no que me diz respeito, destruí-los completamente. No entanto, posso tomar um “manequim” e dotá-lo de qualidades e ideias concebidas por mim”, Agatha Christie diz no prefácio de seu romance “Um Corpo na Biblioteca”.
 
Sua escrita direta carrega um tom acessível, embora nada supérfluo. Assim, é fácil ser fisgado para dentro do enredo e cair na rede de acontecimentos de fácil descrição e de narrativa fluída em função dos elementos sempre diferentes. Além disso, não é possível falar em Agatha Christie sem mencionar uma das suas características mais marcantes: os incríveis plot twists – as famosas reviravoltas. As surpreendentes respostas dadas ao mistério deixam interrogações em quem lê não por furos de enredo, mas porque o leitor se questiona sobre como suas teorias pareciam tão óbvias. É nesse momento que você consolida a genialidade de Agatha Christie que, não à toa, carrega uma coroa.

Personagens

Tal como é impossível separar Arthur Conan Doyle de Sherlock Holmes, o mesmo acontece com Agatha Christie e Hercule Poirot. Porque, não bastasse seu diferencial de escrita e construção de bons mistérios policiais, Agatha criou um dos personagens mais marcantes da história da literatura. O nada modesto detetive belga se utiliza da sua poltrona e a psicologia humana para desvendar crimes. Essa personalidade é tão marcante que, quando Agatha Christie resolveu matar o personagem, ele teve direito a um obituário no The New York Times.

 
Outra personagem de destaque emblemático é a famosa Miss Marple, uma senhora solteirona que atua como detetive amadora. Com uma mente afiada e astuta, ela soluciona mistérios difíceis no fictício vilarejo de St. Mary Mead. A sua estreia em um romance de Agatha é em o “Assassinato na Casa do Pastor”, em 1930.


 
Legado e representação

São muitos os que escrevem, mas não são todos os que deixam seu nome marcado na história da literatura mundial. Ser a autora de mais de 80 livros e inúmeras peças de teatro, a mais vendida do mundo, atrás somente de Shakespeare e da Bíblia, e dona de obras traduzidas para mais de cem idiomas, ela deixou um legado imensurável, mas, principalmente, uma grande representação e inspiração.

Agatha Christie morreu em 12 de janeiro de 1976 de causas naturais. Os números apontam sua bem-sucedida e longa carreira, porém sua persistência, dedicação e coragem mostram que desistir não pode ser uma opção quando se ama o que faz.

 

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