05/03/2021 às 00h42min - Atualizada em 05/03/2021 às 00h31min

Cresce o reconhecimento das escritoras negras no Brasil

Djamila Ribeiro é uma das autoras com mais destaque atualmente

Daniela Alves Silva - Editado por Andrieli Torres
Fonte/Reprodução: Google Imagens
Ao longo dos anos, a quantidade de escritoras negras que têm publicado suas obras vêm crescendo. Essas autoras têm alcançado o reconhecimento na sociedade referente ao seu posicionamento e seus trabalhos, tendo  assim suas obras valorizadas no cenário literário brasileiro.

Trouxe aqui algumas escritoras e poetisas que representa belamente a cultura negra e trazem tanta representatividade para outras mulheres. Maria Firmina dos Reis, escritora do Maranhão, se tornou a primeira romancista brasileira com a publicação de Úrsula (1859). Carolina Maria de Jesus foi uma das maiores escritoras nacionais e uma das primeiras autoras negras brasileiras.   





Outro exemplo é Conceição Evaristo, uma das maiores autoras nacionais afro-brasileiras. É Membro da Academia Brasileira de Letras e tem obras de poesia, ficção e ensaio. Já Mel Duarte, é uma poeta brasileira, vencedora do Campeonato Internacional de Poesia Rio Poetry Slam (2016) e uma das organizadoras do Slam das Minas, em São Paulo.



Djamila Ribeiro é uma das autoras com mais destaque atualmente.  Ela é uma escritora, acadêmica, filósofa e ativista brasileira. Se tornou notória pelas suas contribuições para os movimentos sociais que lutam pelos diretos das mulheres e dos cidadãos negros. Seu trabalho começou por ser divulgado na internet.

Um dos livros de sucesso dela é “O que é lugar de fala?” (2017), no qual a autora chama a atenção para o silenciamento a que algumas camadas da sociedade estão submetidas. Defendendo a necessidade de múltiplas vozes e histórias na nossa cultura, afirma a importância de desafiar o cânone masculino e branco que vigora.


Esse techo do livro me chamou bastante atenção e mostra um ponto bem escancarado dos problemas de igualdade racial: “Numa sociedade como a brasileira, de herança escravocrata, pessoas negras vão experenciar racismo do lugar de quem é objeto dessa opressão, do lugar que restringe oportunidades por conta desse sistema de opressão. Pessoas brancas vão experenciar do lugar de quem se beneficia dessa mesma opressão. Logo, ambos os grupos podem e devem discutir essas questões, mas falarão de lugares distintos.”

Vem crescendo o número de publicações de escritoras negras em espaços  que antes não eram nem representados e nem  abertos a esse público, como grandes editoras e eventos literários, mas boa parte dos autores negros e negras no Brasil publicam suas obras através de produções e editoras independentes  onde acham abertura para expor suas ideias e posicionamentos.

As produções culturais literária e artística, são ferramentas importantes de enfrentamento do racismo,  da discriminação e, consequentemente, tornam-se instrumento de inclusão se utilizadas para esse fim.
‘’A produção literária de autoria negra tem se tornado o principal veículo de divulgação das narrativas daqueles que foram colocados à margem da história, se constituindo numa forma extremamente rica de veiculação da cultura, do pensamento e dos modos de vida dos povos afro-brasileiros e indígenas, entre outros subalternizados,", disse  a ativista do movimento negro, Mirtes dos Santos em e
ntrevista  ao blog Século Diário.

Devemos nos recordar que o Brasil foi colônia, os negros foram escravizados e suas vozes foram silenciadas. Depois de todo o processo de independência do Brasil e a abolição da escravidão, esse mesmo povo que forma a maior parte da população brasileira ficou marginalizada na sociedade.

Então, vem sendo um processo longo de adaptação dos negros em meio as representatividades e locais de destaque, além do racismo que infelizmente está enraizado na cultura brasileira, sendo que o Brasil é um pais miscigenado entre mistura de descendente, como português, africanos, indígenas e os outros povos que passaram pelo Brasil na época da colonização.

Um segundo ponto também bastante importante é a representatividade da mulher na sociedade. Se formos observar as obras, muitas vezes as mulheres são mostradas como simples objetos de troca, ou barriga para gerar os herdeiros dos senhores. Não tinha voz, não tinha vez, não tinha nada, não podia estudar, não podia trabalhar, não podia fazer tantas coisas. Éramos figuras decorativas na sociedade branca e machista.

Com esses dois cenários, já conseguimos observar que ser negra, ser mulher em uma sociedade com conceitos racistas e machistas é muito difícil. Além de impor seu posicionamento, vontades, ideias e desejos, é bem difícil conseguir seu espaço.

No século 21, a situação vem melhorando, pois as mulheres vêm se juntando e tem criado alguns movimentos. As mulheres  negras principalmente, estão criando e fazendo seus espaço na literatura, na politica, no mercado de trabalho, o céu é o limite.

O que ajudou bastante nesse empoderamento feminino foi a Internet, que abriu um leque de oportunidades  , além de dar mais voz e abertura para as mulheres para se expressarem.

Para um país que é composto por população de maioria negra, ainda existem poucas escritoras negras no Brasil. Essa é uma realidade que, com o passar dos anos, espero que diminua, pois essas mulheres têm muito as nos ensinar, tanto no âmbito intelectual como no crescimento como pessoa.

Precisamos observar que a maioria da população negra é de baixa renda, sem estrutura familiar e sem uma educação de qualidade. Muitas vezes, essaS mulheres ou até homens mesmo, tem que parar de estudar para trabalhar e ajudar no sustento da família, o que impossibilita a continuar seus estudos.

Uma coisa curiosa que estudei na disciplina em Comunicação Politica, foi observar certos elementos estruturais da sociedade, como o fato que sendo os negros, o maior número de pessoas na tabela de habitantes, são eles que acabam pagando os maiores impostos, que custeiam as universidades públicas no nosso Brasil.

Por isso, que as cotas são tão importantes para dar oportunidade a essa parte da população que está em uma situação precária, em contraponto a outra metade da população vigente e que representa o menor número.

Os negros são retratados na literatura por autores brancos de uma forma totalmente xenofóbica e sem característica nenhuma, como se tivesse representando um objeto. Já quando são representados por autores negros, temos uma perspectiva totalmente diferente e nova das características, olhares e estruturação das cicatrizes que um povo carrega há vários anos.

Os leitores e teóricos começaram a perceber e a sentir falta de que precisamos de mais perspectivas, outras formas de viver e escrever, de outros olhares de um
a mesma sociedade. Precisamos ler mulheres negras homens negros, conhecer as suas obras e as suas lutas, combater o silenciamento e o apagamento histórico de uma cultura que está enraizada na cultura e costumes brasileiros.

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