05/03/2021 às 09h35min - Atualizada em 05/03/2021 às 09h15min

Amelia Earhart: uma mulher na aviação

A volta ao mundo a bordo de um avião e seu fim trágico

Ianna Oliveira Ardisson - Editado por Gustavo Henrique Araújo
Foto: Amelia Earhart | Reprodução: Google
Se ainda hoje não é tão comum encontrar uma mulher piloto de avião, imagina-se, então, que no início do século XX fosse inexistente uma mulher nessa função. Entretanto, a história nos apresenta Amelia Earhart, aviadora, nascida em 24 de julho de 1897, no Kansas, EUA.  Earhart começou seu aprendizado como piloto em 3 de janeiro de 1921, em Kinner Field, próximo a Long Beach. Já em maio de 1923, Amelia conseguiu uma licença de voo da Fédération Aéronautique Internationale (FAI).
 
O especialista em tráfego aéreo Jadisson Zerbone comenta sobre a presença da mulher em seu cotidiano de trabalho e sobre o posicionamento dos homens em relação a elas. As mulheres marcam presença na aviação em diferentes funções e, na visão dele, são valorizadas:
 
“No meu trabalho, tenho contato direto com mulheres de diversos setores tais como: mecânicas de aeronaves, controladoras de tráfego aéreo, pilotos, dentre outras aéreas de apoio à aviação. O que eu tenho visto em setor é um ambiente de respeito e valorização do trabalho das mulheres."
Amelia Earhart era ambiciosa e queria ser lembrada na história por suas realizações. Dentre várias conquistas, destacam-se as seguintes: em 1922, obteve o recorde mundial de altitude feminino; foi a primeira mulher a voar num autogiro em 1931; foi a primeira pessoa a voar solo sobre o Atlântico duas vezes e, em 1937, obteve o  recorde de velocidade de voo leste a oeste de Oakland, California a Honolulu, Hawaii.

Amelia Earhart partiu com o copiloto Fred Nooman, em 1937, para ser a primeira mulher a dar a volta ao mundo em um avião. O destino final era Howland, aonde o bimotor jamais chegou. Em 2 de julho de 1937, perderam contato e foram considerados desaparecidos. As buscas feitas pela Marinha dos Estados Unidos e da Guarda Costeira foram intensas, só que ainda hoje é desconhecido o destino de Amelia e do copiloto Nooman. Em 1939, o governo americano declarou que eles morreram em um acidente no oceano, em local desconhecido.

Quando chega a nós notícias sobre acidentes aéreos, nos questionamos sobre os motivos que podem ter levado ao ocorrido. Zerbone esclarece sobre fatores que podem interferir para a perda de contato com uma aeronave e ocasionar um acidente:

 
“Um acidente aeronáutico não acontece devido a um fato isolado, ele acontece por um somatório de diversos fatores, dentre eles podemos destacar: meteorologia, manutenção da aeronave, experiência do piloto, não observação às regras de tráfego aéreo, fator humano, dentre outros."
Não se sabe o que aconteceu com Amelia Earhart e Fred Nooman e várias teorias sobre o desaparecimento foram formuladas ao longo dos anos. Uma das teorias é a de acidente e afundamento. Investigadores acreditam que acabou o combustível do Electra e Earhart e Noonan caíram no mar. O curioso é que não foram encontrados vestígios em lugar algum.

Diante de um mistério de desaparecimento muitas suposições sobre o acontecimento são criadas. Percebe-se que a imaginação voa longe no caso de Amelia Earhart para tentar entender esse caso enigmático. Dentre as explicações que procuram apresentar sobre o desaparecimento, uma delas é a de que Earhart teria trocado de identidade: existe um rumor de que Earhart sobreviveu ao voo mundial, mudou-se para Nova Jersey e passou a se chamar Irene Craigmile Bolam. Uma outra instigante explicação é a de que ela havia sido capturada pelas forças militares japonesas e teria, por fim, morrido nas Ilhas Marshall como prisioneira de guerra.
 
Depois de tantos anos surge uma expectativa de que finalmente tudo seja esclarecido. Uma peça encontrada próxima a Ilha Howland em 1991, que pode ser do avião de Amelia Earhart, será analisada em um estudo neste ano por Daniel Beck. Trinta anos depois de encontrada, o professor Daniel Beck, coordenador do programa de engenharia do Centro de Engenharia e Ciência da Radiação da Universidade da Pensilvânia, decidiu realizar o estudo do objeto. Será que o mistério será desvendado? Zerbone se posiciona a respeito da relevância de tal descoberta:
 
“Somente a peça em si, acredito que não poderá trazer as respostas sobre o 'mistério' de Earhart, porém se ela levar ao paradeiro da aeronave será possível termos uma resposta mais concreta sobre o caso Amelia. Sempre que um acidente ou incidente aeronáutico é investigado e solucionado lições são aprendidas de maneira a evitar um nova ocorrência por aquele motivo, então a solução desse caso seria de vital importância para aviação."
Ser mulher e desafiar o papel construído como convencional é ainda um desafio. Amelia, com certeza, é um ícone que inspira as mulheres de várias gerações a serem o que quiserem ser. Apesar de seu misterioso fim, ela marcou sua época com uma presença nada convencional, é possível perceber uma mulher corajosa, aventureira, inteligente e que correu atrás de seus sonhos.
 
Referências:

Aventuras na História. “Cientistas podem finalmente resolver o mistério de Amelia Earhart”. Disponível em: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/cientistas-podem-finalmente-resolver-o-misterio-de-amelia-earhart.phtml.

 

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