05/03/2021 às 12h04min - Atualizada em 05/03/2021 às 11h56min

Primeiro caso da Covid-19 no Brasil completa um ano

Após esse tempo, a chegada da vacina nos trouxe esperança de dias melhores, mas o cuidado ainda é o mesmo

Sara Moreira - Editado por Andrieli Torres
Avenida Paulista durante a pandemia de covid-19. Reprodução: Agência Brasil/Rovena Rosa
O dia era 24 de fevereiro de 2020, segunda-feira de carnaval. Um homem que acabara de voltar da Itália apresentava sintomas de gripe e por meio de pedidos médicos realizou o teste da Covid-19 no hospital Israelita Albert Einsten, na zona sul de São Paulo. Em poucas horas já no dia 25, o laudo deu a notícia que todo o Brasil sabia que viria, mais cedo ou mais tarde o primeiro caso de covid-19 havia sido oficialmente detectado no país. O anúncio oficial foi feito no dia seguinte, quarta-feira de cinzas, dia 26, por Luiz Henrique Mandetta, o então ministro da Saúde.
 
O avanço alarmante do vírus, fez com que em março, diversos estados decretassem “lockdown” termo em inglês que significa confinamento. Por todo o mundo foi possível ver ruas desabitadas, e diversas imagens emblemáticas de pontos turísticos vazios. Os comércios, escolas, shopping e parques todos fechados. Tudo aquilo que não fosse serviço essencial deveria permanecer de portas fechadas, por tempo indeterminado.
 
Antes o que antes fazia parte do nosso cotidiano, hoje é visto com olhos estranhos. Quem durante a quarentena foi rever um show de um determinado artista e sentiu um misto de nostalgia e preocupação ao imaginar todas aquelas pessoas aglomeradas nos dias atuais? ou então andar pelo shopping em um final de semana, encontrar um conhecido e cumprimenta-lo com dois beijinhos no rosto.

Grande parte da população, não viveu um momento como este de ser privado do seu direito de ir e vir por conta de uma doença, onde as taxas de contágio são altíssimas. Com a maioria das pessoas dentro de casa novos costumes nasceram, novas rotinas surgiram. Um termo bastante utilizado para descrever esse momento é o “novo normal”, que nada mais é do que a busca do ser humano pela normalidade com formas de encarar o novo da melhor maneira.
 
Na prática, o “novo normal” seria a proposta de um novo padrão que possa garantir nossa sobrevivência. E essa proposta seria; "vamos ter que andar com máscara, mais contidos e menos expansivos, fazendo uso frequente de álcool em gel e lavando as mãos sempre que possível". Este é o nosso kit covid. Um kit de segurança, e,  que garante a nossa sobrevivência.
 
Ou seja, entraremos em um novo padrão de normalidade. Reforçando, normalidade é o padrão que me garante sobrevivência dentro de um grupo. Logo vamos nos habituar com esse kit covid e, certamente, sentiremos falta se não o utilizarmos. Sobre as novas rotinas, surgiram algumas vantagens, uma alternativa foi o home office, trabalhar remotamente, sendo cada um de sua residência. Continuamos em casa e fazemos nossa própria comida. O trânsito é menor e temos menos poluição.
 
A longo prazo, toda essa nova rotina pode apresentar efeitos para quem estava acostumado a “viver na rua”. Os índices de depressão e ansiedade cresceram ainda mais durante os primeiros meses de lockdown. Sobre o isolamento social, o designer Danilo, 32 anos, relata que “Todos os cursos, estudos, trabalhos, séries, filmes e jogos já foram feitos e refeitos nessa quarentena. Comecei a trabalhar totalmente em home office, acabei um relacionamento via Whatsapp e desde então solteiro e fiquei esse ano todo morando sozinho, literalmente, sem nenhum contato humano. Faço parte do grupo de risco, sou diabético. Iniciei então a terapia, algo que nunca imaginei fazer na vida e estou começando a me entender melhor. Eu pensava que terapia era coisa pra pessoas com depressão, "loucos" ou com problemas psicológicos. Grande engano!”
 
Já para a publicitária Andreia de 26 anos a pandemia trouxe algumas lições. Aprendi a valorizar muito mais a vida, estar viva e com saúde é um privilégio muito grande, e graças à pandemia passei e passarei a estar muito mais atenta a dores e sintomas físicos que possam vir a me prejudicar no futuro, para além da prevenção em me manter limpa e desinfetada em todas as situações. Também aprendi que a melhor forma de lidar e vencer o stress e a ansiedade é lidar diretamente com a origem do problema, não fugindo ou evitando os problemas.”
 
Com 2021 chegando, um novo termo começou a ser muito usado e que trazia fragmentos de esperança de um ano melhor: "A vacina já está aí". Está tão perto mas ao mesmo tempo tão longe que acaba dando uma falsa sensação de que algo bom está por vir. Por enquanto, aqui no Brasil, a vacina está disponível para poucos e sem garantia de quando a grande maioria receberá a imunização. Sim, está bem mais próximo que há um ano atrás, e é isto que precisamos ter em mente para permanecermos firmes, esse vislumbre de esperança.

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