05/03/2021 às 15h12min - Atualizada em 05/03/2021 às 14h19min

Produções brasileiras impactam o exterior

A série "Cidade Invisível" levou uma visão maior do folclore nacional para o mundo e ficou entre os conteúdos mais assistidos em mais de 40 países

Daiane Obolari - Editado por Ana Paula Cardoso
Recentemente, uma grande plataforma de stream lançou a série brasileira intitulada "Cidade Invisível", que retrata algumas histórias do folclore nacional incorporadas em seu enredo principal. Por se tratar de uma plataforma global, a série começou a ser descoberta em outros países, cativando rapidamente espectadores ao redor do mundo. A série permaneceu no conteúdo mais assistido em pelo menos um dia em mais de 40 países, fora o sucesso entre os brasileiros.

Com o impacto da produção, a série já foi renovada para uma segunda temporada. Para Suellen Vasconcelos mestre em Educação e realizadora de Cinema e Audiovisual o cinema é uma forma de expressão da cultura e um recorte do tempo, possibilitando que gerações futuras possam entender como as coisas eram antes. 

Existem maneiras que reforçam e outras quebram os estigmas associados ao Brasil, algo que depende de como a cultura é exportada.  Atualmente, existem diretores indígenas que estão realizando produções que abordam a riqueza do país, trazendo uma representatividade maior de todas as realidades. Suellen reforça que o primeiro movimento deve partir da própria população querer ver sua cultura representada, para depois vê-la fora do país.

Os streams também são janelas de exibição de filmes que não tem grande apelo vindo do público, mas que possuem grande conteúdo, com pessoas reais, que contam histórias reais e que fogem do padrão consumido pela massa. Os indígenas por exemplo, possuem histórias riquíssimas, fábulas, que são passadas de geração em geração em aldeias e que servem para a vida inteira, repletas de fantasia, criatividade, questionamentos filosóficos e que ficam lá sem ser acessados por toda a população brasileira. Atualmente, é possível dizer que as indústrias, finalmente, estão dando o reconhecimento devido a essa riqueza não explorada.

No Espírito-Santo temos o diretor Rodrigo Aragão, que já traz a alguns anos essa proposta de produção local. O "Mangue Negro", que foi gravado no mangue real do Espírito Santo, é o maior da área urbana do Brasil. Além disso, coloca acultura e a área geográfica em destaque.

As obras nacionais têm ganhado cada vez mais espaço nos festivais e mostras internacionais. A procura internacional por documentários que refletem o que estamos vivendo mostram que o interesse tem aumentado. O recorte religioso tem despertado um olhar curioso sobre nós. Filmes como "A democracia em vertigem" que estreiou em plataforma digital para o mundo todo, é um documentário que destoa do catálogo comum. A ascensão do conservadorismo que foi disseminado no Brasil também é um grande fator de procura pelo meio internacional.

Os obstáculos principais encontrados nas produções atualmente são profissionais capacitados, bons roteiristas, e escolas de cinema para preparar esses profissionais. A distribuição também é um fator importante, onde assistir as produções? Onde encontrá-las? Os streams possibilitam a maior distribuição, porém, podem ser um circuito muito complexo até chegar neles, por conta da venda de projetos para as plataformas. Além de possuir também, um público seleto.

Se criou um estilo, gênero, formato diferente, que não é necessariamente ruim. Muitos trabalhos já são produzidos há anos por financiamento parcial internacional. As feiras de negócios de cinema, apresentam patrocinadores e uma via de recursos internacionais para trabalhar coprodução. Esse fator faz muita diferença, por trazer a possibilidade de produções mais robustas e bem elaboradas chegarem ao grande público.

Por fim, podemos concluir que esse destaque recebido merece todo o reconhecimento e que ainda há muito a ser explorado. Um país tão rico culturalmente como o Brasil deve ser visto e ouvido por todo o mundo. 

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