06/03/2021 às 14h46min - Atualizada em 06/03/2021 às 14h32min

Vacinação no Brasil traz esperança, mas futuro ainda é incerto

A esperança de volta à normalidade motiva brasileiros, mas a imunização caminha a passos lentos

Larissa Campos - Editado por Maria Paula Ramos
Homem sendo vacinado por uma profissional da saúde - Foto por: Marcely Gomes / Semcom
Com mais de 10 milhões de doses de vacina já aplicadas – somando cerca de 4,13% da população – o Brasil avança, mesmo que a passos lentos, contra a Covid-19. A esperança da imunização em massa se tornou rotina para boa parte dos brasileiros, principalmente para quem já passou pela experiência de ser vacinado.

Igor Nogueira, agente de apoio operacional na SETEC (Serviços Técnicos Gerais) atuante no Cemitério da Saudade, foi vacinado recentemente e conta que sentiu um misto de felicidade e alívio. “Felicidade por já estar imunizado, e alívio por saber que a chance de pegar e passar pra minha mãe agora é muito menor”, explica.

Para Nogueira, a importância da vacinação é enorme, na medida em que apenas dessa forma será possível vencer a pandemia e voltar à rotina normal. O agente destaca, no entanto, que a campanha de vacinação está avançando muito devagar, mesmo o país possuindo um bom potencial estrutural para agilizar a imunização da população.

Miguel dos Santos*, estudante de medicina também vacinado recentemente, afirma que o processo de imunização é a única forma de controlar o avanço da doença, e ressalta que, embora a vacinação tenha começado, o Brasil está muito atrás de vários países.
 
“Parece não haver nenhum esforço do governo federal para mudar isso”, declara o estudante.

A técnica de enfermagem Maria Helena destaca ter sentido alivio e medo ao ser imunizada, já que tomou a Coronavac, que possui cobertura de 50% de eficácia. Para ela, a esperança é para que, mais do que tudo, muitas vidas sejam salvas com a campanha da vacina.

No que diz respeito à rotina, que foi mudada drasticamente devido a pandemia, Maria destaca que não poder mostrar o rosto por conta do uso da máscara foi o que mais a incomodou. De acordo com ela, o rosto é a janela da alma, e ao não podermos olhá-lo por completo, dificulta o processo de conhecimento de outra pessoa.

Brasil é o país que lidou pior com a pandemia

Segundo os três entrevistados citados anteriormente, a campanha de vacinação no Brasil está avançando devagar, e não é para menos. De acordo com um relatório feito pelo Lowy Institute de Sydney, centro de estudos baseados em Sydney, o Brasil foi o país que teve a pior gestão pública durante a pandemia.

No estudo, publicado em janeiro deste ano, o Brasil ficou na última posição entre 98 governos avaliados. Dos países, a Nova Zelândia liderou com a melhor gestão em meio a pandemia.

"Alguns países administraram a pandemia melhor do que outros, mas a maioria deles se destacou apenas por seu desempenho insatisfatório", disse o estudo.

No que diz respeito ao processo de vacinação, a lentidão ocorre devido à escassez estrutural de imunizantes, desencadeada por decisões do governo federal que não garantiram com antecedência fornecedores de vacinas.

Projeção para imunização em massa

Um levantamento feito pelo EIU (The Economist Intelligence Unit), centro de pesquisas do grupo responsável pela revista The Economist, prevê a vacinação em massa no Brasil apenas para 2022. O estudo diz que Brasil e México, classificados como países de renda média, terão doses para imunizar grupos prioritários devido aos acordos firmados com os laboratórios em troca da execução de testes clínicos.

No entanto, “a capacidade de chegar à vacinação em massa depende de outros fatores, incluindo espaço fiscal, tamanho da população, número de profissionais de saúde, infraestrutura e vontade política"



 





*: Nome fictício a pedido da fonte
 
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