06/03/2021 às 18h43min - Atualizada em 06/03/2021 às 18h26min

O Grito de Munch e sua atemporalidade

Aila Beatriz da Silva Inete - Editado por Roanna Nunes
Reprodução da internet- site cultura genial
Em 1893, Edvard Munch criou uma das mais aclamadas e expressivas obras da história da arte ocidental: 'O grito', que foi uma das obras precursoras do expressionismo. Munch conseguiu expressar sentimentos de angústia e solidão. No quadro, o artista desenhou uma pessoa que olha aterrorizada para o espectador. O cenário é uma ponte e há outras duas pessoas que caminham sem notar o desespero da personagem principal. Outro ponto, é que a personagem principal pode representar qualquer ser humano. O trabalho do artista apresenta um ser rodeado de medo e ansiedade, com cores vibrantes, mas traços distorcidos e sombrios.

Muitas obras de Munch retratam sentimentos densos. As emoções representadas nos traços do artista nos passam a sensações de angústia, tristezas e medo. Essa sensibilidade de pintar as emoções e retratar essas sensações fazem de 'O grito' um quadro atemporal.

Munch teve uma infância difícil, perdeu a mãe cedo e foi criado pelo pai, que tinha uma doença mental. Em seus diários, o artista retratou que 'O grito' nasceu em “um arrebatamento de melancolia”. As especulações é que os quadros retratam seus sentimentos de angústias, tristezas e conflitos. Mas também há especulações sobre o real perfil do pintor. A curadora May Britt Gulengo relatou ao El País que, apesar de seus problemas com a ansiedade e o alcoolismo, durante grande parte da vida ele usufruiu de excelente saúde mental. “Talvez fosse neurótico, mas não mais que o resto de nós”, comentou Guleng. Já o historiador Toft-Eriksen, que estudou o ‘mito Munch’ - retirado do ISTOÉ - ressalta que as pessoas tentam transformar o artista em um herói e até um exemplo de superação.

A frase “Só pode ter sido pintado por um louco”, descoberta em 1904 no quadro, foi vista na época como um ato de vandalismo. Entretanto, o Museu Nacional de Arte, Arquitetura e Desenho da Noruega anunciou que a frase foi escrita pelo próprio artista. A mesma pode ser localizada entre as nuvens vermelhas e laranjas no alto do quadro. Os pesquisadores acreditam que a expressão foi escrita há alguns anos após concluída. E a motivação? Bem, é possível que Munch realmente fosse louco, mas também, a obra recebeu inúmeras críticas negativas na época. No El País, Paloma Alarcó, chefa da Área de Conservação de Pintura Moderna do Museu Nacional Thyssen-Bornemisza, considera: “mais que um artista autobiográfico, Munch é um pintor de arquétipos de sentimentos humanos cujo as telas tinham um elemento quase teatral”. Ainda na declaração, ela disse que apesar de Munch retratar familiares, com o tempo, suas personagens se tornaram “anônimos, impessoai... Ao final, em suas pinturas, não estamos vendo sua vida, e sim a biografia de tanta gente”.

Pode ser que Edvard não seja um exemplo, mas a obra 'O grito' é genial. É possível que suas obras não retratem só a vida dele, mas, no final, as nossas também. E talvez por isso, seja um retrato atual, também.




Referências: VARGAS, JOSÉ GONZÁLEZ. Enfim descobrimos quem escreveu “pintado por um louco” em ‘O grito’, de Munch. EL PAÍS. 23, fevereiro, 2021.Disponível em: https://brasil.elpais.com/cultura/2021-02-23/misterio-resolvido-enfim-descobrimos-quem-escreveu-em-o-grito-de-munch.html Aidar, Laura. Quadro O Grito, de Edvard Munch. Cultura Genial. Disponível em: https://www.culturagenial.com/quadro-o-grito-de-edvard-munch/ Consiglio, Keka. O Grito: a obra perfeita para os tempos atuais. ISTOÉ. 29, setembro, 2020. Disponível em: https://istoe.com.br/o-grito-a-obra-perfeita-para-os-tempos-atuais/

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