11/03/2021 às 22h00min - Atualizada em 11/03/2021 às 20h53min

Desvendando as variantes da covid-19

A mutação do vírus facilita a transmissão e aumenta as infecções

Paulo Marques Pinto - Editado por Manoel Paulo
Com informações de National Geographic e Sanar Saúde.
iStock

Mutação é uma abrupta alteração de um gene que provoca mudanças transmissíveis aos seus descendentes, o que explica a variação dos organismos. O processo parece assustador, porém faz parte da evolução da vida.

Vírus não são seres vivos, mas também sofrem mutação, podendo se replicar enquanto infectam células hospedeiras. Desse modo, conseguem destruir as defesas imunológicas. O aumento de infecções por Covid-19 facilita o surgimento de mais variantes.

De acordo com a bióloga viral evolucionária na Faculdade Reuters de Ciências Ambientais e Biológicas, Siobain Duffy, as mutações podem não permitir que uma proteína produza alfa-hélices em espiral, por exemplo. Para Simon Anthony, virologista da Universidade da Califórnia, a mutação neutra estimula um vírus a atingir uma população aparentemente saudável. Existem, porém, mutações que resultam em um vírus mais agressivo.

Pela capacidade de fazer revisões genéticas, a taxa de mutação do coronavírus é ligeiramente mais baixa. Mesmo assim, quanto mais liberdade para a circulação da Covid-19, mais variantes aparecem.

Durante a replicação, um vírus defeituoso pode gerar filhotes com mutações. Dependendo da vantagem do processo, cada um pode criar uma linhagem. Eis os critérios para classificar uma linhagem: a sequenciação do genoma deve ser maior que 95%, no mínimo uma mutação quanto à linhagem-mãe e semelhança a pelo menos quatro amostras-irmãs. Ao passar por esse teste, a variante passa a ser chamada por um código composto de uma letra e até três números.


Quais são as principais variantes do coronavírus?

A variante P.1, linhagem B.1.1.28, está circulando neste momento em Manaus. Embora tenha surgido no Amazonas, espalhou-se para a região Sudeste (exceto Minas Gerais), um terço do Nordeste e os estados de Roraima, Pará e Santa Catarina. As mutações resultantes da B.1.1.28 foram encontradas no material genético do vírus em pelo menos 36 das 180 amostras sequenciadas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A 202012/01, linhagem B.1.1.7, em circulação no Reino Unido, é até 70% mais transmissível que o vírus original. Aliás, a proteína spike faz com que o vírus pareça uma coroa, o que explica o nome coronavírus.

A VUI-NP13L teve origem no Rio Grande do Sul, decoberta em um estudo da Universidade Feevale, o qual revelou a disseminação da E484K na proteína Spike.

A variante sul-africana, embora de maior transmissão, pode infectar pessoas que já contraíram o vírus. Mesmo assim, não é possível confirmar sua letalidade.

A 20C-US, decoberta em junho de 2020, pode se tornar a mais perigosa a circular nos Estados Unidos.

As variantes V1176F e D614G são atribuídas ao aumento de mortes pelo mundo. Mas o que significa cada item? A primeira letra indica o aminoácido substituído, o número localiza a proteína, e a última significa o novo aminoácido.

Será que essas variantes podem agravar a pandemia da Covid-19? A resposta está nos testes laboratoriais, que visam avaliar a ligação das linhagens às células e a capacidade de reprodução.

 

Afinal, as vacinas realmente funcionam?

O imunizante da AstraZeneca tem custo baixo e pode ser transportado e armazenado mais facilmente que os demais em uso. Mesmo assim, de acordo com estudo preliminar da Universidade de Johannesburgo (África do Sul), oferece o mínimo de proteção contra os sintomas leves a moderados da variante local.

Sendo a mais aplicada no Brasil atualmente, a CoronaVac tem eficácia comprovada contra as variantes do coronavírus, de acordo com estudo preliminar que analisou as amostras sanguíneas de 35 pessoas, obtidas na terceira fase de testes clínicos. A vacina do Butantan consegue deter as variantes P.1, P.2, britânica e sul-africana.

Por fim, a vacina desenvolvida pelas farmacêuticas Pfizer e BioNTech também se mostra capaz de neutralizar as variantes da África do Sul, do Reino Unido e uma parecida com a variante do Brasil. Cientistas da Pfizer e do setor médico da Universidade do Texas, aplicaram uma nova dose em 20 voluntários que estiveram na primeira fase dos testes clínicos. No entanto, para confirmar essa eficácia, pede-se que as vacinas sejam frequentemente monitoradas.


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