12/03/2021 às 12h01min - Atualizada em 12/03/2021 às 11h52min

Redes sociais regridem a interação social

Direto das lives, carrosséis e IGTV's em direção ao velho tête-à-tête

Bianca Costa - Editado por Roanna Nunes
Foto: Kristina Astakhova / Reprodução: Freepik
Sempre me pergunto quando foi que desaprendemos a conversar, quando assistir passou a ser mais atrativo do que interagir. Nossos celulares passaram de instrumentos de comunicação para 
isoladores sociais. Em menos de 15 anos, as redes sociais podem ser colocadas no papel de réu do caso. 
 
O aplicativo de rede social Clubhouse, lançado em 2020, com menos de um ano se tornou popular por todo mundo. A rede é composta por salas de chat de voz e pode ser integrada apenas por usuários de Iphone que forem convidados a se juntar ao app.
 
Ok, mas o que há de novo em um chat de voz e por que se tornou tão visível e desejado? A resposta está bem à frente de todos aqueles que a desejam ver, bem debaixo dos narizes dos que algum dia esqueceram de como uma ligação de voz, simples, longa e sem motivo pode ser aconchegante. Após anos de consumo massivo do Instagram, acabamos nos colocando no lugar de espectadores; ficou evidente durante a pandemia do Coronavírus que nos cansamos de ouvir e desejamos ser ouvidos.
 
A propagação não aconteceu apenas referente ao vírus mortal (COVID-19), mas também com as “blogueirinhas” (substantivo feminino que é empregado também para o sexo oposto: ser “blogueirinha” é um ato assexuado).
A frase “virou blogueirinha?” foi amplamente usada no ano de 2020. Reflexo não apenas dos diversos anos em que passamos consumindo e não produzindo, mas também da própria pandemia que afastou e isolou personalidades, amizades e até a própria comunicação foi diminuída por conta dela. 
 
A resposta à pergunta feita é: estamos com saudades. Nada melhor para matar a saudade do que uma boa ligação. E é aí que entra o Clubhouse, na rede somos arrastados diretamente para a conversa verbal, como em um jogo de pingue-pongue, bate e rebate, sem tempo para o “vácuo”. A interação mais básica de todas é também a mais poderosa e eficaz. 
 
Depois de 2 semanas apenas vivendo em prol do dia em que receberia um convite para a rede, o tão esperado chegou, 'meu príncipe no cavalo branco': o convite para o Clubhouse. Na mesma hora corri, montei minhas malas e parti para estranho mundo do bate-papo. Cadê as fotos e textos? Me perguntei, mas, tive que me contentar com vozes, em sua maioria desconhecidas e para conhecê-las bastava conversar. Quais são as hipóteses de eu acabar esbarrando com um animador 3D da Disney na vida “off”? Provavelmente nulas, mas no app ele foi uma das 30 e poucas pessoas que compunham a sala de bate-papo “RESENHA” em que eu me aventurei.
 
Meu coração parecia querer fugir de mim “eu não quero falar” ele birrava. Será que eu me esqueci de como conversar? Por fim, a voz saiu e como saiu; estava presa, entalada, gritando por socorro no fundo da garganta (para onde nunca mais quer voltar).
 
Após longas horas de conversa, me sentia mais próxima desses desconhecidos do que dos meus quase 600 seguidores do Instagram, a quem supostamente conheço.
 
O velho tête-à-tête, no ano de 2021 é mais revolucionário do que o próprio celular e o sucesso do novo aplicativo está contido nisso: revolucionando a comunicação, ensinando a geração Millenium uma interação mais antiga do que a civilização e tão atual quanto o jovem que a aprende. 
 
A todos os faladeiros e faladeiras do mundo, eis aqui o meu chamado: chega mais, bora conversar? 

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