12/03/2021 às 15h32min - Atualizada em 12/03/2021 às 15h27min

Política brasileira ainda apresenta poucas mulheres eleitas

De acordo com o Mapa da Política de 2019, as mulheres ocupam apenas 12,32% dos cargos eletivos

Daiane Obolari - Editado por Ana Paula Cardoso

Na última segunda-feira (8), foi comemorado o Dia Internacional da Mulher, data importante para a luta feminina. Apesar de conquistarem cada vez mais o seu espaço em um país que foi umas das últimas nações a reconhecer o direto feminino ao voto, as mulheres ainda encontram atualmente muitas dificuldades no âmbito da política brasileira. De acordo com o Mapa da Política de 2019, elaborado pela Procuradoria da Mulher no Senado, as mulheres ocupam apenas 12,32% dos cargos eletivos.


Para Rosana Pinheiro, eleita em 2020 vereadora na cidade de Guarapari (ES), a participação da mulher na política é "uma conquista muito importante, pois temos uma visão além, e, a mulher consegue assimilar muita coisa ao mesmo tempo, o que ajuda ao lidar com as tarefas do município".

Já a vereadora Kamilla Rocha reeleita em 2020 reflete que: "Nós mulheres, estamos ganhando cada vez mais força e voz. Quando falamos em representatividade, é importante garantir que mulheres diferentes umas das outras, encontrem espaço para fazerem suas vozes serem ouvidas, sejam elas indígenas, negras, trans, idosas ou jovens. A caminhada para aumento de mulheres no cenário político é longo, mas cada conquista é importante". Ela ainda afirma que deseja servir de inspiração para outras mulheres, incentivando-as a ocuparem seus espaços e a lutarem por seus direitos.

Em relação ao preconceito sofrido, Kamilla ressalta que a sociedade brasileira ainda é machista e que muitos brasileiros não conseguem acreditar que mulheres tem potencial para ocupar espaço político, sendo considerado um lugar apenas para homens ocuparem.

Das 17 vagas ofertadas para vereadores na última eleição da cidade de Guarapari, apenas 3 delas foram ocupadas por mulheres, sendo que mais da metade da população são do sexo feminino (51,9%). "A mulher precisa saber o seu papel também na política", expõe Rosana. A expectativa é que nos próximos anos esse número possa crescer em uma quantidade significativa "hoje há um apelo de que as mulheres estejam engajadas no meio político".

Kamilla completa dizendo que também acredita que isso possa ocorrer e relata que: "Em 2018, por exemplo, a Câmara Federal teve um aumento de 51% de mulheres eleitas. São números satisfatórios e motivadores".


Obstáculos

Sobre os obstáculos enfrentados por elas para se eleger, Rosana afirma que: "o machismo ainda impera, mas vejo que as mulheres precisam acreditar mais em si mesmas, no seu poder, capacidade e se lançarem politicamente". No ES apenas 8% das vagas são ocupados por mulheres, sendo o segundo estado com menor participação feminina na política do Brasil.
 

"Isso impacta negativamente, porque o mundo, o estado e o município gritam, pedem socorro por políticas públicas para mulheres", diz. 


Kamilla opina: "Existe uma ideia errônea em que mulheres foram educadas para cuidar e o homem para prover. É como se a mulher não pudesse exercer papel político, afinal, tem uma casa e filhos para cuidar". Para ela, um município ou estado que não tem representação feminina na política coloca em risco todos os direitos das mulheres. 

Incentivo feminino

No que diz respeito ao incentivo feminino, Kamilla relata que ainda faltam políticas públicas que incentivem a divisão do trabalho doméstico entre homens e mulheres. Além do incentivo e a sensibilização dos partidos, para que exerçam suas candidaturas com força e protagonismo. "Precisamos muito igualar as condições de disputa pelo espaço político".

Rosana afirma que "a estrutura dos partidos também é vista como machista e racista. Ou seja, realmente falta incentivo para que as mulheres sejam reconhecidas como também capazes de exercer o papel na política. Aliás, se a mulher tomar consciência do seu empoderamento, ela conquistará grandes feitos",. 

Também é importante ressaltar que, embora a adoção de iniciativas de ações afirmativas sejam importantes, estes não são os únicos meios e propósitos para que mais mulheres participem da política. Para isso, é necessário que políticos, os partidos e países trabalhem por uma agenda mais igualitária, e que a sociedade civil seja capaz de inspirar e exigir mudanças nessa situação.


 

Referências:
BARROS, L. Artigo: Por mais mulheres na política! CORREIO BRAZILIENSE. 08 de mar. de 2020.
Disponível em: <https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/opiniao/2020/03/08/internas_opiniao,832829/artigo-por-mais-mulheres-na-politica.shtml> Acesso em: 12 de mar. de 2021

 

FLORENTINO, K. Representatividade das mulheres na política. POLITIZE! 18 de out. de 2018.
Disponível em: Acesso em: 12 de mar. de 2021


 


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