19/03/2021 às 10h11min - Atualizada em 19/03/2021 às 10h06min

As mudanças negativas causadas no nosso cérebro devido a pandemia

Sttéfani Peres - Editado por: Celine Almeida
Imagem: Hedgehog Digital | Unsplash

Estando há mais de um ano em isolamento, com tantas incertezas e tanto receio sobre o futuro, a nossa forma de viver e o nosso psicológico foram modificados. Essas modificações são explicadas pelo epidemiologista Sandro Galea, conhecido por estudar a saúde mental de pessoas envolvidas em eventos traumáticos. 

Em artigos escritos para portais como o Psychology Today e BU Today, Galea comenta quais mudanças o isolamento social e o constante estresse implicam na estrutura e funcionamento do cérebro. 

“Você perdeu seu contato social, pode ter perdido entes queridos, também pode ter perdido seu emprego. Todos esses fatores danificam, de forma extremamente negativa, nossos cérebros”, afirma Galea. Em sua análise ele busca similaridades de outros eventos históricos e pesquisas psicológicas anteriores para explicar o impacto cerebral de viver durante uma pandemia, visto que, por razões logísticas óbvias, não houveram muitas pesquisas sobre as consequências neurais causadas pela situação atual. 

Galea também alerta sobre as taxas de depressão nos Estados Unidos que, nos primeiros meses de pandemia, haviam aumentado em mais do que o triplo, comparada aos anos anteriores, numa taxa de 8.5% para 27.8%. Já no Brasil, a situação apresentada recentemente pela Universidade de São Paulo (USP) é de que nós somos o país com o maior número de casos de ansiedade e depressão durante a pandemia. 

O coordenador de relações institucionais do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, Rodrigo Leite, advertiu sobre a importância de não deixar os cuidados com nossa saúde mental de lado, em entrevista para o blog Glassdoor. 

“Isso [a pandemia] vem como uma experiência traumática coletiva, que deve revolucionar o mundo — incluindo o mundo do trabalho, das relações, enfim, toda a forma como a gente se organiza como sociedade. E, do ponto de vista da saúde mental, qualquer experiência traumática ou que fuja tanto daquilo que tínhamos como certo acaba trazendo sérias consequências.”


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