19/03/2021 às 21h12min - Atualizada em 19/03/2021 às 20h35min

Moda vegana e a criação de produtos cruelty free

Mercado fashion aquece com adeptos à estilo mais consciente

Danielle Barros - Editado por Clara Molter Bertolot
Reprodução/Pixabay
O veganismo, para quem se engana, não está ligado exclusivamente à alimentação. Quem adota esse estilo de vida preocupa-se com toda situação que envolva o sofrimento animal, em qualquer fase da criação e produção de um produto, direta ou indiretamente. Os adeptos à esta prática, no geral, também têm conscientização com a sustentabilidade.

Para Suzanna Rani, designer de moda e mestranda em Engenharia Têxtil, nem todo produto sustentável é um produto vegano, e vice-versa: “São processos que andam lado-a-lado, mas que podem ter algumas divergências. Por exemplo, uma confecção de acessórios que utilize de sobras de couro pode ser considerada sustentável, pois está utilizando de um produto que iria ser descartado. No entanto, não pode ser considerada vegana, porque em uma etapa da confecção dessa matéria-prima houve o sofrimento animal.”

Na moda, pensar em ambas as práticas têm sido cada vez mais comum. Stella McCartney foi uma das primeiras estilistas a pensar em roupas e acessórios mais sustentáveis e veganos. A londrina é vegetariana e carrega consigo o ativismo da causa, além de questionar outras atividades do mercado de luxo.

Assim como McCartney, atualmente, outras marcas seguem o mesmo caminho: Hugo Boss lançou uma linha de calçados masculinos desenvolvida com as folhas do abacaxi, o Pinatex. Já a Hermes anunciou semana passada que sua famosa bolsa de viagem Victoria, será repaginada com um tecido “não tecido”, feito de cogumelos. Ambos têm a finalidade de substituir o couro.

 

Ser vegano também é pensar no que vestir
Nem todas as pessoas que dão início à uma vida com menos sofrimento animal, vão direto ao veganismo. Muitos passam por processos mais longos, e aos poucos evoluem para a próxima etapa.

Nádia Carvalho, ativista vegana e criadora de conteúdo, sempre se preocupou com os direitos dos animais, mas conseguir pensar no vestuário não foi algo de imediato:
Quando nos tornamos veganos, passamos a ficar atentos para muitos detalhes novos, e a alimentação acabou tendo um papel mais relevante numa fase inicial. Mas a transição para uma abordagem vegana à moda tem sido um processo muito divertido e de descoberta. Há tantas opções que não imaginava que existiam! Sabia que se fazem bolsas a partir de pele de maçã?, disse a ativista. 

Um dos problemas relatados, por parte dos consumidores, é o valor que os itens cruelty free podem custar e que nem sempre contemplam toda a população. Muitas vezes o custo final do produto pode ser impactado, devido à tecnologia utilizada e o tempo de produção. Não quer dizer que as marcas devam desistir de criar roupas e acessórios que respeitem o meio ambiente, porém é preciso pensar a longo prazo no incentivo que isso pode causar.

Para Nádia, ainda assim, cada um pode fazer sua parte: “Há boas razões para estas marcas serem mais caras – como a preocupação com a sustentabilidade e responsabilidade social –, mas o preço não está sempre ao alcance do consumidor”. Ela afirma que todos podem fazer a sua parte, comprando menos, cuidando da roupa que possuem, e optando sempre pela melhor relação qualidade-preço que conseguirem, até mesmo garantindo as peças em brechós.
 

A pandemia pode impactar nesse debate
Muitas coisas mudaram nesse período de isolamento causado pela Covid-19. Não se pode negar que muitas pessoas passaram a olhar mais para si e para causas mais sustentáveis. Debates sobre o assunto no mundo da moda ocorrem constantemente para entender como funcionará o setor em um cenário futuro:
Há uma urgência da sociedade na transparência do consumo. Vê-se uma forte tendência comportamental referente à preocupação com a origem dos produtos que estão presentes diariamente no nosso cotidiano, conta Rani.
No site da PETA (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais), uma organização não governamental norte americana, é possível encontrar uma lista de empresas que desenvolvem produtos livre de origem animal.

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