24/05/2019 às 16h30min - Atualizada em 24/05/2019 às 16h30min

Redução da Dengue com mais mosquitos Aedes Aegypti

Pesquisas científicas encontram meios de eliminar a Dengue, Febre Amarela, Chikungunyia e outras doenças oriundas do Aedes Aegypti.

Daiana Pereira - Editado por Thalia Oliveira
A Dengue é uma das doenças virais mais preocupantes que a população brasileira enfrenta. O mosquito Aedes Aegypti é o meio de transmissão dessa, bem como febre amarela, chikungunyia e zika. Contudo, pesquisas cientificas buscam a eliminação da infecção dessas doenças nos seres vivos. Pesquisadores do Reino Unido foram os pioneiros na descoberta das modificações genéticas do referido mosquito a fim de impedir que eles expandam a propagação de doenças virais.

O método consiste em alterar um gene nos machos, o qual irá produzir uma proteína que tem a capacidade de matar a prole com as fêmeas.  Dessa forma, reduziria a quantidade de mosquitos Aedes Aegypti.

A linhagem chamada de OX513A, desenvolvida pela empresa britânica Oxford Insect Tecnologies (Oxitec), já se mostrou eficiente no combate a Dengue e Febre Amarela e ovos já foram importados para outros países, a fim de testarem e realizarem pesquisas com os mosquitos transgênicos. Informações publicadas no site da Oxitec dizem que França, Índia, Cingapura, Tailândia, Estados Unidos e Vietnã aprovaram as importações.

Testes realizados pela Oxitec nas Ilhas Cayman, no Caribe, mostraram resultados positivos com a proliferação dos mosquitos modificados. Por meio de 3 milhões de mosquitos soltos nas Ilhas, posteriormente, resultados demonstraram uma redução de 80% da população do Aedes Aegypti. Para o controle das proles, esses mosquitos, quando em fase larval ou em cepa, possuem uma cor fluorescente, sendo possível a identificação dos afetados pela proteína.

Pesquisadores internacionais encontraram outras formas de acabar com o Aedes Aegypti. Um artigo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), em 2011, apontou uma possível modificação genética nas fêmeas, ao invés dos machos. A pesquisa consiste em atuar especificamente em uma proteína chamada de Actina-4. Essa proteína permite que a fêmea tenha mais capacidade de voo que os machos. Atuando na proteína, a fim que impedir seu funcionamento, as fêmeas se desenvolveriam até a fase larval e depois morreriam. Dessa forma, reduz a quantidade de fêmeas e a produção de mais ovos do Aedes Aegypti.

Brasil

Numa conferência em 2007, em Londres, a pesquisadora Margareth Capurro, professora e pesquisadora da Universidade de São Paulo conheceu o fundador da Oxitec. Nesse encontro com o cientista britânico Luke Alphey, criou-se a ideia de trazer essas experiências com mosquitos modificados geneticamente para o Brasil. E em 2009, foi importado 5 mil ovos da Oxitec para o Brasil e se iniciaram as pesquisas aqui.

Com o auxílio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), a pesquisadora Margareth desenvolveu um projeto para atuar em três linhagens do mosquito. Essas linhagens seriam machos estéreis, machos que através da prole nasceriam apenas machos e o macho com um vírus-letal.

Hoje

A FAPESP e Margareth estão na segunda fase da pesquisa dos mosquitos transgênicos. Essa fase consiste na produção em larga escala em locais maiores, com o objetivo de averiguar se esses mosquitos conseguem procriar em algumas situações como com a presença de chuvas e ventos. Esse procedimento está sendo realizado na biofábrica da Moscamed Brasil, em Juazeiro, Bahia.

O plano era estender a segunda fase até meados de abril de 2019 e se conseguissem resultados positivos, na transição de 2019 para 2020 será implantado a terceira fase, que é a produção do Aedes Aegypti em escala piloto, cerca de 500 mil mosquitos por semana.

No final dos experimentos, os resultados serão apresentados ao Ministério da Saúde, a fim de analisar e ver as possibilidades de implantação no Brasil. Os resultados também serão entregues para a Organização das Nações Unidas (ONU), a qual poderá compartilhar a experiência com outros países e haver futuras implantações em outros locais.

O Ministério da Saúde junto ao programa World Mosquito Program Brasil (WMPBrasil), da Fiocruz, anunciaram no dia 15 de abril que darão início a uma fase do projeto de redução do Aedes Aegypti, por meio da proliferação da bactéria “Wolbachia” no Aedes Aegypti.

Essa bactéria faz com que o mosquito não transmita a Dengue, mesmo possuindo o vírus. É uma medida segura e sustentável, pois não é uma modificação genética, que poderia desencadear outros efeitos além dos esperados, e o mosquito não transmitiria nem a Dengue e nem outras doenças oriundas de sua picada.

Antes estava sendo realizado pesquisas em laboratórios e cidades pequenas. A partir de agora, irão realizar experimentos em cidades com mais de 1,5 milhões de habitantes. As cidades escolhidas foram: Campo Grande, centro-oeste do país; Petrolina, nordeste; e Belo Horizonte, sudeste. Segundo o Ministério da Saúde, a população será conscientizada sobre a bactéria presente nos mosquitos e que mesmo com essas descobertas, é imprescindível os cuidados diários da população.

 

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