27/03/2021 às 16h58min - Atualizada em 27/03/2021 às 16h54min

Com avanço desenfreado da COVID-19 no Brasil, aumenta a corrida por vacinas

Ministério da Saúde conta com vacinas do Butantan, Fiocruz, Johnson & Johnson e Pfizer

Giovanna Toledo - Editado por Júlio Sousa
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Há mais de um mês, o Brasil quebra recordes diários no número de mortes e de contaminados pelo novo coronavírus. De acordo com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o país atingiu a marca dos 300 mil mortos no dia 24 de março. Diante desse contexto, aumentam as expectativas e a pressão por vacinas. 

 

Entretanto, para que a vacinação de fato faça efeito, é preciso atingir a imunidade coletiva, uma técnica de imunização em que a maioria da população se torna imune à doença. Para o coronavírus, os cientistas calculam que entre 80% e 90% da população do Brasil deve estar imunizada.   

 

De acordo com o consórcio de veículos de imprensa, após 70 dias desde o início da vacinação no Brasil, no dia 17 de janeiro, apenas 2,73% da população recebeu as duas doses. Em paralelo, uma pesquisa publicada pelo banco de dados Our World in Data, atualizados até 28 de janeiro, relata que, se a vacinação prevalecer no ritmo atual, vacinando em média 94 mil pessoas por dia, demoraria cerca de quatro anos para atingir o limiar dos 90% de vacinados, e somente aí seria possível controlar os casos e mortes. 

 

VACINAS

 

Segundo o site oficial do Instituto Butantan, desde o dia 17 de janeiro já foram encaminhadas mais de 27 milhões de vacinas da CoronaVac ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde. Foram 8,7 milhões em janeiro; 4,8 milhões em fevereiro; e, até agora, 14,3 milhões em março.

 

 Na coletiva de imprensa do dia 24, Dimas Covas,  diretor-presidente do Instituto, afirmou que na semana do dia 29 serão entregues mais 8,4 milhões de doses. “Com isso, vamos completar 36,2 milhões de doses de vacinas entregues em menos de três meses. Faltarão em torno de 10 milhões de doses para completar o contrato, que pretendemos integralizar nos primeiros dias de abril”, explicou.

 

No primeiro contrato entre o Instituto Butantan e o Ministério da saúde, foram compradas 46 milhões de doses da CoronaVac, do laboratório chinês Sinovac. Após essa entrega, será iniciada a produção das 54 milhões de doses solicitadas no segundo contrato, que deverão ser entregues até o final de agosto. E, conforme o terceiro contrato, serão produzidas mais 30 milhões de doses. “Dessa forma, o Butantan deve fornecer ao PNI 130 milhões de doses da vacina contra a Covid-19”, diz nota no site oficial do Instituto. Além disso, o governo de São Paulo encomendou outras 20 milhões de doses.

 

No dia 17 de março, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) entregou o primeiro lote de vacinas produzidas na instituição ao PNI. Em nota, a Fundação esclareceu que por tratar-se de uma nova tecnologia e da complexidade de implantação da produção da vacina Covid-19, foram necessários ajustes no cronograma de entregas”. Portanto, disponibilizaram esta previsão na entrega de doses: 3,9 milhões em março; 18,8 milhões em abril; 21,5 milhões em maio; 34,2 milhões em junho; 22 milhões em julho.

 

Dessa forma, as entregas somarão mais de 100 milhões de doses no primeiro semestre de 2021. A partir do segundo semestre, com a incorporação da produção do ingrediente farmacêutico ativo (IFA), matéria prima para a vacina, a Fiocruz deve entregar mais 110 milhões de doses. Em nota no seu site oficial, a Fundação ainda explicou que “qualquer alteração no cronograma será comunicada com transparência e a maior brevidade possível”.

 

Dia 15 de março, o ex-ministro da saúde Eduardo Pazuello, anunciou a compra de imunizantes contra a COVID-19 desenvolvidos pelas farmacêuticas Pfizer e Janssen. De acordo com o site oficial da Pfizer, devem ser entregues 100 milhões de doses a partir do segundo trimestre de 2021 até o final do ano. A vacina já tem registro definitivo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Já o contrato com a Janssen, braço farmacêutico da Johnson & Johnson, estipula 39 milhões de doses, com distribuição a partir do segundo semestre de 2021.

 

Referências: 

 

André Biernath. Vacinação contra a covid-19: no ritmo atual, Brasil demoraria mais de quatro anos para alcançar imunidade de rebanho. BBC News Brasil. 29/01/2021. Disponível em:

https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/bbc/2021/01/29/vacinacao-contra-a-covid-19-no-ritmo-atual-brasil-demoraria-mais-de-quatro-anos-para-alcancar-imunidade-de-rebanho.htm . Acesso em 26/03/2021.

 

Em uma semana, mais 3,2 milhões de doses da vacina contra a Covid-19 são entregues ao Ministério da saúde. Instituto Butantan. 24/03/2021. Disponível em:

https://butantan.gov.br/noticias/em-uma-semana-mais-32-milhoes-de-doses-da-vacina-contra-a-covid-19-sao-entregues-ao-ministerio-da-saude . Acesso em 26 mar. de 2021.

 

Fiocruz entrega ao PNI primeiro lote de vacinas Covid-19. Fiocruz. 17/03/2021. Disponível  em: https://portal.fiocruz.br/noticia/fiocruz-entrega-ao-pni-primeiro-lote-de-vacinas-covid-19. Acesso em 26 mar. de 2021.

 

Covid- 19 - Principais perguntas e respostas sobre a vacina Pfizer e Bontech. Pfizer. Disponível em: https://www.pfizer.com.br/sua-saude/vacinacao/covid-19-principais-perguntas-respostas-sobre-vacina-pfizer-e-biontech. Acesso em 26 mar. de 2021.

 

Thais Szegö. Com 300 mil mortos por Covid-19, Brasil faz da sua população um grupo de risco. CNN Brasil. 24/03/2021. Disponível em:

https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2021/03/24/como-brasil-se-tornou-epicentro-da-pandemia. Acesso em 26 mar. de 2021.

 

Anna Satie e Daniel Fernandes. Governo anuncia que assinou compra de doses das vacinas da Pfizer e Janssen. CNN Brasil. 15/03/2021. Disponível em:


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