27/03/2021 às 17h49min - Atualizada em 27/03/2021 às 17h28min

O PALHAÇO: O CIRCO NA TELA DA TV

Produção cinematográfica de Selton Mello, lançada em 2011, resgata o público circense em meio à pandemia

Isabelle Marinho - Revisado por Mário Cypriano
Créditos: Divulgação


O Dia Nacional do Circo coincide com o Dia Mundial do Teatro, 27 de março, e muito se fala no ambiente artístico sobre as características em comum entre essas artes. Todavia, elas também podem estar intimamente ligadas a chamada sétima arte, o cinema.
 

Em um contexto histórico, o “primeiro cinema”, segundo a pós-doutora em Cinema pela USP, Flávia Cesarino Costa, corresponde ao período de filmes produzidos entre 1894 a 1908, e possui grande relação com o circo. O ator e escritor Tom Gunning define o “cinema de atrações” como a “própria habilidade de mostrar alguma coisa”. A relação entre circo e cinema pode ser destacada, então, pelo “exibicionismo”, pois no “primeiro cinema” o observador é chamado pelo ator a participar da cena, mesmo que de maneira não presencial.   


O cinema mudou suas técnicas com o avanço tecnológico, social e cultural, mas a relação com a arte circense ainda pode ser vista em histórias e filmes que narram a experiência da vida no circo, fazendo com que o espectador entenda um pouco dessa realidade. Nesse ambiente cinematográfico, Selton Mello lançou o filme “O Palhaço” há cerca de dez anos, no qual ele dirigiu, roteirizou e interpretou o palhaço Benjamin.

 

(Palhaço Benjamin- interpretado por Selton Mello - Reprodução: Filme "O Palhaço")


Lançado em 2011, com classificação indicativa de 10 anos, o longa-metragem conta a história de Benjamin, seu pai Valdemar e a companhia circense fundada pela família: Circo Esperança. Benjamin e Valdemar formam a dupla Pangaré & Puro-Sangue nos números de palhaço apresentados nos espetáculos, fazendo sucesso e provocando risos na plateia e também na audiência do filme.  


Entretanto, mesmo fazendo palhaçadas e alegrando terceiros, Benjamin não se sente feliz. Em certo momento, o personagem indaga durante o filme: “Eu faço o povo rir, mas aí, quem é que vai me fazer rir?”. Em grande parte da trama, o palhaço enfrenta uma crise existencial sobre quem ele realmente é, tanto na questão da personalidade, quanto nas questões de documento de identidade, pois Benjamin só possui sua certidão de nascimento, não tem CPF e muito menos RG, o que colabora com seus questionamentos individuais.  
 

(Palhaços Benjamin e Valdemar - Reprodução: Filme "O Palhaço")


O produtor executivo de espetáculos do Circo dos Sonhos, Asdrubal Savioli, acredita que o cinema possui licença poética e não necessita fazer um retrato fiel da realidade circense, mas se essa for a intenção da produção, o filme pode ser muito importante e necessário para manter a magia do circo viva em momentos de pandemia, quando espetáculos não são permitidos. Asdrubal cita 'O Palhaço': “O Selton Mello contratou três consultores que deixaram o filme dele com uma realidade bem bacana de circo, a vida dos artistas, o que é morar em barraca, morar em trailers, uma coisa bem realista”.


Ketllyn Santos, de 19 anos, que é estudante de jornalismo e fez aulas de teatro durante 10 anos, sempre procura assistir produções cinematográficas nacionais e “O Palhaço” foi uma dessas tantas. “Eu acho que a gente precisa consumir nossa cultura e valorizar ela, não só os filmes de fora, mas os filmes nacionais também”, comenta a estudante. Sobre a realidade passada em filmes como o de Mello, “eles mostram um pouco da realidade que eles passam, é um trabalho pesado. Igual o Selton Mello, às vezes, ele passava que o palhaço era meio triste, porque nem sempre a gente é feliz, não importa que ele seja um palhaço, ele não vai estar feliz o tempo inteiro, mas quando ele estiver diante do público ele vai precisar fazer o trabalho dele”.

"O Palhaço" é uma ótima opção para quem procura entender um pouco mais a realidade dos artistas circenses e sente falta de assistir um espetáculo em meio à pandemia. Não deixe de conferir esta trama que resgata a magia do circo dentro de todos nós, afinal, o rato come o queijo, o gato bebe o leite... e o Selton Mello é o palhaço.


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