08/04/2021 às 09h54min - Atualizada em 08/04/2021 às 09h38min

Bolsonaro em defesa do tratamento sem eficácia comprovada, o "tratamento precoce" para a Covid-19

Desde o começo da pandemia, o presidente propaga o uso de medicamentos sem comprovação científica. Relembre as falas recentes de Bolsonaro sobre o "tratamento precoce".

Maria Mendes - Editado por Maria Paula Ramos
Fonte: REUTERS/Adriano Machado | Reprodução: UOL

“Nós adotamos todos os protocolos. O protocolo do tratamento precoce também foi adotado.” Assim, João Rodrigues (PSD), prefeito de Chapecó (SC), explica o aparente motivo pelo qual a cidade supostamente teria vencido o coronavírus. O vídeo compartilhado por Jair Bolsonaro (sem partido) nesta segunda-feira (5), tem como cenário uma UTI da cidade catarinense e está completamente vazia, a não ser pelo próprio prefeito e pelos profissionais que trabalham no local.

 

O compartilhamento do vídeo por Bolsonaro é um dos muitos episódios em que o presidente demonstra apoiar o “tratamento precoce”, tratamento, este, sem eficácia comprovada para os casos de Covid-19. A cidade de Chapecó se encontra desde 7 de fevereiro com 100% de UTI ocupados, fazendo com que a desinformação veiculada esteja além do uso de medicamentos sem comprovação científica, como Cloroquina e Ivermectina, em casos da doença.



 

 

Relembre episódios recentes da saga de Bolsonaro na defesa do “tratamento precoce”:

 
  1. Contradizendo o novo ministro em live

 

“Muita gente no Brasil faz o tratamento precoce e o preventivo também”, disse Jair Bolsonaro em sua live semanal, no último dia 1º. O presidente voltou a defender o tratamento sem comprovação alguma, contrariando, assim, a recomendação do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Para Bolsonaro, “tratamento precoce passou a ser crime no Brasil”.

 

Na semana anterior, o ministro da Saúde afirmou não existir tratamento para bloquear a ação do coronavírus no corpo. 

 

“Compete ao médico, dentro de uma ambiência onde não existe uma evidência científica forte, com a sua autonomia milenar para prescrever medicamentos”, disse Marcelo Queiroga.

 
  1. Reunião do comitê de combate à pandemia

 

Um ano após o país começar a enfrentar a pandemia, no dia 24 de março, o presidente se reuniu com governadores e chefes de Poderes para discuitr medidas de combate ao coronavírus. Como resultado da reunião, Jair Bolsonaro anunciou a criação do comitê de combate à pandemia e mais uma vez deu ênfase ao “tratamento precoce”, mesmo não sendo recomendado por especialistas por não ter respaldo científico.

 
  1. Alta de mortes ignorada e “tratamento precoce” exaltado
     

Em 3 de março, o Brasil registrava record do número de mortes diárias na pandemia, até então, foram 1.910 óbitos por Covid-19 naquele dia. Em sua live que aconteceu no dia seguinte, deixando de lado isso, Bolsonaro afirmou que os médicos deveriam ter liberdade para escolher o tratamento a ser feito complementando a leitura de uma notícia sobre o Ministério Público de Goiás.

 

“Através de observação dele, tais medicamentos têm dado um sinal de atender a doença, no caso a COVID-19. É um direito do médico fazer isso”, disse o presidente.  

 

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