23/04/2021 às 11h24min - Atualizada em 23/04/2021 às 11h19min

A literatura como sinônimo de alento

Os livros e as palavras no seu mais profundo sentimentalismo

Larissa Bispo - Editado por Gustavo Henrique Araújo
Foto/Reprodução: Google

 

“Eu vivo em dois mundos, um deles é o mundo dos livros."

Essa é a frase que a leitora voraz Rory Gilmore, personagem da série Gilmore Girls (2000-2007), diz em seu discurso de formatura. Alguém pode achar loucura, outros problemático, mas eu digo: “Rory Gilmore, você nos representa”.

Engraçado pensar que o paralelo entre o mundo real e o fictício sempre se confundiram, caminhando nessa linha tênue que se encontra o escapismo e a identificação. Difícil saber o fim dessa linha, ou se, de fato, existem um fim, mas a verdade é que só quem mergulha em um livro sabe que essa imersão transcende qualquer conceito ou explicação, muitas vezes até razão.

Então, se abstém de explicações, por que eu deveria tentar escrever sobre?

Não sei. Mas gosto de livros e de palavras. Porque gosto de histórias contadas. E elas são, no meu humilde achismo, uma das maiores fontes de inspiração. Não apenas sobre o que há dentro das páginas, mundos de conforto com choques de realidade, mas também o que envolve a afetividade fora dele. Como Isabela me confidenciou: “Minha relação com livros começou quando eu ainda era muito nova, influenciada principalmente pela minha avó, que era professora. Ela me ensinou a amar os livros, a cuidar deles e também me ensinou a importância de contar e guardar histórias."

Não exatamente muito nova ou influenciada, como Isabela, mas, na minha pré-adolescência, eu me lembro de quando mergulhei pela primeira vez em um livro. “O meu pé de laranja lima”, uma obra nacional que contava sobre uma realidade tão diferente da minha. Tenho poucas memórias sobre o livro, mas guardo os lampejos dos meus momentos com o livro nas mãos, aquela lembrança afetiva, sentada na cama, correndo os olhos por cada página e, logo depois, contando a história para minha mãe. Ela, nenhuma leitura assídua, mergulhou no livro, porque de forma alguma eu pude guardar a história apenas para mim.

Literatura é esse rio de possibilidades com nascentes de imaginação. Mas, acima de tudo, literatura é alento – dentro e fora. Quando falo sobre as consequências da leitura para alguém, sempre menciono que ela nos ensina a entender sentimentos, criar entendimentos e empatia para a nossa realidade. Entretanto, ela tem um caminho ainda mais simplista: nos momentos em que a vida real bate à porta incansavelmente com seus ruídos, os livros estão além; são um ponto de fuga para um mergulho de conforto e paz que, acredite, permite o melhor dos fôlegos dentro de um mar de imprevisíveis ondas mágicas.

E quem pode julgar uma fuga para longe do caos?

Você não me pediu, mas aqui vai um conselho: jogue sua âncora, meu amigo, porque nesse mergulho você pode ser o destemido, o justo, o herói, e por que não o vilão? Você pode ser irreverente, aventureiro e corajoso; talvez ser quantas versões você quiser em apenas uma única página e sem sair do lugar.

Porque a literatura permite ser um pouco de tudo. É sobre não estar sozinho; afinal, ela é o diálogo, as palavras que conversam, dançam e viajam levando conforto, aquele abraço que encoraja e acolhe. É um novo tipo de visão para enxergar outras visões; ainda, é a sabedoria, como bem me disse Isabela: “(...) não ler significa não expandir a consciência."

Talvez nada disso faça sentido para você. E, bem, não tem problema. Algumas coisas só fazem sentido quando, de fato, compreendemos.

Quando andei de bicicleta pela primeira vez, sem as famigeradas rodinhas, nunca mais esqueci como manter o equilíbrio. E quando li meu primeiro livro, nunca mais esqueci como é mergulhar nele. Por quê? É simples... eu estou sempre com um pé lá.


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