30/04/2021 às 15h56min - Atualizada em 30/04/2021 às 15h48min

Na linha de frente: a importância do fisioterapeuta em tempos de pandemia

Com a Covid-19, a profissão está sendo reconhecida em sua perspectiva essencial, mas dificuldades históricas ainda se mostram presentes

Dara Russo - Editado por Maria Paula Ramos
Helena Jankovičová


  A Fisioterapia é uma ciência ancestral, já presente nos primórdios da humanidade, mas só nasce como profissão em meados do século XX após as duas grandes guerras. Para reinserir na sociedade as inúmeras pessoas que sofreram graves lesões nos campos de batalha, surge uma abordagem de reabilitação que se desenvolveu e evoluiu ao longo dos anos. Desde então, o fisioterapeuta sempre esteve presente nos hospitais, pois é quem lida com a parte cinética-funcional de todos os órgãos e sistemas humanos. Hoje, com a pandemia de covid-19, é notável o aumento da relevância, do reconhecimento e da valorização do profissional da fisioterapia e dos fisioterapeutas enquanto profissionais da linha de frente.
 
O artigo 1º da resolução 501 de 26 de dezembro de 2018 reconhece e recomenda a atuação do fisioterapeuta na assistência à Saúde nas Unidades de Emergência e Urgência. Isso significa que um profissional da área sempre está presente no internamento hospitalar, que se faz necessário para salvar a vida do paciente. Porém, o próprio internamento causa condições e disfunções próprias à ele. E neste sentido, “a fisioterapia visa a melhora de função respiratória e periférica”, explica Djacyr Viana, Fisioterapeuta especialista em Terapia Intensiva e Coordenador do departamento de Urgência e Emergência da ASSOBRAFIR (Associação Brasileira de Fisioterapia Cardiorrespiratória e Fisioterapia em Terapia Intensiva).

Atuação no combate à Covid-19

 “Sabe-se que após 20 dias de internamento, com restrição plena ao leito, submetido a ventilação mecânica e sedativos, o paciente pode desenvolver uma condição de imobilismo que trará repercussões e incapacidades durante 5 anos após a alta”, completa Viana. Agora, com o colapso do sistema de saúde provocado pela pandemia, emergências e UPAS estão lotadas, tornando- se verdadeiras UTIS, por isso é ainda mais indispensável a presença de um fisioterapeuta para atenuar estas condições. “As principais atribuições deste profissional neste ambiente são evitar os efeitos deletérios da restrição ao leito e reduzir a necessidade ou o tempo de ventilação mecânica”, afirma.
 
Por tudo isso, os fisioterapeutas, assim como médicos e enfermeiros, são considerados profissionais da linha de frente no combate ao coronavírus. Sua função exige contato direto com os pacientes, e lida com as secreções e os aerossóis das vias aéreas, os quais são a principal forma de transmissão do coronavírus. “No Brasil a intubação é um processo privativo do médico, no entanto, o mesmo não realiza este procedimento sozinho e é auxiliado pela equipe multiprofissional”, explica Viana. Então, na maioria das vezes, de forma prática, o fisioterapeuta participa do processo de intubação, principalmente gerenciando a ventilação mecânica.

Fisioterapia respiratória e aumento do reconhecimento da profissão

 
Uma especialidade da profissão tem recebido ainda mais destaque na mídia e na sociedade: a fisioterapia respiratória. Viana, que também é coordenador da pós graduação em fisioterapia Hospitalar e Respiratória do CEFAPP (Centro de Formação, Pós-graduação e Pesquisa em Saúde) explica que o destaque dado à fisioterapia respiratória nesta época é mais do que necessário, pois a Covid-19 é uma condição inflamatória com grande potencial de debilitar e incapacitar os pacientes. Ele também pontua os preceitos básicos da especialidade e seus benefícios para um paciente infectado pelo vírus: “será necessário avaliar e/ou melhorar a força dos músculos da respiração, devolver a capacidade cardiovascular e aeróbica dos músculos periféricos, para que este paciente consiga desenvolver suas atividades de vida diária e ser devolvido à sua rotina”.

  É em meio à pandemia que a importância desses profissionais se evidencia, assim como o reconhecimento de suas atribuições. Para muitos indivíduos, a fisioterapia estava ligada apenas ao âmbito motor e muscular e a profissão se via reduzida à reabilitação e massagens. Devido a esse fato, Viana ressalta as dificuldades históricas da profissão em relação à inserção destes profissionais de forma integral nos hospitais, além de sua desvalorização financeira quando comparada a outros profissionais da saúde. 
 
“É importante que a população entenda, que mesmo após a pandemia acabar (e torcemos diariamente para isto), que temos uma infinidade de condições e doenças que necessitam e se beneficiam de fisioterapia”, reitera o fisioterapeuta. “E é esta população que tem de apoiar estes profissionais e cobrar os gestores da saúde, seja pública ou privada, a ofertar a melhor quantidade e a melhor qualidade possível de fisioterapia”, completa. 

 

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