31/05/2019 às 23h03min - Atualizada em 31/05/2019 às 23h03min

Entenda o porquê das mortes no Monte Everest

Ao menos 11 pessoas morreram no mês de maio no Monte Everest, maior montanha do mundo

Daiana Pereira - Editado por Thalia Oliveira
Fotografia: Revista Época
No último sábado, dia 25, foi noticiado que algumas pessoas morreram durante a escalada na maior montanha do mundo, o Monte Everest, o qual se localiza ao longo da fronteira da China e o Nepal. O número foi confirmado posteriormente, que atingiu ao todo, 11 mortes, que consequentemente coloca essa temporada como a mais fatal de todas.

O que surpreendeu o mundo foram as fotos tiradas por alpinistas, as quais mostravam uma fila enorme de pessoas querendo chegar ao topo.

Subir o Monte Everest, 8.848 metros acima do nível do mar, é um desafio para muitos indivíduos, que pode custar, além de valores altíssimos a serem pagos, a vida dos alpinistas. Portanto, para se aventurar na escalada é necessário muito preparo físico, psicológico e estar com a saúde em dia, ponto que não foi verificado pelo Nepal ao liberar permissões para as subidas. Devido a esse descuido, pessoas preparadas e despreparadas subiram na mesma temporada, que gerou grandes filas e mortes de alguns.

Alpinistas relatam que a subida foi uma questão de sobrevivência individual. Cada um cuidava de seus mantimentos e nada era cedido para os que necessitavam, como água e oxigênio. O espaço para tantas pessoas, também foi decisivo para as vidas que ali estavam. Há menção de mortes terem sido causadas por escorregões e quedas, devido à superlotação.

Segundo Sebastian Alvarado, professor de geografia do cursinho Anglo, devido ao fato do Monte Everest ser o mais alto do planeta terra, as temperaturas são as mais baixas possíveis e “isso se dá por uma questão adiabática da nossa atmosfera”, ou seja, não ocorre trocas de calor no ambiente.

Além das questões climáticas, o alpinista deve enfrentar o ar rarefeito, “menos moléculas de oxigênio, por espaço, por área naquele local”, explica Sebastian. Devido a essas questões geográficas, é imprescindível o uso de mantimentos pelo alpinista, “principalmente mantimentos voltados a cilindros de oxigênio para poder abastecer o oxigênio necessário para o corpo humano”, afirma o professor.

Até mesmo aqueles que são experientes em escaladas foram pegos de surpresa, tendo oxigênio insuficiente em seus cilindros durante as filas. De acordo com uma publicação nas redes sociais do curso Anglo, a professora de Biologia, Fernanda , explica que as baixas concentrações de oxigênio e as altas atitudes levam a condições extremas. Ela salienta que biologicamente o corpo busca se adequar a aquele clima, “normalmente o corpo tenta se ajustar a essa condição produzindo mais hemácias”, além de manter o equilíbrio ao enfrentar o aumento da pressão, porém, as longas esperas podem afetar drasticamente a saúde.

Doença da altitude ou mal da montanha

O mal da montanha é causado pelo deslocamento para locais com grandes altitudes e com uma velocidade que não permita que o corpo iguale os níveis de oxigênio. Segundo o Centro de Informação em Saúde para Viajantes, Cives, da UFRJ, a manifestação da doença começa a surgir a partir de uma altitude de 1.500 metros, por meio de náuseas, dor de cabeça, tontura e exaustão.

A partir de 2.500 metros o ar já cai para 71%, comparando com o ar disponível na altura do mar. Nesse momento, sensores no cérebro começam a detectar baixos níveis de oxigênio no sangue, e o corpo começa a compensar, por meio da frequência respiratória e cardíaca. A Cives aponta que nessa fase “quadros potencialmente fatais de Edema Cerebral ou pulmonar” podem surgir.

Aquecimento Global

Os alpinistas que subiram esse ano no Monte Everest encontraram não só os riscos naturais da escalada, mas cuidados com corpos mortos enterrados na neve. Relatos de alpinistas demonstram um cenário obscuro ao escalar o pico, o qual possui mais de 100 mortos que não foram removidos, devido ao perigo da montanha.

O Aquecimento Global causa o derretimento do pico e deixa aparente corpos, ossos e crânios dos mortos no local. Além disso, a ponta do Monte Everest está cada vez mais lisa com o derretimento da neve, o que deixa o percurso mais perigoso do que já é atualmente.
 
 
 
 

 
 

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