23/05/2021 às 00h00min - Atualizada em 23/05/2021 às 00h01min

PIB e inflação têm previsão de crescimento para 2021

Entenda como a pandemia e a vacinação lenta influenciam esse aumento

Giovanna Toledo - Editado por Júlio Sousa
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De acordo com dados do Monitor do Produto Interno Bruto (PIB), divulgados dia 17 de maio pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), a atividade econômica brasileira cresceu 1,7% no primeiro trimestre de 2021, em relação ao quarto trimestre de 2020. Neste sentido, o Boletim Macrofiscal de Maio, publicado pelo Ministério da Economia, relata que a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) aumentou de 3,2% para 3,5% em 2021.

 

Esta projeção, feita por parte do Banco Central, do Ministério da Economia e diversos órgãos do setor financeiro, aconteceu devido ao recuo da economia desde o início da pandemia. Matheus Albergaria, professor de economia da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuaria da Universidade de São Paulo (FEA-USP), explica que em economias capitalistas de mercado, como a brasileira, é natural uma recuperação do nível de atividade econômica após um período de contração. Isso porque existe o que os economistas chamam de ciclo de negócios, onde a economia: 

 

“Apresenta períodos de expansão e ao mesmo tempo períodos de contração. Como nos últimos tempos temos notado um período de contração, é de se esperar agora, uma projeção de crescimento em algum momento”.

 

Além disso, segundo o Boletim Focus do Banco Central, a projeção da inflação aumentou  de 5,01% para 5,04% para 2021. Esse aumento já era esperado, dado que o crescimento dos níveis de atividade econômica tem uma capacidade limite, a qual, atingido os 100%, os economistas chamam de “Nível de Pleno Emprego”. O professor Matheus Albergaria, elucida que ao se aproximar desse limite é possível verificar o aumento médio do índice de preços ao consumidor, como o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) ou o IGP DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna). Isso acontece porque com a economia crescendo, os preços também crescem.

 

“Isso está relacionado a uma curva que os economistas chamam de curva de oferta agregada, que é uma curva, em termos gráficos, positivamente inclinada. Basicamente, essa curva sugere que em termos agregados, a produção e os preços agregados caminham juntos, tanto subindo quanto descendo”, completa. 

 

Entretanto, o aumento dos preços não se deu apenas por esse movimento, notou-se também, a inflação em diversos itens essenciais dos padrões de consumo das famílias brasileiras, como alimentos, por exemplo arroz e carne. Albergaria esclarece que: “esses itens que compõem a cesta de consumo da grande maioria das famílias brasileiras, acabam ajudando a puxar a inflação para cima”. Ademais, existe o choque adverso de oferta, que acontece quando a curva de oferta agregada contrai e faz com que os preços tendam a subir.

 

As consequências da inflação alta são, quase sempre, adversas. Uma vez que as pessoas perdem um pouco a noção do que os preços de mercado significam, pois a inflação acaba desgastando o caráter informacional deles. Para explicar, o professor Matheus Albergaria usa uma analogia entre os preços e o sinal de trânsito. “Em um contexto de inflação alta, é como um sinal de trânsito parasse de funcionar. Então, as decisões das famílias e das empresas na economia, passam a ser muito menos embasadas nesses importantes sinais econômicos, que são os preços, e passam a ser muito mais confusas e em última instância, menos eficientes”. 

 

De acordo com Matheus Albergaria, os economistas acreditam que pelo menos no curto prazo, período de três meses a um ano, parece existir uma relação entre o produto e a inflação. Já no longo prazo, entre cinco a cinquenta anos, há um consenso de que não existe mais uma relação entre eles. “Ou seja, parece que no longo prazo, a economia tende para um nível natural, o que a gente chama de nível de pleno emprego ou alternativamente, a taxa natural de desemprego, e logo, deixa de ter esse “trade off'', essa troca entre inflação e produto”, finaliza.

 

Para a maioria dos economistas, as campanhas de vacinação têm claras e sérias consequências econômicas. Matheus Albergaria afirma que: “Enquanto nós não tivermos uma campanha de vacinação mais agressiva no país, continuaremos tendo custos enormes em termos econômicos”. A pandemia e a vacinação em passos lentos tem dois tipos de custos. "Os custos econômicos associados aos prejuízos, às falências e as demissões ocorridas desde o início, e por outro lado, um custo também econômico mas agora, em termos das vidas perdidas”, explica o professor.

 

Este segundo exemplo é atribuído por economistas ao valor monetário à vida. Embora não tenha uma magnitude precisa sobre ele, é possível pensar na capacidade produtiva do que uma pessoa que morre hoje, aos 32 anos, faria se tivesse vivido até os 82. Albergaria destaca que, as mais de 440 mil mortes devido à pandemia implicam em mais custos econômicos: “Se for considerado a possibilidade de mensurarmos o custo da vida, de cada vida perdida, como uma magnitude expressa em unidades monetárias, isso vai tornar o custo da pandemia ainda maior”.

 

Para concluir, o professor reitera que há um claro descompasso existente entre o ritmo da campanha de vacinação no brasil e a evolução da pandemia como um todo. Ele exemplifica que é como se as campanhas de vacinação estivessem andando de bicicleta, mas o vírus está andando de avião. “Dificilmente, as campanhas de vacinação andando de bicicleta, conseguirão acompanhar o vírus, que é um avião a jato. Precisamos de campanhas mais agressivas de vacinação. Porque as consequências econômicas, em termos de vidas perdidas, são claras e contundentes”.

 


 

Hamilton Ferrari. Mercado aumenta projeção da inflação para 5,04% em 2021. Poder 360. 03/05/2021. Disponível em: https://www.poder360.com.br/economia/mercado-aumenta-projecao-da-inflacao-para-504-em-2021/#:~:text=O%20mercado%20financeiro%20aumentou%20de,do%20BC%20(Banco%20Central). Acesso em 20/05/2021.

ECONOMIA: Projeção de crescimento do PIB em 2021 passa de 3,2% para 3,5%. Sistema Ocepar. 19/05/2021. Disponível em: http://www.paranacooperativo.coop.br/ppc/index.php/sistema-ocepar/comunicacao/2011-12-07-11-06-29/ultimas-noticias/134482-economia-projecao-de-crescimento-do-pib-em-2021-passa-de-32-para-35. Acesso em: 20/05/2021.

Akemi Nitahara. FGV: atividade econômica cresceu 1,7% no 1° trimestre. Agência Brasil. 17/05/2021. Disponível em:

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2021-05/fgv-atividade-economica-cresceu-17-no-1o-trimestre#:~:text=Em%20valores%2C%20a%20estimativa%20para,foi%20de%20R%24%202%2C113%20trilh%C3%B5es. Acesso em: 20/05/2021.

 


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