29/05/2021 às 10h01min - Atualizada em 29/05/2021 às 09h58min

História do Chelsea com a Champions começa antes de qualquer outro time inglês - Parte 1

O time foi impedido de disputar a Champions na primeira edição do torneio, em 1955 e hoje se prepara para sua terceira final

Wagner Gabriel Batista Maciel - labdicasjornalismo.com
Jogadores e comissão técnica do Chelsea FC nos anos 50 - Colorsport

Finalista da atual edição da Champions League contra o Manchester City,  o Chelsea vem escrevendo sua história no futebol desde 1905, quando a equipe começou a disputar a segunda divisão do campeonato inglês, atual Championship. Porém, a relação dos Blues com a Champions se iniciou logo no primeiro ano da competição, em 1955, mas não ocorreu da maneira como todo torcedor espera. A competição foi vista pela Football Association (Associação de Futebol), como uma distração das ligas nacionais. Desta maneira, a instituição vetou de forma rápida a participação do Chelsea, relata o historiador Rick Glanvill. Com essa decisão, a vaga do Chelsea foi passada para o Gwardia Varsóvia, da Polônia.

A estreia na Champions League, edição 99-00

Somente após 44 anos, os Blues voltaram para a maior competição de clubes do mundo. A ideia que se tinha sobre a Champions em seu primeiro ano já não era mais a mesma que a FA possuía no passado. A competição se tornou almejada pelos clubes de toda a Europa, devido ao nível de competitividade que havia entre os integrantes. Entretanto, enquanto o Chelsea estreava na competição, alguns ingleses já haviam participado e vencido a competição. O primeiro participante da terra da rainha foi o Manchester United, em 1957. Na época, a FA tentou vetar a ida do United à competição, mas o treinador, Matt Busby, não deu importância para a decisão da entidade  e seguiu adiante. Dez anos depois, os Red Devils foram campeões, liderados por Bobby Charlton e George Best, na edição 67-68. No período em questão, apenas os campeões do Campeonato inglês iam para a competição. 

Os rivais Liverpool, Nottingham Forest e Aston Villa também já haviam levantado a taça, sendo os Reds tetracampeões nos anos 80. Entretanto, uma mudança ocorreu após a tragédia de Heysel, em 1985. No ano em questão, Liverpool e Juventus se enfrentavam na final da Champions. Os Hooligans, parte da torcida do Liverpool conhecida por vandalismo e brigas em estádios da Inglaterra, estavam em peso para a decisão. Em um conflito entre torcedores, mais de 39 acabaram mortos e mais de 600 feridos, em sua maioria italianos. A partir desse acontecimento, os clubes ingleses ficaram cinco temporadas fora de competições europeias, e, o principal envolvido, Liverpool, seis edições.

Passados os anos da punição, a equipe do Chelsea vivia momentos de vitória desde a chegada do craque holandês, Rudd Gullit. Na temporada 1996-97, o camisa 4 liderou o time como jogador-treinador a um sexto lugar no Campeonato Inglês, melhor colocação desde 1990. Após sua saída, Vialli assumiu a equipe, também como jogador-treinador, e venceu dois títulos em dois meses: a Copa da Liga e a Recopa europeia. Mesmo com um plantel competitivo, os Blues ficaram em terceiro na Premier League, indo para a repescagem da Champions. Arsenal e Manchester Utd se classificaram diretamente para a fase de grupos.

A trajetória dos blues: fase de grupos 

Após vencer o Skonto na fase classificatória para a Liga, por 3 a 0, com gols de Babayaro, Poyet e Sutton, o time recebeu uma vaga no grupo G, juntamente com Milan, Galatasaray e Hertha Berlin. A primeira partida foi contra o experiente Milan, que contava com grandes jogadores como Maldini, Gattuso e Shevchenko. A partida terminou em 0 a 0. Na segunda rodada, o time inglês foi até a Alemanha enfrentar o Hertha Berlim, que venceu por 2 a 1, com Ali Daei balançando as redes duas vezes. Ao fim da segunda rodada, os Blues estavam com apenas um ponto. O oponente do terceiro confronto,  Galatasaray, buscava uma vitória na Inglaterra, mas não conseguiu, graças a um gol de Dan Petrescu, que marcou aos dez minutos do segundo tempo. Nessa partida, o goleiro campeão mundial com a seleção brasileira, Cláudio Taffarel, do time turco, foi expulso após tentar segurar a bola fora da área com as mãos. 

Na quarta rodada, o Chelsea viajou até a Turquia e atropelou o time do ausente Taffarel por 5 a 0, com gols de Zola, T. André Flo, Wise e Ambrosetti, assumindo a segunda colocação atrás do time alemão. Seis dias depois, o time de Zola e companhia empatou com o Milan, que somava apenas cinco pontos em quatro jogos. O duelo terminou empatado em 1 a 1. A última rodada acabou com uma vingança do time inglês sobre o Hertha: 2 a 0 e a primeira colocação no grupo. Juntamente com o líder, o Hertha foi para as oitavas. O Galatasaray foi para a UEFA Europa League e o Milan se despediu da competição em último lugar.

Segunda fase de grupos: classificação decidida na última rodada

Os 16 classificados eram encaixados em quatro grupos, com quatro equipes em cada. O Chelsea caiu juntamente de Lazio, Feyenoord e Olympique de Marseille. A primeira rodada foi contra o Feyenoord, em Stamford Bridge, acabando em 3 a 1 para os donos da casa. Logo depois, um empate em 0 a 0 com a Lazio, que deixou os dois times com quatro pontos. Após o empate, os Blues viajaram para a França para enfrentar o Marseille pelo terceiro jogo. A partida terminou com vitória para os franceses, por 1 a 0. As equipes se reencontraram na quarta rodada, que terminou, dessa vez, com uma vitória por 1 a 0 do Chelsea, com gol de Wise.  O quinto duelo, contra o time Feyenoord, em Roterdã, acabou em 3 a 1 para os ingleses. Por fim, a equipe azul, ainda treinada por Vialli, perdeu para a Lazio por 2 a 1, mas conseguiu a classificação, pois o Marseille empatou com o Feyenoord. Os azuis de londres passaram com 10, pontos, atrás da Lazio, com 11. 

Quartas de final: um até breve à competição

Com o chaveamento definido, os londrinos teriam pela frente o Barcelona, que havia sido campeão em 1992, com Ronald Koeman como capitão. O time catalão contava com Rivaldo, que veio a ser melhor do mundo naquele ano, Luís Figo e Patrick Kluivert como seus principais craques, além de Guardiola, Xavi e Puyol. O Chelsea não se intimidou com os Culés, aplicando um 3 a 1 memorável em Stamford Bridge. Por terem feito um gol fora de casa, o Barça precisava ganhar por 2 a 0 para garantir sua passagem para a semi. No jogo de volta, no estádio Camp Nou, o Chelsea teve de se defender diante da equipe Catalã, treinada por Louis Van Gaal. 
 

A partida se iniciou e,  aos 24 minutos de jogo, em uma falta próxima a meia-lua, Rivaldo bateu e abriu o placar para os mandantes, graças a um desvio na barreira. Figo ampliou a vantagem aos 45 minutos, mas Tore André Flo diminuiu para os Blues aos 60, após uma saída errada de bola do goleiro culé. O Chelsea se defendia da pressão do Barça, mas, aos 83 minutos, o time de Rivaldo empatou o jogo com Dani Garcia, quebrando a vantagem dos londrinos. Antes do apito final Rivaldo teve a chance de matar o jogo com um pênalti, mas desperdiçou a oportunidade chutando para fora. O brasileiro teve outra cobrança, na prorrogação do jogo, e não desperdiçou, colocando seu time na vantagem. Kluivert terminou a remontada marcando o quinto do Barça e despedindo os Blues com a derrota. Ali terminava a primeira participação do Chelsea na Liga dos Campeões.

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