06/06/2021 às 18h37min - Atualizada em 05/06/2021 às 20h29min

Editora Pipoca e Nanquim e o fenômeno Chabouté

A sensibilidade única nas HQs do francês lançadas no Brasil através da editora, que deixa sua marca pela qualidade gráfica

Amanda Santos - Editado por Ana Terra

A editora Pipoca e Nanquim ganhou destaque no mercado editorial brasileiro de HQs (histórias em quadrinhos) devido à qualidade de seus materiais e à interatividade única que estabelece com seu público. Criada por Bruno Zago, Daniel Lopes e Alexandre Callari em 2017, é originada do trabalho feito pelos três amigos no canal do Youtube, que recebe o mesmo nome, onde compartilham o que amam em comum. Essa comunidade foi a peça-chave para o sucesso do projeto, que em pouco tempo já garantiu o Troféu HQ Mix de Editora do Ano, por três anos consecutivos. 

 

A essência de transmitir a alegria que os quadrinhos dão aos três, informada no site oficial da editora, é sem dúvida impressa em cada lançamento e faz ser o principal motivo de tanto envolvimento com os consumidores. Com uma curadoria de peso, buscam trazer ao máximo em seu catálogo histórias e nomes que merecem ser reconhecidos pelo território nacional, dando holofotes até mesmo a quadrinistas brasileiros já esquecidos. 

Debutando no mundo dos quadrinhos através da obra de Esteban Maroto, com Espadas e Bruxas, deixaram estampado que poderíamos esperar da editora um trabalho magnífico, com projetos feitos de fã para fã, de colecionador para colecionador e que hoje acumula diversos selos, dentre eles, o selo Drago dedicado à mangás.

 

Para que vocês conheçam melhor o trabalho único da Pipoca e Nanquim, trouxemos um giro de indicações com um dos maiores sucessos da editora: as HQs do quadrinista francês Christophe Chabouté

 

O quadrinista
 

Christophe Chabouté até então era um quadrinista desconhecido no Brasil e sua revelação pela editora foi sem dúvida uma aposta grandiosa, valendo cada centavo. Francês, nascido em 1967, deixa registrado em suas obras um poder único de sensibilidade. Seus traços apresentam histórias de pura contemplação, com momentos que te fazem mergulhar a fundo no enredo.

Aparecendo pela primeira vez na coletânea Les récits em 1993, baseada na obra de Arthur Rimbaud, já teve seu nome consagrado nas suas duas publicações posteriores em 1998 chamadas, Sorciéres e Quelques jours d’été. Divulgado inicialmente pela editora Glénat, é tido hoje como um dos maiores artistas europeus da atualidade, e passou a ser uma aquisição de lei para todo amante de HQs ter em sua estante. A lágrima é certeira em cada leitura. 

 

Moby Dick

 

Dando nome ao terceiro lançamento da editora Pipoca e Nanquim em 2017, essa HQ do Chabouté é uma adaptação gráfica do texto original do clássico literário de Herman Melville, Moby Dick, lançado em 1851. Em 256 páginas, acompanhamos a saga do capitão Ahab e sua tripulação devota na caça a um cachalote branco assassino, através da narração de Ismael. 

 

Com um traço arrebatador, é possível sentir em cada expressão dos personagens e em cada transição do preto e branco, a profundidade de uma história agoniante e da passagem do tempo em pleno alto mar. A edição no Brasil ganhou o Troféu HQMix 2017 nas categorias Adaptação para os Quadrinhos e Edição Especial Estrangeira, e faz o leitor ter diversas interpretações, entre elas como dito em um dos vídeos do canal, a questão de quem de fato é a fera do mar nessa história.


Um pedaço de madeira e aço (Un peu de bois et d’acier)

Lançada em 2018 no Brasil, Chabouté retrata a vida em mais de 300 páginas com uma narrativa sem balões. Difícil imaginar que isso pode ser real, não? O quadrinista consegue fazer isso com uma maestria de tirar o fôlego. Explorando mais uma vez o preto e branco, a história apresenta o cotidiano de uma comunidade através de um único objeto: um banco de praça

 

Apesar de não ser um objeto pensante, conseguimos criar afeição pelo mesmo, ao vermos suas mudanças e a evolução das pessoas que por ele passam. Funcionando como um tipo de palco, é possível ver das mais simples a intensas histórias vividas pelos transeuntes .
 

Solitário (Tout Seul)

 

Mais uma vez a editora PN trás Chabouté em 2019, dessa vez com uma HQ que tem como premissa um homem solitário que vive em um farol em cima de uma rocha no meio do mar. Mantendo a tradição de seus pais, vive em profunda solidão desde que nasceu. A 50 anos afastado de tudo e de todos, a narrativa vai mostrando como o eremita sobrevive em seu mundo recluso, onde há pouco a que se agarrar, até que um acontecimento é capaz de mudar todo o rumo de sua vida futura.

Henri Désiré Landru

 

Por último nessa lista, o lançamento de 2020, trás a história em quadrinhos de Henri Désiré Landru. O primeiro e mais famoso serial killer da França, julgado por matar 10 mulheres na época e conhecido também por Barba Azul no século XX. Ainda que uma história brutal e violenta, em 148 páginas, Chabouté soube tratar muito bem a história, aproveitando ao máximo os momentos de tensão sem explicitar a violência em seu desenho.

Apenas com essas obras, é possível ver que a editora cumpre sua missão de entregar o melhor ao fã colecionador, com lançamentos fiéis à expectativa. São do tipo de quadrinhos que você tem orgulho de ter na estante. Relíquias que podem ser relidas inúmeras vezes.

REFERÊNCIAS:
Nanquim, Pipoca e. PIPOCA E NANQUIM. Disponível em: <https://pipocaenanquim.com.br/>. Acesso em: 05 de jun. de 2021.
Zago,B; Lopes, D; Callari, A. Montamos uma EDITORA do ZERO! Ficou pronta! | Saga da Editora #07. PIPOCA E NANQUIM. Disponível em: <https://pipocaenanquim.com.br/video/montamos-uma-editora-do-zero-ficou-pronta-saga-da-editora-07/>. Acesso em: 05 de jun. de 2021.

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