06/06/2021 às 14h42min - Atualizada em 06/06/2021 às 14h09min

Falta de chuva afeta cinco Estados

Acendeu um alerta de emergência hídrica, e isso causará o aumento na conta de luz

Marina Miano Cardoso - Editado por Maria Paula Ramos
Seca em hidrelétricas nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Créditos: Edson Silva/Folhapress.

O comitê do governo emitiu um alerta, em 28/05, sobre a falta de chuva que atinge cinco Estados brasileiros - Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pará -, no decorrer de junho a setembro. Por causa disso, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) adotou a bandeira tarifária vermelha, patamar 2 neste mês. 

 

Em abril, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) divulgou dados que apontam menores volumes de chuvas em 91 anos nas hidrelétricas do país, entre setembro de 2020 e março de 2021, isso é decorrente de fatores ambientais e humanos. 

 

De acordo com Pedro Jacobi, professor do Instituto de Energia e Ambiente (IEE/USP), trata-se de um fenômeno conhecido como La Niña, que está ligado ao resfriamento das temperaturas das águas do Oceano Pacífico, mudanças nos ventos, na pressão e nas chuvas. 

 

“No Brasil, provoca estiagem nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e principalmente Sul. No Nordeste e na Região Amazônica são verificados aumentos na intensidade das estações chuvosas, podendo até mesmo justificar cheias mais expressivas de alguns rios amazônicos e de enchentes mais vigorosas no litoral nordestino”, explica. 

 

Jacobi também alerta: “Todos os fenômenos climáticos de origem natural agora ocorrem no contexto de mudança climática produzida pela atividade humana, que provoca o aumento das temperaturas mundiais e intensifica os fenômenos meteorológicos extremos”. 

 

Por mais que ainda tenhamos alguns dias chuvosos, eles se mantêm abaixo da média e a previsão para o meses entre junho e setembro é de mais redução. Um dos fatores para isso, também, são as consequências do desmatamento da Amazônia. 

 

“Que altera os padrões de chuva, o que resseca e aquece ainda mais a floresta. Embora o Brasil tenha uma situação privilegiada no que diz respeito aos recursos hídricos, o ciclo da água no país depende da floresta amazônica e, devido ao desmatamento e a diminuição das áreas verdes, o bioma já produz efeitos problemáticos no regime de chuvas”, diz Pedro Jacobi

 

Aumento na conta de luz 

 

Em nota, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) comunicou, em 28/05, que a conta de luz ficará mais cara em junho, com um custo adicional de R$ 6,243 para cada 100 kWh consumido. 

 

Aneel explicou que no mês de maio já começou a estação de seca nas principais hidrográficas do Sistema Interligado Nacional (SIN). Por causa disso, este mês os reservatórios apresentam níveis mais baixos que o normal para esta época do ano desde 2015, com impacto na redução de geração de energia nas usinas hidrelétricas e aumento nas termelétricas (produzida a partir da queima de combustíveis). 

 

Outros caminhos 

 

A energia produzida pelas hidrelétricas representa praticamente 60%, e são dependentes do volume de chuva para não ter dificuldade. 

 

“Quando há falta de água nos reservatórios isso resultará em racionamento de energia, apagões, falta de água para abastecimento das populações e outros problemas em relação aos outros usos da água”, explica Ana Paula Fracalanza, Doutora e professora no Instituto de Energia e Ambiente (IEE/USP). 

 

Um outro caminho seria diversificar as matrizes energéticas. “A energia solar é um tema avançado, mas ainda é produzida em menor escalda”, aponta Pedro Jacobi. Na região Norte tem-se a  energia eólica, que representa apenas 18% do total no país. 

 

O Brasil precisa buscar outras soluções para não ser tão dependente dos períodos de chuvas, assim ajudaria a  evitar o aumento na conta de luz da população e o racionamento.

 

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