11/06/2021 às 13h41min - Atualizada em 11/06/2021 às 12h58min

Montadoras apostam na produção e venda de veículos 100% elétricos nos próximos anos

No Brasil, a mudança no cenário automotivo implica em diversos desafios

Isabella Baliana - Editado por Manoel Paulo
Freepik


O futuro é elétrico e ele está mais próximo do que alguns pensam. Em pronunciamento no início de junho, a Fiat, uma das marcas do Grupo Stellantis, um dos maiores fabricantes de automóveis do mundo, revelou que, a partir de 2025, os carros movidos a combustão não serão mais produzidos pela montadora, sendo gradualmente substituídos pelos elétricos. A marca ainda adianta que a partir de 2030, os modelos produzidos e vendidos serão 100% movidos a eletricidade. 

 

Para o CEO mundial da Fiat, Olivier François, além de ter em vista as tendências ecológicas do mercado automotivo, a mudança se propõe a trazer preços mais acessíveis, já que estes modelos são geralmente conhecidos por terem valores altos. “É nosso dever colocar no mercado carros elétricos que não custem mais do que veículos com motor de combustão interna, assim que pudermos, alinhados com a redução dos custos de suas baterias. Estamos explorando o território da mobilidade sustentável para todos: este é o nosso maior projeto”, disse.

 

No continente europeu, a Ford noticiou que pretende transformar seu catálogo e passar a oferecer apenas veículos elétricos ou híbridos a partir de 2026. Já a alemã Volkswagen anunciou uma nova linha de veículos elétricos chamada de ID e já informou que a partir de 2030 irá oferecer apenas automóveis movidos por baterias. 

 

No caminho da eletrificação, outras montadoras também já se pronunciaram em relação ao Brasil, confirmando a venda de novos modelos, como é o caso da Audi, BMW, Porsche, Renault e Volvo, sendo que esta última comunicou em maio que todos os modelos da marca vendidos no país serão apenas híbridos ou elétricos, tirando de seu portfólio todos os modelos convencionais. Fiat e Peugeot também entram na disputa, com a vinda do novo Fiat 500 e do Peugeot 208 e-GT, ambos 100% elétricos, que chegam ao mercado brasileiro ainda este ano. 

 

Entretanto, no Brasil, a mudança no cenário da mobilidade automotiva causa divergências. Ao mesmo tempo que acentua inovações tecnológicas na área e promove uma forma de locomoção mais sustentável, sem a emissão de gases poluentes, também encontra grandes desafios na adaptação para a realidade brasileira, principalmente nas lacunas das desigualdades sociais e econômicas. 

 

Segundo a ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), apesar de 2021 ter tido o melhor quadrimestre de vendas, com 7290 veículos novos emplacados de janeiro a abril,  o mercado dos veículos movidos a bateria ainda tem muito o que enfrentar. Atualmente, ainda há 45 mil carros elétricos em circulação no território brasileiro, o que representa apenas 1% do total. No ano passado, os licenciamentos da categoria, mesmo levando em consideração as versões híbridas, também não passaram de 1%. 

 

Um dos motivos da pequena porcentagem pode ser explicado pela questão financeira, já que grande parcela da população brasileira não tem acesso a esses veículos com preços majoritariamente elevados. O novo Fiat 500, por exemplo, chega em agosto e terá valor superior a R$ 200 mil. Em outros casos, os consumidores também podem se desanimar pela falta de infraestrutura para o carregamento. Para funcionarem, os carros elétricos utilizam eletropostos para recarregarem energia às baterias, o que ocorre por meio de um plugue. No Brasil, de acordo com o relatório da PNME (Plataforma Nacional de Mobilidade Elétrica), há cerca de 500 eletropostos espalhados em rodovias, shoppings e postos de combustíveis, quase que totalmente concentrados no eixo sul-sudeste. 

 

Para o vice-presidente da ABVE e executivo da Toyota, Thiago Sugahara, outra questão importante para o desenvolvimento dos elétricos se concentra em equiparar as alíquotas de IPI (imposto sobre produtos industrializados) dos veículos a combustão às dos veículos eletrificados. “Por que quase a metade dos veículos a combustão paga 7% de IPI, enquanto a maioria dos eletrificados paga em média 11%, ou mais, mesmo sendo muito mais eficientes e menos poluentes?", questionou. Em concordância, o presidente da ABVE, Adalberto Maluf, enxerga que o Brasil ainda tem de avançar em políticas tributárias de apoio à eletromobilidade e nos incentivos não tributários à mobilidade sustentável e reconhece que "ainda há muito a fazer”.

 

Em meio a tantas perspectivas sobre o futuro dos automóveis elétricos no país, o secretário-geral da PNME, Marcus Regis, afirma que o desafio não deve ser enfrentado apenas com soluções técnicas. É preciso analisar e buscar estratégias que sejam viáveis à realidade brasileira, levando em conta as necessidades de desenvolvimento tecnológico, social e ambiental. “Não uma mobilidade elétrica meramente copiada de modelos já bem sucedidos em outras partes do mundo, mas uma que use destas experiências para construir propostas pensadas aqui mesmo, por nós e para nós”, declarou.

 
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