13/06/2021 às 13h06min - Atualizada em 13/06/2021 às 13h06min

Os símbolos de luta racial em Pantera Negra

Heitor Luna - Editado por Ana Terra
O Universo Cinematográfico da Marvel Studios já se consagrou com um dos maiores feitos da história do cinema, uma saga de mais de 20 filmes integrados. Começando em 2008 com Homem de Ferro de Jon Favreau, chegando até obras recordistas de bilheteria como Vingadores Ultimato, todos estes dentro do gênero do super-herói, porém com alguns diferenciais entre si.

O diretor Ryan Coogler já tinha realizado o drama biográfico Fruitvale Station, obra protagonizada por Michael B Jordan que contava o famoso caso de Oscar Grant, um homem negro assassinado na virada do ano novo em Nova York por um policial branco. Após o mesmo, o diretor ficou encarregado de revitalizar e trazer para a nova geração a tão famosa saga do garanhão italiano, Rocky Balboa. Novamente estrelado por Michael B Jordan, o filme homenageia o legado e constrói um novo caminho a seguir. Ambas as obras carregam junto de si algo muito presente do diretor, a luta racial. Porém nenhuma de suas obras reverberou tanto seu discurso como seu filme de 2018, Pantera Negra
 
Fonte: Marvel Studios

Fonte: Marvel Studios


 O décimo oitavo filme da Marvel Studios marcou presença em ser o primeiro filme protagonizado por um herói negro, especialmente se tratando do Pantera Negra. O herói foi criado em 1966 por Stan Lee e Jack Kirby, e teve sua estreia nos quadrinhos na edição Fantastic Four #52. O longa-metragem de Ryan Coogler conta a história de T’Challa (Chadwik Boseman) voltando para casa como rei de Wakanda, mas se deparando com sua soberania confrontada por um adversário de longa data.
 
Seu adversário é Erik Killmonger (Michael B Jordan), um homem esquecido de Wakanda e excluído da vida dentro dos Estados Unidos. O personagem é a representação do jovem negro de periferia, acaba perdendo seus pais muito cedo, e interioriza uma raiva desse sistema racista que o oprime diariamente. E como muitos sabem, a raiva resulta em luta. Porém, mesmo a causa mais justa, às vezes pode ter os meios errados.
 
Enquanto Killmonger retrata o jovem enraizado com raiva. T’Challa carrega com si o desejo da paz a base da não violência. Ele defende a ideia de mudarmos a cabeça daquele que nos oprime de uma forma pacífica, com diálogos. Será que essas duas ideologias confrontadas não são familiares? Sim, elas são. T’Challa e Killmonger fazem um espelho perfeito de Martin Luther King Jr e Malcolm X, respectivamente.

Fonte: Marvel Studios

Fonte: Marvel Studios


Martin/T’Challa busca a paz e o fim da opressão racial de forma não violenta, ambos tiveram determinadas boas condições que os levaram a ter o diálogo como uma opção viável para conflitos. T’Challa é o príncipe de Wakanda e Luther King era filho de um reverendo de uma classe média. Por outro lado, Killmonger teve seu pai assassinato ainda quando criança, assim como Malcolm X. Ambos cresceram na beira do ódio integral daquilo que os causava dor diariamente. O racismo, a violência, a pobreza, diversos fatores que levam um homem a completa indignação, resultando assim em atos de violência e desespero.

Killmonger e T’Challa buscavam o mesmo objetivo, a igualdade para os povos, porém com princípios distintos. Para o personagem de Michael B Jordan, a vida de dor o fazia ver tudo ao extremismo, ele procurava dominar todos aqueles que um dia ficaram acima dele sem qualquer receio. O rei de Wakanda já busca igualdade entre todos os povos. Pessoas e personagens movem suas vidas referente aos seus princípios, assim como Killmonger em sua morte:
“Me jogue no oceano com meus ancestrais que pularam dos navios. Porque eles sabiam que a morte era melhor do que a escravidão”.
Será que a violência do oprimido o torna o próprio opressor, ou certas situações necessitam de gritos ao invés de conversas? Questões como essas são levantadas dentro do filme que consegue com um êxito excepcional expor a importância racial e como essa luta ainda está longe de acabar. Mas seja através de atos pacíficos ou mais extremos, uma coisa é certa, a obra de Ryan Coogler faz um espelho extremamente real com nossa realidade e traz força a uma voz que já foi muito calada e que a cada dia chega a mais ouvidos.
 
Referências
Milaré, G. Malcolm X e Martin Luther King. Blog do QG, 2018. Disponível em: <https://blog.enem.com.br/malcolm-x-e-martin-luther-king/>. Acesso em: 12/06/2021
Wikipedia. Black Panther (filme). Wikipedia, 2018. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Black_Panther_(filme)>. Acesso em: 12/06/2021.
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