06/07/2021 às 10h23min - Atualizada em 05/07/2021 às 15h16min

A origem do movimento LGBTQIA+ e a constante busca por respeito

A Rebelião de Stonewall ocorrida em 1969 foi o marco inicial para a formação do movimento social

Mariana Siqueira - revisado por Jonathan Rosa
Bandeira que representa o Movimento LGBTQIA+ (Foto/ Reprodução: Observatório G-UOL)

O Dia do Orgulho LGBTQIA+, é comemorado em alguns países há 52 anos. O marco inicial para este movimento foi a chamada Rebelião de Stonewall, ocorrida em 26 de junho de 1969 no bairro de East Village em Nova York. Esse ato levou muitos membros da comunidade LGBTQIA+ às ruas para protestarem contra as violências policiais que ocorriam na época. Desde então, neste mesmo dia, é comemorado a resistência e as conquistas que a comunidade alcançou até hoje, além de ser uma data que celebra a diversidade e o amor.

O motivo da rebelião ser denominada assim, foi porque ela ocorreu em um bar chamado Stonewall Inn, conhecido por ser um lugar destinado principalmente à gays, lésbicas,travestis e drag queens da periferia ou que foram expulsos de casa. Isso porque até o ano de 1966 era proibido que gays se encontrassem em locais públicos na cidade de Nova York.

Os detalhes da rebelião de Stonewall 

Na década de 60, a polícia nova-iorquina já estava acostumada a fazer batidas policiais em estabelecimentos para garantir que eles estavam regularizados. Foi o que aconteceu na madrugada do dia 28 de junho de 1969, na hora que invadiram o bar Stonewall Inn alegando que o motivo seria a venda irregular de bebidas alcoólicas no local. Porém treze pessoas, dentre elas, travestis e drag queens, acabaram sendo levadas à força e com violência. 

Foi a partir deste momento, que a população que estava nos arredores percebeu o que estava acontecendo e começou a se revoltar com a atitude dos policiais. O episódio durou seis dias seguidos, e levou boa parte das pessoas da comunidade LGBTQIA + às ruas para manifestarem contra o preconceito e as represálias que sofriam.

Os resultados da rebelião já começaram a surgir logo após um ano do ocorrido, quando a primeira Parada Gay foi organizada, e uma multidão saiu do bar e caminhou até o Central Park carregando bandeiras e cartazes . Além disso, também surgiram as primeiras organizações destinadas à comunidade, como a Frente de Libertação Gay e a Aliança de Ativistas Gays.

Já em 2016, o então presidente Barack Obama anunciou que iria transformar a área onde o bar Stonewall Inn está localizado, em um monumento nacional aos direitos dos LGBTQIA+, e que serviria para sempre lembrar das manifestações que ocorreram naquele local.

O movimento no Brasil

No momento em que a Revolta de Stonewall ocorreu nos EUA, a Ditadura Militar (1964-1985), estava instaurada no Brasil em um dos seus piores momentos de censura e repressão. Isso fez com que o movimento tivesse mais dificuldade de ter força popular. Porém, pode-se destacar dois jornais que fizeram a diferença, o Lampião da Esquina e o ChanacomChana. 

O primeiro, era um jornal totalmente homessexual que surgiu na eṕoca da impresa alternativa e conseguiu circular de 1978 até 1981. Ele costumava trazer pautas importantes como denúncias de violências contra pessoas da comunidade LGBTQIA+, além de publicar e responder às cartas enviadas pelos leitores.

Já o segundo periódico, deu origem ao chamado “Stonewall brasileiro”, evento que ocorreu em 1983, depois que a venda do tablóide comercializado no Ferro 's Bar (local frequentado por lésbicas), foi proibida pelos donos do estabelecimento. Devido a isso, diversas mulheres lésbicas e ativistas foram protestar em frente ao bar contra a decisão, fazendo com que esse levante desse origem ao Dia do Orgulho Lésbico, comemorado em 19 de agosto.

Em meados da década de 80, a epidemia de HIV matou muitas pessoas da comunidade LGBTQIA+ aumentando ainda mais o preconceito já existente contra a comunidade. Levando pessoas a acreditarem que membros da comunidade fossem os únicos transmissores da doença que ganhou o infeliz apelido de “câncer gay”. Porém foi nesse mesmo momento que ocorreu uma visibilidade para esses grupos, e algumas organizações começaram a se interessar em ajudar e fazer parte do movimento. 

A realização da primeira edição da Parada Gay em São Paulo aconteceu no ano de 1997, e reuniu cerca de 2 mil pessoas na Avenida Paulista. Hoje em dia, o evento já faz parte do calendário oficial da cidade e todo ano traz um tema diferente para representar.

A luta continua

O movimento LGBTQIA+ já conseguiu alcançar diversas conquistas, como por exemplo: a proibição do termo homessexualismo, a retirada da homossexualidade da lista internacional de doenças da OMS, a utilização do termo orientação sexual ao invés de opção sexual, a inclusão da criminalização da homofobia e da transfobia, entre outras coisas.

No Brasil, a legalização da união civil e estável entre pessoas do mesmo sexo foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em 2011. Dois anos depois, o Conselho Nacional de Justiça permitiu que os cartórios registrassem o casamento entre casais homoafetivos.

Além disso, outras vitórias importantes foram a criação do Decreto nº 8.727/2016, que assegura a utilização de nome social, e o Provimento nº 73 do CNJ, que permite a mudança no registro civil para transexuais, travestis e transgêneras.

Mas apesar de somar diversas conquistas, o movimento LGBTQIA+ ainda enfrenta várias dificuldades, principalmente no Brasil. O país foi considerado, pelo 12º ano consecutivo, o país que mais mata transexuais. Segundo os grupos GGB (Grupo Gay da Bahia) e Acontece Arte e Política LGBTI+, nos últimos vinte anos mais de cinco mil pessoas da comunidade morreram, fazendo com que a luta continue sendo diária para a construção de uma sociedade igualitária e livre de preconceitos.


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