07/01/2022 às 15h45min - Atualizada em 12/07/2021 às 23h46min

X-Men o Filme: 21 anos da franquia que abriu as portas para os super-heróis no cinema

O legado dos mutantes reflete até os dias de hoje nos super-heróis das telas

Jonathan Rosa - Editado por João Martinez sob a supervisão de Fernanda Simplicio
A 21 anos estreava nos cinemas o filme X-men o Filme. (Foto: Reprodução/ 20th Century Fox)

Há 22 anos atrás, o primeiro filme da franquia X-Men alavancou o status das histórias de quadrinhos com super-heróis adaptadas para o cinema. Até então, filmes com essa temática não eram nada populares, principalmente por serem cercados de estereótipos, personagens rasos e exagerados, e falta de investimento. Como “faltava” público interessado, os grandes estúdios agiam de forma experimental com os personagens. 

Mas com a chegada do novo milênio (2000) tudo parecia ter mudado, inclusive a forma de se fazer cinemas. Pouco tempo antes o público ficava pasmo com a estreia de Matrix, das irmãs Wachowski. O filme havia levado o conceito dos filmes de sci-fi para outro nível, com seus closes de câmera nunca antes vistos e roupas em couro preto. Mas em 14 de julho do primeiro ano do século 21, X-Men o Filme chega ao público para dar um pontapé inicial no gênero de super equipe nos cinemas.

Marcando a história da indústria cinematográfica e servindo de combustível para a necessária mudança de mentalidade que vinha sendo postergada a muito tempo, a obra dirigida por Bryan Singer foi um marco para o gênero. Portanto, mesmo quem não é muito fã dos mutantes, deve reconhecer que este primeiro filme foi de imensa importância para que outras produções focadas em super-heróis pudessem surgir, inclusive os agora famosos Vingadores do UCM

Por mais que não ocupe o lugar de primeiro “filme de super-heróis”, e carregue o peso de uma franquia marcada por constantes altos e baixos, X-Men o Filme conseguiu dar um importante passo para o cinema blockbuster. Ainda que o Superman estrelado por Christopher Reeve, tenha sido um marco para os nerds dos anos 70, infelizmente ele não foi capaz de provocar nenhuma disruptura significativa para o gênero nas telonas. 

Já o Batman teve o caminho manchado pelas galhofas de Joel Schumacher nos anos 90 antes de chegar nas mãos de Christopher Nolan 5 anos depois de X-Men o Filme. É importante lembrar que o filme Blade - O Caçador de Vampiros lançado em 1998, assim como o já citado Matrix, fizeram importantes contribuições para alguns elementos do primeiro longa dos mutantes.

O curioso é que os filmes de heróis começaram a fazer sucesso na contra mão de sua mídia mãe, isso pois nos anos 90 o cinema estava em alta, já o mercado de quadrinhos de super-heróis estava passando por uma grave crise. A solução para tentar arrecadar alguma coisa foi levar os heróis dos gibis para as telas, mas as tentativas de adaptação para o cinema e para a TV feitas pelas editoras, não foram muito bem recebidas.

Como resultado, a Marvel Comics abriu processo de falência no final da década, e se viu obrigada a “dividir” sua antiga mina de ouro. A Casa das Ideias vendeu os direitos cinematográficos de seus personagens mais populares para diversos estúdios. Assim, em 1994, a então 20th Century Fox obteve os direitos sobre os mutantes nos cinemas, levou junto o Quarteto Fantástico, Demolidor e Motoqueiro Fantasma. A Sony ficou com o Homem-Aranha, e a força da Universal arrematou o Hulk.

Uma vez que possuía os direitos dos filhos do átomo em mãos, a Fox logo virou o jogo para os super seres no cinema. Ao contrário das tentativas anteriores, o filme seria o primeiro a trazer uma equipe de heróis para tela ao invés de apenas um, marcando mais um ponto deste legado.

Com um orçamento de 75 milhões e muitas especulações negativas dos especialistas em cinema, X-Men surgiria para agradar quem realmente importa, os fãs, e de quebra conquistou parte da crítica também. Adotando um ar mais realista para os heróis, a produção da Fox, deixou de lado o colorido dos quadrinhos e bebeu da estética punk de Matrix, dando um tom mais natural para um público pouco acostumado com os trajes originalmente amarelos da super equipe.

Essa mudança foi feita de forma estratégica, se aproveitando do hippie da época sem deixar de lado as principais características dos protagonistas. Apresentando ao grande público seres que apesar de poderosos, carregam suas próprias questões pessoais, enfrentam dilemas éticos e cometem erros. Assim a carga dramática e realista aproximou o público dos mutantes, e a ação regada a efeitos especiais facilitou a aceitação desse novo estilo de filme.

Com uma narrativa coesa, protagonistas muito bem escritos e um vilão sem a intenção de dominar o mundo, mas sim de provar seu ponto de vista, X-Men o Filme conquistou o público e arrecadou 296,3 milhões de dólares ao redor do mundo. Com uma nota de 7,4 no IMDb e 82% de aprovação no Rotten Tomatoes, o sucesso do filme foi suficiente para garantir uma sequência, e o mais importante, dar fôlego para uma onda de produções baseadas em quadrinhos de super-heróis nos cinemas.

O longa foi responsável por estabelecer um olhar respeitoso para HQs absorvendo o que de melhor se tem das páginas e homenageando o produto original nos pontos que realmente importam. Ao utilizar arcos clássicos dos quadrinhos, focando nos personagens e transportadas suas características para a tela, o filme carrega um tom agradável tanto para fãs da obra clássica quanto para o público em geral.

Outro ponto de grande importância para a relevância do filme foi a escolha do elenco. Os atores imergiram em seus personagens tão cuidadosamente, que ficaram eternizados nestes papéis. Ainda hoje, é muito difícil pensar em outro ator para dar vida ao Wolverine sem ser Hugh Jackman, que recebeu um certificado do Guinness World Records por ser o ator que passou mais tempo interpretando um mesmo super-herói da Marvel nos cinemas. E quem não se identifica totalmente com Patrick Stewart como professor X, ou Ian McKellen interpretando o vilão Magneto.

O sucesso de X-Men garantiu que outros estúdios, e mesmo a Fox, percebessem que o gênero de super-heróis ainda tinha muito a oferecer, dando o pontapé inicial para produções, como: Homem-Aranha, Demolidor, Watchmen, Elektra, Hulk, Quarteto Fantástico, Mulher-Gato, Superman: O Retorno, o já citado reboot do Batman de Nolan e muitos outros. Esses longas, assim como a continuação da franquia dos Mutantes, foram moldando o gênero nos cinemas e abrindo um espaço confortável para criação da Marvel Studios, que observou e lapidou os acertos e erros desses filmes.

Como resultado, muitos destes universos se popularizaram e expandiram, dando aos filmes de super-heróis um status importante.  A Fox aprofundou ainda mais o universo dos filhos do átomo, abrindo portas para produções com faixa etária acima de 18 anos como: Deadpool (2016) que subverteu o gênero trazendo tons de humor ácido e violência; e Logan (2017), reconhecido como um dos melhores filmes individuais de personagens dos quadrinhos, além de receber uma indicação ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, a primeira de um filme de super-heróis.

Porém, após inúmeros problemas nos bastidores e uma lista de ideias ruins envolvendo os mutantes, o estúdio resolveu lançar um último filme: X-Men Fênix Negra de 2019, que também não representa o legado que o precede. Naquele instante, ficou claro que os Filhos do Átomo mereciam mesmo um descanso, já que foram muitos anos trilhando sua história no cinema, brilhando, tropeçando e se reinventando. E no meio disso a Disney (que já detinha os direitos da Marvel) comprou a divisão cinematográfica da Fox em uma transação bilionária.

Apesar da franquia ter visto seu fim de forma amarga, o legado deixado pelos X-Men para o cinema de super-herói tem um saldo bastante positivo, e vários desses filmes merecem ser lembrados com carinho. Além disso, uma nova era de glória para os mutantes pode estar mais perto do que se imagina, graças a Marvel Studios o sonho de ver os X-Men interagindo com outros super-heróis da casa das ideias parece cada vez mais real.

O chefão da Marvel Studios Kevin Feige, já adiantou que os mutantes devem aparecer antes do que muita gente espera, e vale destacar que Ryan Reynolds já foi confirmado para voltar como Deadpool no MCU. Tudo indica que a franquia passará por um reboot na Disney, tendo os integrantes dos X-Men aparecendo aos poucos para somente depois se tornarem uma equipe, de maneira semelhante ao que aconteceu com os Vingadores, mas desfrutando de todo legado que vem sendo trilhado desde 2000.

REFERÊNCIAS:  

FONTES, R. X-Men: O Filme – 20 anos e o seu legado. LEGIÃO JOVEM. 14 de jul. de 2020. Disponível em: <https://www.legiaojovem.com.br/x-men-o-filme-20-anos-e-o-seu-legado/> Acesso em: 09 de jul. de 2021.

LIRA, E. Qual o Legado da Franquia X-men? LEGIÃO DOS HERÓIS. 10 de jul. de 2019.  Disponível em: <https://www.legiaodosherois.com.br/2019/qual-o-legado-da-franquia-x-men.html> Acesso em: 09 de jul. de 2021.

PEREIRA, E. Hugh Jackman posta arte de Wolverine e foto com Kevin Feige no Instagram. OMELETE. 05 de jul. 2021. Disponível em: <https://www.omelete.com.br/wolverine/hugh-jackman-arte-wolverine-kevin-feige> Acesso em: 09 de jul. de 2021.

SALIM, N. Kevin Feige comenta sobre os rumores da escalação de um novo Wolverine. UNIVERSO X-MEN. 14de jan. de 2021. Disponível em: <https://universoxmen.com.br/2021/01/kevin-feige-rumores-escalacao-wolverine/> Acesso em: 09 de jul. de 2021.

YUGE, C. Conheça os bastidores que explicam os altos e baixos dos X-Men no cinema. CANALTECH. 22 de nov. de 2020. Disponível em: <https://canaltech.com.br/cinema/conheca-os-bastidores-que-explicam-os-altos-e-baixos-dos-x-men-no-cinema-174840/> Acesso em: 09 de jul. de 2021.


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