18/07/2021 às 12h23min - Atualizada em 18/07/2021 às 12h23min

Resenha | Viúva Negra

Filme da espiã erra e acerta em uma aventura esquecível

Heitor Luna - Editado por Ana Terra
Divulgação: Marvel Studios
O Universo Cinematográfico da Marvel começou em 2008 com Homem de Ferro e hoje se encontra com 23 filmes em sua trajetória. Entre filme solos e de equipe, todos sempre se propuseram em contar histórias dos personagens amados dos quadrinhos e apresentar um novo caminho a trilhar. Em Homem de Ferro 2 de 2010, fomos apresentados a Viúva Negra, interpretada por Scarlett Johansson, a primeira vingadora.
 
Viúva Negra é uma personagem renomada nas HQs e se consolidou na Marvel Studios como uma das maiores figuras de todas. Após atrasos devidos à pandemia do Covid-19 e do próprio estúdio, a heroína finalmente recebeu seu filme solo. Mas afinal, diante de toda sua importância e expectativa, a obra entrega o que os fãs queriam?
 
Para responder essa pergunta, devemos separar o público em dois grupos. Aqueles que buscam uma aventura fechada, que aprofunde a personagem e se foque em sua própria história. E aqueles que buscam conexões maiores, caminhos para as próximas obras da nova fase Marvel.
 
Se você se encontra no segundo grupo, assista apenas a cena pós-créditos. Contudo, se você se identifica com o primeiro grupo, Viúva Negra entrega o que muitos queriam. Ou pelo menos, parte disso.
 
O longa-metragem da diretora Cate Shortland se passa logo após os eventos de Guerra Civil e trabalha com um enredo a respeito do passado de Natasha Romannof, englobando sua família e o treinamento da Sala Vermelha.
 
Nitidamente este filme é atrasado não apenas em tempo, mas em conceito dentro da Marvel Studios. A obra apesar de sair em 2021 e dar os primeiros passos da Fase 4, lembra muito um filme da fase 2 com problemas que a própria Marvel parecia já ter superado em suas obras.
 
Reprodução: Marvel Studios

Reprodução: Marvel Studios


Viúva Negra tem problemas sim, porém muitos acertos também. Um destaque para Scarlett Johansson e Florence Pugh, que interpreta a irmã de Natasha no longa. Florence demonstra um talento e carisma páreo ao nível de Scarlet, protagonizando ao lado da mesma as melhores cenas do filme. A importância da personagem de Yelena cresce ao longo do filme, ficando ainda mais nítido o intuito da "passada de bastão". Entretanto, David Harbour e Rachel Weisz entregam uma boa atuação em personagens vazios, que só existem dentre do filme para movimentar a trama ou gerar cenas de humor.
 
O primeiro ato se mostra o melhor, estabelecendo um clima "Jason Bourne" com diálogos e cenas bem cruas, tornando tudo mais real enquanto acompanha as irmãs assassinas, é algo bem diferente do que estamos acostumados no gênero de herói.
 
No segundo ato, a relação entre os personagens fica mais frágil ao introduzirem a temática da família, que antes estava sendo muito bem trabalhado entre as irmãs e falha ao inserir a figura paterna e materna.
 
O filme trabalha questões muito fortes como abuso e controle em cima da mulher, principalmente quando o antagonista principal entra em cena e usa "gadgets" para suas subordinadas fazerem seus desejos.
 
Reprodução: Marvel Studios

Reprodução: Marvel Studios


Porém, essa discussão acaba sendo rasa e sem aprofundamento, tornando tudo muito superficial, como se a discussão só foi colocada por colocar. O longa gasta seu tempo em questões sem necessidade quando poderia elevar suas discussões com verdadeira importância. Outro aspecto superficial é seu vilão Treinador, que não passa de um artifício para (poucas) boas cenas de ação.
 
Viúva Negra aprofunda a personagem, mas ainda deixa o gosto amargo de uma despedida não tão boa quanto a sua personagem principal.


REFERÊNCIAS:
VIÚVA Negra. Direção de Cate Shortland. Estados Unidos: Marvel Studios, 2021. Disney+ (2h 15min).

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