18/07/2021 às 21h30min - Atualizada em 18/07/2021 às 21h08min

AmarElo: É Tudo pra Ontem

Emicida resgata a história da população negra em novo trabalho audiovisual

Letícia Pessôa - Editado por Talyta Brito
Reprodução/Netflix
Pense rápido e cite duas grandes personalidades ou figuras históricas da sociedade brasileira. Alguma delas é negra?
 
O constante apagamento da história da população negra é perpetuado quando o ensino sobre sua ancestralidade é contado sobre o ponto de vista de pessoas brancas e que por muitas vezes não reconhecem que a dívida histórica com o povo negro está longe de ser reparada.
 
Tomando posse da narrativa de sua própria história, o rapper Emicida transformou o álbum AmarElo lançado em 2019 em um documentário intitulado AmarElo: É Tudo pra Ontem (Netflix/2020), no qual reverencia grandes nomes da cultura negra e reflete sobre os motivos que colaboraram para que essas personalidades não chegassem ao conhecimento popular e conquistassem o reconhecimento merecido:
 
“O filme funciona como uma grande provocação. Ele faz a gente se perguntar: por que essas informações [sobre figuras negras] não chegaram até nós? Porque, se elas chegassem, nossa concepção a respeito do que é o nosso país seria completamente diferente.”
 
No palco do Theatro Municipal, Emicida vai além de contar a história de seus antepassados, o músico abre espaço para que a população negra ocupe um lugar muitas vezes inacessível para eles. Além da valorização dos encontros e da diversidade, na música título o rapper faz ecoar as vozes de Pabllo Vittar e Majur, abrindo espaço para a nova geração e enaltecendo a voz eterna de Belchior.  


 Além de entender o processo por trás do projeto, é mostrado também a contribuição negra no surgimento de diferentes ritmos musicais e luta dos movimentos coletivos que foram abrindo espaço na sociedade para a população negra.
 
Antes de qualquer coisa, AmarElo fala sobre união e a luta coletiva em busca de espaços na sociedade para os mais diversos povos, raças e classes sociais. Nos leva a entender como a história foi contada e refletir sobre como queremos contá-la daqui para frente.
 
Nascendo no momento mais crítico de nossa sociedade, o documentário nos traz a convicção que em meio a toda incerteza que vivenciamos o verso de Principia (Emicida feat. Fabiana Cozza, Pastor Henrique Vieira e Pastoras do Rosário) é um lema para vida: “tudo que nóiz tem é nóiz”


O show AmarElo - Ao Vivo também está disponível na Netlix.



 

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