21/08/2021 às 01h25min - Atualizada em 21/08/2021 às 01h12min

Programa fomenta liderança feminina na inovação científica e tecnológica

Projeto voltado para pesquisadoras brasileiras é gratuito e aceita inscrições até dia 22

Isabella Baliana - Editado por Manoel Paulo
Foto: Reprodução/Agência Brasil

Promovida pelo Museu do Amanhã em parceria com o instituto cultural British Council, a Terceira Edição do programa “Mulheres na Ciência e Inovação” acontece de setembro a outubro de 2021 e tem como público-alvo pesquisadoras brasileiras que atuam nas áreas STEM – sigla em inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática. As inscrições estão abertas até o dia 22 de agosto e podem ser feitas via site do museu

 

O programa, que tem por objetivo desenvolver e ampliar a liderança das mulheres nas inovações de base científica e/ou tecnológica, é composto de sete encontros virtuais, nos quais as cientistas selecionadas terão acesso a temas relacionados à inovação, empreendedorismo, gênero e ciência. 

 

Para participar da 3ª edição do projeto, as candidatas devem cursar no mínimo graduação, desejar empreender e ter uma proposta de produto ou uma ideia inovadora de base científica e/ou tecnológica, de preferência voltada ao público feminino. No total são 200 vagas oferecidas, com reserva para pesquisadoras negras, indígenas, quilombolas e LGBTQIAP+. 

 

No panorama brasileiro, embora atualmente as diferenças de gênero em determinadas áreas acadêmicas e na produção científica estejam sendo gradualmente reduzidas, os números mostram que ainda há muito o que fazer. Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Educação e Cultura Científica (UNESCO), apenas 30% das estudantes que ingressam na universidade escolhem carreiras relacionadas à ciência, tecnologia, engenharia e matemática. 

 

Além disso, de acordo com o relatório Elsevier intitulado “A jornada do pesquisador através de lentes de gênero”, que analisou a participação em pesquisas, progressão na carreira e percepções em 26 áreas temáticas de toda a União Europeia e em 15 países, incluindo o Brasil, as mulheres, apesar de serem maioria em diversas áreas, como bioquímica, enfermagem, medicina, neurociência e imunologia, têm a menor porcentagem de publicações internacionalmente, em comparação com os homens.

 

Em conjunto, todos esses fatores revelam um cenário desigual em que se faz cada vez mais necessária a utilização de políticas favoráveis, campanhas educacionais e estímulos financeiros e educacionais na promoção da visibilidade e valorização, ao exemplo do programa de formação desenvolvido pelo Museu do Amanhã. 

 

A pesquisadora do Centro de Pesquisa em Ciência, Tecnologia e Sociedade do Ipea, Fernanda De Negri, ressalta a importância da discussão do tema na promoção de ambientes científicos mais igualitários. “Superar a invisibilidade das mulheres é um desafio diário para todas e cada uma de nós, especialmente em áreas como a ciência, onde sua carreira depende de ser reconhecida por suas contribuições intelectuais ao seu campo”, diz.

 

Da mesma forma, Maria Arminda do Nascimento Arruda, socióloga e coordenadora do Escritório USP Mulheres, destaca em entrevista ao portal da Universidade que a presença feminina também possibilita a abertura de novas perspectivas para questões sociais distintas e complexas, tão visíveis na sociedade hoje. “A mulher cientista tem um enorme compromisso com o mundo, com a ruptura da desigualdade; este é um lugar a partir do qual ela pensa todas as outras desigualdades”, afirma. 

 


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