27/08/2021 às 17h33min - Atualizada em 27/08/2021 às 17h13min

Quando você percorre os storys do Instagram, se identifica com aquilo que está vendo?

Sabemos que a pauta Instagram x Realidade pode estar saturada, mas é importante nos atentarmos a algumas coisas dessa rede social que está tão inserida na nossa vida, principalmente pra quem é heavy user.

Beatriz Gonçalves Da Silva - Editado por Larissa Bispo
Foto: Reprodução/Cia Web Sites

“Eu comecei a perceber que muito do que eu via ali não fazia sentido pra mim, não era semelhante a nada que eu vivia, e isso fez com que eu me questionasse sobre o que eu estava consumindo.”  Rafaela, 23, é vendedora em uma loja de roupas e mora na região da Zona Leste com sua mãe e a irmã mais nova. Elas se sustentam com um valor de R$2900,00 por mês, que é a soma do salário de Rafaela mais o de sua mãe, que ainda não se aposentou e trabalha como costureira em uma oficina de costura em seu bairro.

 

Rafaela conta que passou a perceber que dos influenciadores que ela seguia no Instagram, nenhum vivia uma vida semelhante a sua. Assim, ela não se sentia representada pelas ideias e estilo de vida deles, pois era algo mais voltado para quem tem uma outra vida financeira e que se sustenta apenas através da rede social, ou seja, sem carteira assinada e que está sempre viajando, aparentemente sem problemas pessoais e muito felizes.
 

Empenhada em reverter a situação, a vendedora passou a procurar perfis que lhe passassem uma maior representatividade, influenciadores que vivam uma vida parecida com a dela e expusessem além dos ‘recebidos’, como os perrengues da vida real. 

 

Quando falamos sobre representatividade, estamos falando também sobre inclusão e vice-versa. Trazer para projetos publicitários do Instagram, por exemplo, pessoas que não fazem parte da bolha da classe A, é uma forma de incluir as outras milhares de pessoas que não fazem parte da elite brasileira, gerando representatividade para aqueles que consomem esse conteúdo. Mas, além das publicidades, o público tem optado cada vez mais por ter acesso a vida real dos influenciadores, como uma forma de buscarem identificação com aquela vida que acompanham diariamente. 

 

A elite brasileira, famosa classe A da qual muitos influenciadores fazem parte, representa apenas 6% da população brasileira, pensando em classe social e econômica. Já a classe média e baixa, representam cada uma 47% da população. A partir desses dados é importante se questionar: para quem o conteúdo é produzido? E qual é o intuito desse conteúdo? 

 

Pensando nisso, temos aqui uma lista com @ para vocês acompanharem. A seleção é repleta de diversidade e traz influenciadores que se preocupam em mostrar um lado menos glamourizado da vida no Instagram, se aproximando da realidade de mais da metade da população brasileira:

 

@anapaulaxongani

 

Ana é uma mulher negra poderosa, mãe, empreendedora, apresentadora, colunista na Universa-UOL e influenciadora digital. 

Em seu perfil, encontramos confissões reais de uma mãe que reserva um tempo no banheiro para fugir um pouco da filha e marido, discursos sobre empoderamento e auto aceitação.

 

@nathfinancas

 

Com uma linguagem bem simples e muito carisma, a Nath Finanças dá um show quando se trata de falar sobre dinheiro - e algumas outras coisinhas. Formada em administração, ela vem ganhando o público ensinando sobre educação financeira. Além disso, a administradora, podcaster e escritora sempre levanta pautas importantes e se posiciona em assuntos que são importantes para a população, mas que muitas vezes não são de conhecimento de todos. A criadora de conteúdo compartilha dicas super válidas e importantes para os jovens e toda a população cuidar melhor de seu dinheiro suado. 

 

@blogueiradebaixarenda

 

Com uma história de superação, Nathaly Dias encanta o público vivendo sua vida real. Um certo dia percebeu que não se identificava com as influenciadoras que seguia e resolveu transformar a influência em algo real. Foi aí que iniciou os vídeos que são o maior sucesso desde o ínicio. Neles, ela compartilha sua rotina, perrengues, conquistas, compartilha ensinamentos e, claro, faz umas ‘publis’. 

 

@chavosodausp

 

Thiago Torres já deixou mencionado na bio do Instagram: “Da Brasilândia pro mundo”. O jovem de 21 anos é estudante de ciências sociais na USP e utiliza o Instagram e Youtube para compartilhar o conhecimento adquirido na sala de aula, além de levantar pautas importantes em seus storys e publicações. Com uma linguagem mais informal, o estudante segue conquistando jovens e oferecendo acesso ao conhecimento que por vezes não chega a muitas pessoas. 

 

@yarlei



 

Com muito humor, Yarlei Ara, 20, conta com mais de 5 milhões de seguidores no Instagram e começou seu sucesso com vídeos de sua irmã mais nova, que vinha sofrendo bullying na escola. Sempre de maneira descontraída, o influenciador trata de assuntos do cotidiano com um toque de comédia e seriedade.  

 

Se nos atentarmos aos detalhes, o que esses criadores de conteúdo têm em comum é que, apesar das ‘publis’ e patrocínios, eles tentam ao máximo trazer o real ao seu conteúdo, a vida linda e feliz de um influenciador e também a rotina corrida, as dificuldades, medos e inseguranças de um ser humano normal, de carne e osso, e não apenas o digital que é identificado através de um @. 

 

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