04/09/2021 às 14h07min - Atualizada em 04/09/2021 às 11h40min

O Aquecimento Global no Brasil, provocará queda na produção agrícola e desequilíbrio de CO²

Levantamento aponta que quase 190 mil km da Floresta Amazônica foram queimadas entre 2001 e 2021, apontando riscos para regiões brasileiras

Rafaela Moreira - Editado por Ynara Mattos
Pesquisa Científica Revista In Nature, Estudo liderado por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (INEP), Plano Estratégico Operacional de Atuação Integrada no Combate de incêndios Florestais, Agência Brasil.
Rede Brasil Atual
O planeta tem esquentado mais rápido do que  o previsto e sofrerá com eventos climáticos, como enchentes e ondas de calor. E se mudanças para haver o equilíbrio não for suficiente, também são esperados efeitos negativos na economia. As áreas afetadas pelo desmatamento estão emitindo mais carbono do que conseguem absorver, provocando desequilíbrio no ecossistema. Essas são apenas algumas das consequências do aquecimento global para as Américas do Sul e Central. Segundo o novo relatório do Painel Intergovernamental  sobre o clima na ONU (IPCC).

A região central do continente sofrerá fortes alterações, o aumento das secas em meados do século 21, afetará a produção agrícola, um dos principais motores da economia brasileira. Cenários com a maior frequência de incêndio e desertificação são também considerados de alta probabilidade. O número de focos de incêndios em regiões como Amazônia, Pantanal e Cerrado disparou. Em 2020, o Cerrado brasileiro, assim como o Pantanal, registraram as piores queimadas já captadas pelos satélites do Instituto Nacional de Pesquisa (INEP), órgão do Ministério da Ciência e tecnologia

O Cerrado desempenha um papel essencial no apoio ao ciclo de água no Brasil, já que é a fonte de oito das doze bacias hidrográficas do país. O desmatamento contínuo reduz as chuvas e aumenta as temperaturas locais, colocando também em risco a vegetação remanescente e a produção de alimentos. Em 2020, por exemplo, a estiagem atrapalhou o início do plantio de soja. Neste ano, o país ainda vive a estiagem histórica que coloca em risco o racionamento energético. Estamos diante da  escassez hídrica e produção de alimentos ficando cada vez mais caras.

 
A Amazônia se estende ao longo da Bacia Amazônica, a maior Bacia Hidrográfica do Mundo. O Brasil abriga 60% da floresta tropical. Cientistas identificaram que o ponto que a biodiversidade foi mais afetada está no Brasil, na região conhecida como o "Arco do Desmatamento" , uma área de 500 mil km  que vai do leste  ao sul do Pará, em direção ao oeste passando por Mato Grosso, Rondônia e Acre. O Arco do desmatamento é considerado como mais crítico, pois lá se encontra maior riqueza de especieis de plantas, maior área de desmatamento e maior frequência de incêndio. Pesquisadores vêm alertando sobre a relação direta entre desmatamento e fogo na amazônia. Formada por uma vegetação alta, úmida e densa. Os incêndios não são naturais no Bioma, mas causados pela ação humana, que usa o fogo como estratégica de 'limpeza' do solo  que foi desmatado para posteriormente ser usado na pecuária ou no plantio. É o chamado "ciclo do desmatamento da Amazônia". Concluem que uma área maior que a Inglaterra é queimada todos os anos no Brasil desde 1985. A Amazônia corresponde 59% do território brasileiro e engloba a área de oito Estados. Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantis e parte do Maranhão. Áreas da Floresta Amazônica afetadas pelo desmatamento estão emitindo mais carbono do que conseguem absorver. Essa é primeira vez que um estudo aponta a diminuição no potencial de absorção da floresta. 

No Brasil casos relacionados a queimadas e outros crimes ambientais na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal terão agora um planejamento específico que prevê a antecipação de ações. Lançado pelo Ministério de Justiça e Segurança Pública. O Plano estratégico operacional de atuação integrada no combate a Incêndios Florestais prevê a operação de guardiões do Bioma. A estratégia envolverá cerca de 6 mil profissionais na prevenção, repressão e investigação de ocorrências. As informações são da Agência Brasil. Bombeiros, policiais militares e Federais  são os órgãos envolvidos e de acordo com suas competências legais, vão monitorar e realizar ações efetivas nos locais onde há grande foco de incêndio, além de apurar crimes que possam estar sendo cometidos. Entre as ações previstas, destacam-se monitoramento e diagnóstico de riscos, reuniões com os Estados, elaboração, revisão e validação de planos, matrizes e protocolos integrados, além da avaliação de resultados para propor medidas corretivas e preventivas. No Pará Questionado sobre as medidas adotadas para o combate do desmatamento e das queimadas na região o Governo do Pará por meio da Secretária do meio Ambiente e Sustentabilidade (SESMA), declarou em nota que executa o plano da Amazônia Agora, composta por quatro pilares; ações de comando e controle, promoção do desenvolvimento socioeconõmico  de baixas emissões de GEE, financiamento climático e regularização ambiental e fundiária. A Meta e reduzir em 37% as emissões de GEE, sobre a recomposição florestal da área desmatada no Estado 3,24 milhões de hectares estão sendo recobertos por vegetação secundária, o propósito é alcançar uma área de 5,45 milhões de hectares. Acrescentou a nota.

Os desmatamentos na Amazônia e em outros biomas brasileiros, contribuem para o aquecimento do planeta e não beneficiam o país, seu povo e sua economia formal. A ciência e a história recente do país revelam que podemos produzir mais e melhor sem desmatar, e que os biomas são fundamentais para a agricultura e para garantir a segurança hídrica e energética de nossas cidades.

 

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