06/09/2021 às 07h09min - Atualizada em 06/09/2021 às 08h04min

A representatividade feminina, negra e LGBTQ+ em Star Trek

Muito importante para o universo geek, a franquia completa 55 anos desde o seu lançamento nesse mês

Mayra Cardozo - Editado por Fernanda Simplicio
Fonte: NBC e Desilu Productions / Reprodução: Google
No dia 8 de setembro, a série original de Star Trek completa 55 anos desde o lançamento do seu primeiro episódio, em 1966. A franquia, que conta com diversas produções até o momento, abordou vários temas importantes ao longo dos anos, entre eles o respeito à diversidade.

Muito elogiada ao longo dos anos por ser pioneira em várias questões ligadas à representatividade, a franquia mostra uma visão otimista do futuro, na qual a humanidade aprendeu a aceitar e apreciar a diversidade. Claro que Star Trek também errou na representatividade (ou na falta dela) algumas vezes, além de ter sofrido certas censuras, mas isso não impediu que Star Trek desse vários passos no caminho certo em relação à diversidade apresentada em suas histórias.

Assim, é importante que a franquia aprenda com seus erros e acertos, para que possa ter uma representatividade cada vez melhor. Isso porque, apesar de algumas pessoas questionarem isso, a diversidade em filmes, séries e outras produções é muito necessária. E essa importância da representatividade de mulheres, negros e pessoas LGBTQ+, entre outras minorias sociais, se mostra ainda mais em franquias como Star Trek, uma vez que a comunidade geek ainda é, em certos casos, bastante preconceituosa.

 
Veja alguns dos principais acertos e erros relacionados à representatividade de mulheres, negros e pessoas LGBTQ+ na franquia Star Trek:
 
Representatividade feminina

 
Nas várias produções de Star Trek, há diversas mulheres em posições de destaque, mostrando que elas podem ser o que quiserem – chefes de segurança, almirantes, embaixadoras, oficiais de ciência, capitãs, etc. E a melhor parte é que os outros personagens das séries não parecem questionar o porquê de elas estarem ali ou assumir que elas conseguiram essas posições por sua beleza. Assim, Star Trek mostra um futuro no qual esse tipo de questionamento em relação a mulheres no poder não acontece mais.

Essa representatividade feminina se mostrou ainda mais nas produções mais novas da franquia, sendo que nas mais antigas ainda havia alguns grandes erros em relação a isso. Mas vale lembrar que o episódio piloto da série original de Star Trek já tentou trazer uma mulher na posição de imediata, a Número Um (Majel Barrett) – um dos motivos pelos quais a NBC rejeitou o episódio e outro teve que ser feito.

Mesmo após essa rejeição, a série clássica de Star Trek foi muito corajosa ao, na década de 60, colocar uma mulher negra, a Tenente Uhura (Nichelle Nichols), em um posto importante na ponte de comando da Enterprise. Porém, as outras personagens femininas dessa primeira produção da franquia não se destacaram tanto, tendo papéis mais secundários, além de muitas vezes serem apenas interesses amorosos dos homens da série e serem extremamente sexualizadas.

Nas séries seguintes, como New Generation (1987) e Deep Space Nine (1993), a representatividade feminina da franquia só aumentou, com a apresentação de várias ótimas personagens, entre elas a Conselheira Troi (Marina Sirtis), a Tenente Yar (Denise Crosby) e a Major Kira (Nana Visitor). Mas, com certeza, a melhor produção de Star Trek nesse quesito é Voyager (1995).
Essa foi a primeira série da franquia a ter uma capitã mulher como protagonista, Kathryn Janeway (Kate Mulgrew). As outras personagens femininas da produção, como B’Elanna Torres (Roxann Dawson), Kes (Jennifer Lien) e Sete de Nove (Jeri Ryan), também têm uma presença forte e são bastante diferentes umas das outras.

Outro destaque nesse sentido é a série Discovery (2017), que terá, em sua 4ª temporada, a primeira tripulação com mulheres nas três posições centrais da ponte da franquia. Já Enterprise (2001), não é considerada muito boa nesse quesito, dando muito pouco destaque à maioria de suas personagens femininas.
 
Representatividade negra


 
— Mamãe! Corre aqui! Eu acabei de ver uma mulher negra na televisão e ela não é empregada!

Essas frases, ditas por Whoopi Goldberg após ver a Tenente Uhura na TV, demonstram muito bem a importância da representatividade. Afinal, é extremamente necessário que todas as pessoas possam se reconhecer em personagens em posições de destaque em produções culturais.

Além de ter sido pioneira ao colocar a Tenente Uhura nessa posição importante, a franquia Star Trek também teve um dos primeiros beijos inter-raciais da TV (não o primeiro, como muitos dizem, mas ainda assim foi um marco).

 
Nas séries seguintes da franquia, alguns outros personagens negros tiveram grande destaque - Geordi Laforge (LeVar Burton), em New Generation, e Benjamin Sisko (Avery Brooks), de Deep Space Nine, são exemplos importantes. Esse último, inclusive, foi o primeiro protagonista negro de Star Trek.

Porém, é perceptível nas produções de Star Trek que a grande maioria dos personagens da franquia são brancos. Assim, apesar de a série clássica ter sido pioneira, de certa forma, na questão da representatividade negra e de haver outros personagens importantes nesse sentido na franquia, isso ainda pode ser bastante melhorado nas próximas produções de Star Trek.
 
Representatividade LGBTQ+

 
Durante muito tempo, Star Trek tratou da comunidade LGBTQ+ e de suas lutas apenas por meio de metáforas, provavelmente por ser a única forma pela qual os temas poderiam ser tratados sem que as produções sofressem censuras. Existem episódios, por exemplo, que abordam, por meio dessas metáforas, assuntos como a “cura gay” (The Outcast, de The Next Generation) e a epidemia da AIDS (Stigma, de Enterprise).

Porém, uma maior representatividade LGBTQ+ chegou na franquia nas produções mais recentes. No filme Star Trek: Sem Fronteiras (2016), por exemplo, foi mostrado que o personagem Sulu, presente também na série clássica, é homossexual. O marido do personagem também é apresentado no longa, mas o beijo que haveria entre os dois foi cortado.

A série Discovery trouxe ainda mais representatividade LGBTQ+ para o universo de Star Trek. Nela, foi mostrado pela primeira vez na franquia um beijo entre dois homens, o Tenente Stamets (Anthony Rapp) e seu parceiro, o Dr. Hugh Culber (Wilson Cruz).

Além disso, a produção trouxe, em sua terceira temporada, personagens trans e não binário, Gray (Ian Alexander) e Adira (Blu Del Barrio), respectivamente. Essa foi a primeira vez que pessoas com essas identidades de gênero foram apresentadas em Star Trek.

 
Referências:
 

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