14/09/2021 às 21h37min - Atualizada em 13/09/2021 às 12h21min

Em período de confinamento na vida real, reality shows fizeram sucesso nas telinhas

Raíssa Sousa - revisado por Jonathan Rosa
Parede do Reality The Circle Brasil (Foto/ Reprodução: Folha Uol)

De casa vigiada às aventuras na fazenda. De reencontros com os antigos amores aos noivados sem mesmo conhecer o parceiro pessoalmente. Estes são exemplos dos programas de TV que fizeram o maior sucesso ao longo da quarentena.

Mas o que são estes programas? Onde vivem? Do que se alimentam? Eles são reality shows, programas que atraem o público pela televisão conectando ele a uma realidade na qual pessoas reais participam e expõem suas vidas, talentos e habilidades. Seu cenário varia de acordo com sua proposta, e seu impacto segue esse mesmo caminho.

Confinados feat vigiados

Que o Brasil e o Mundo vivem um período pandêmico decretado desde março de 2020, isso já não é mais segredo. A curiosidade sobre esse momento, é que o consumo de meios de entretenimento cresceu de acordo com esse confinamento do mundo real. E, com isso, os reality shows foram grandes procuras para a diversão do público.

Segundo um relatório que o Kantar, empresa reconhecida por bons insights, produziu por meio de uma coleta de dados, o consumo de mídias cresceu em todos os setores, idades e formatos. E, no que se trata dos realitys, seu alcance transmidiático (várias mídias) foi, inclusive, muito positivo.

Quem compartilha deste apontamento é o doutorando em Cultura Audiovisual e Comunicação, Thiago Venanzoni. Segundo ele, ao mesmo tempo em que os realitys fazem bom uso das novas mídias, eles também são imponderáveis, pois são partes integrantes das culturas e interferidos por elas.

Venanzoni destaca ainda, a participação da atriz e cantora Manu Gavassi no programa Big Brother Brasil, como um exemplo vivo de atuação em várias mídias, iniciando esta marca mesmo antes da pandemia do COVID-19 ser decretada. Para ele, a pandemia antecipou processos: “Todos esses processos de mediação, de novos formatos, já estavam acontecendo antes, já estavam se colocando em plataformas de conteúdo audiovisuais. Eles se intensificaram, e os anos de 2020 e 2021 fizeram alterações na percepção desses programas, do que eles são e do que podem ser”, disse.


Em busca do reality ideal

 

Mas o que leva alguém a de fato sentar-se em frente à TV e acompanhar as pessoas expostas nesses shows em um período de confinamento real? Quem explica isso é o mestre em Comunicação e Sociabilidade Contemporânea, pesquisador de realitys, Arthur Guedes, que aborda o fato dos reality shows apresentarem realidades distantes das que o público que consome tem. Ele destaca: "Acho que reality shows misturam muito entretenimento com histórias, que a gente é muito levado a acompanhar. Eles conseguem articular muito melhor isso de pessoas reais com uma narratividade”, explica o estudioso. 

 

Quem busca essa narratividade, acaba consumindo diversos formatos, desde os programas cotidianos aos de competição. Não há um tipo ideal de reality para assistir, mas ele pode se moldar ao seu gosto e atrair seus olhares. O pesquisador em reality shows afirma que: “Baseado em algoritmos que os streamings usam, como a Netflix, as capas de cada série e reality show depende dos hábitos de comportamento do usuário que está logado”.

Diário de um confinado

 

Na busca do entretenimento perfeito, Gabriel Guimarães, estudante de cinema e produtor de conteúdo audiovisual no instagram @cinefilospace, encontrou sua paz nos realitys. Ele diz que seu consumo aumentou durante a pandemia, e os motivos são claros, “Por ser um conteúdo mais leve acaba trazendo uma paz no momento de tensão. Eles trouxeram uma proximidade daquela realidade”, esclarece. 

 

Gabriel destaca que os realitys acabaram fazendo parte de sua rotina, e que até mesmo despertaram o interesse em sua participação nesses programas de TV. “Eu cheguei até a gravar meu vídeo de inscrição para o Big Brother Brasil, nem sei mais onde o vídeo está porque já desisti, mas decidi isso no período em que as inscrições estavam suspensas. Todo dia entrava no site para ver se o Boninho havia liberado elas de novo”, conta o produtor de conteúdo sobre sua tentativa de inscrição na casa mais vigiada do Brasil.

 

Mas, enquanto a vida de subcelebridade não chega para Guimarães, ele investe em seu instagram cinéfilo e se orgulha dos resultados. Com cerca de 900 seguidores na rede em menos de um ano, seu conteúdo conta com indicação de filmes, séries, realitys, o famoso “Help para vestibulandos” e muito mais. Ele acredita que influencia seu público a entrar para o time dos que consomem realitys tanto por suas indicações serem apenas de produções que gosta, tanto pelo retorno que as pessoas dão falando o que acham da indicação.

 

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