19/09/2021 às 17h07min - Atualizada em 19/09/2021 às 17h43min

Onde estão os latinos na indústria das histórias em quadrinhos da DC?

Joérica Cunha - Editado por Fernanda Simplicio
Representatividade. Palavra que tem sido cada vez mais colocada em pauta, e que de acordo com o dicionário Oxford Languages, significa qualidade de alguém, de um partido, de um grupo ou de um sindicato, cujo embasamento na população faz que ele possa exprimir-se verdadeiramente em seu nome. A cada instante surge o questionamento sobre as formas representativas de gênero, etnia, sexualidade, em diversos meios, e principalmente nas manifestações culturais do universo nerd que ocorrem no cinema, na televisão e nas histórias em quadrinhos.

A representatividade das maiorias e minorias nestes meios são constantemente repensadas e reimaginadas
Recentemente, foi anunciado que a atriz Sasha Calle, descendente de colombianos, interpretará a Supergirl no filme do Flash, o que gerou a discussão entre os fãs sobre onde estão as pessoas latinas no mundo das histórias em quadrinhos. Seja em qual âmbito da produção essa mulher se encontra, na ficção ou não, é muito importante que sejam vistas e que a representatividade latina ganhe voz.



Nas histórias em quadrinhos da DC Comics foi recentemente incluída uma super heroína latina. A nova Mulher-Maravilha brasileira, Yara Flor, faz parte da série Future State, onde serão reconstruídos alguns heróis clássicos da editora. O anúncio de uma personagem de origem latina que carregaria o manto de Mulher-Maravilha nas hq’s empolgou os fãs, apesar do roteiro das histórias da personagem não terem feito jus a tamanha empolgação, boa parte do público leitor (e latino) manteve-se contente por terem mais uma personagem que representavam o seu povo e a sua cultura introduzidos na indústria das histórias em quadrinhos.



Além de Yara Flor, as histórias em quadrinhos da DC contam com uma outra heroína brasileira: Ya’Wara, personagem que foi salva pela Mãe da Floresta, quando o seu avião caiu na Floresta Amazônica quando ainda era uma criança, e ganhou poderes especiais para proteger a floresta.
Outra personagem do Universo da DC que também possui sangue latino-americano correndo em suas veias é a Keli Quintela, uma lanterna verde boliviana de onze anos que faz parte da equipe Justiça Jovem.



Além das páginas das revistas, encontramos mulheres latinas, como Bilquis Evely, quadrinista que trabalha com as histórias em quadrinhos da Mulher-Maravilha e de The Sandman Universe, além de já ter sido indicada ao Eisner Awards 2020, considerado o Oscar dos quadrinhos, nas categorias de Melhor Artista ou Equipe de Artistas e Melhor Nova Série, ambas por O Sonhar, da DC Comics.



Nas telas também temos representatividades latinas em adaptações de histórias em quadrinhos. A mais recente delas, foi o papel da brasileira Alice Braga em O Esquadrão Suicida (2021), onde interpretou Sol Soria, uma personagem que não tem um histórico nas histórias em quadrinhos, muitos acreditam que será uma versão feminina de Juan Soria (integrante do Esquadrão Suicida e filho de imigrantes que foram morar nos Estados Unidos).



É perceptível que as mulheres latinas se fazem presentes nos mais diversos ramos da indústria nerd, mas essa presença ainda não é o suficiente. A população latina corresponde a cerca de 588 milhões de habitantes, de acordo com dados da Onu Habitat de 2016, e um povo tão vasto encontra-se tão minimamente representado nas obras que consume.

As produções tem realizado constantes avanços em relação a inclusão e a diversidade em suas histórias, e é preciso reconhecer os esforços que estão sendo feitos para que o público consumidor se sinta cada vez mais representados nas histórias. Melhorias precisam ser feitas, principalmente quando se fala na representatividade latina, que não se refere apenas a inclusão de personagens que possuam sangue latino em suas veias, o que se quer ver é a representação fiel das culturas, dos costumes, da diversidade, que é rica e vasta, e precisa ser mostrada, para o povo latino sejam reconhecidos, ouvidos e vistos além dos estereótipos.

REFERÊNCIAS:
CIRNE, Pedro. Negros, gays, asiáticos: DC e Marvel investem cada vez mais em público maior. Uol, 23 de ago. 2021. Disponível em: < https://cultura.uol.com.br/noticias/colunas/habitodequadrinhos/53_negros-gays-asiaticos-dc-e-marvel-investem-cada-vez-mais-empublico-maior.html >. Acesso em: 13 de set. 2021.

Conheça cinco super-heróis brasileiros que prometem dar o que falar. Cultura Doria , 08 de dez. 2020. Disponível em: . Acesso em: 13 de set. 2021.
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