18/09/2021 às 23h49min - Atualizada em 18/09/2021 às 23h35min

Veneno de cobra pode ajudar no combate ao coronavírus

Pesquisadores descobriram uma molécula com potencial para se tornar um remédio que combate a doença

Carlos Germano - Editado por Manoel Paulo
Foto: Miguel Nema/Parque Estadual Serra do Mar
O veneno da cobra brasileira jararacuçu pode contribuir na formação de um remédio contra o novo coronavírus. Cientistas do Instituto de Química (IQ) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) descobriram no veneno da cobra uma molécula ­– peptídeo - capaz de conter a reprodução do vírus da Covid-19 (SARS-CoV-2).

Segundo o estudo, publicado na revista científica Molecules, em 12 de Agosto, o veneno possui a capacidade de inibir até 75% da capacidade do vírus. Ainda não foram feitos testes em humanos. O grande desafio dos pesquisadores é desenvolver um medicamento eficiente contra a doença e que não provoque potenciais efeitos colaterais.

O peptídeo encontrado na jararacuçu é uma molécula que interage e bloqueia a PLPro, uma das enzimas do coronavírus responsável por sua multiplicação nas células. Atualmente, todas as variantes do SARS-CoV-2 possuem a PLPro, então a tendência é de que a molécula do réptil mantenha sua eficácia contra diferentes mutações do vírus.

O professor do Instituto de Química Eduardo Maffud, um dos responsáveis pelo estudo, explica que o grupo de pesquisa já havia identificado toxinas no veneno da jararacuçu que tinham atividade antibacteriana.

"Com o avanço da covid, a gente posicionou vários dos nossos peptídeos para ver se eles apresentavam atividade contra o SARS-CoV-2. Felizmente a gente obteve esse resultado interessante", disse o pesquisador.

No estudo, os cientistas reproduziram essa partícula em laboratório e fizeram testes com células de macacos infectados com o Sars-Cov-2. Um possível remédio com o composto descoberto daria mais tempo para o organismo agir e criar os anticorpos necessários para resistir à doença.

Os pesquisadores vão avaliar também a eficiência de diferentes dosagens da molécula, e se ela pode exercer funções de proteção na célula, o que poderia evitar, inclusive, a invasão do vírus no organismo. Após o fim desses testes, o objetivo é que a pesquisa avance para a etapa pré-clínica, em que será estudada a eficácia do peptídeo para tratar animais infectados pelo coronavírus.

"Nossas descobertas representam um recurso valioso na exploração de novas moléculas como protótipos para descoberta e desenvolvimento de drogas contra infecções por SARS-CoV-2", concluem os autores do estudo.

A cobra jararacuçu é encontrada, principalmente, no Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Bahia. De acordo com a Fiocruz, a picada dela pode causar hemorragia e ela é responsável por 90% dos envenenamentos por cobra no Brasil. Por isso, somente a molécula, manipulada em laboratório, é usada nesse estudo.

Além de cientistas da Unesp, o trabalho envolveu pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo), UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
 
*Com informações da Agência Brasil, Correio Braziliense, G1, Olhar Digital, O Povo e VivaBem Uol

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