23/09/2021 às 22h13min - Atualizada em 23/09/2021 às 22h00min

Sete minutos depois da meia noite: a verdade por trás da fantasia

O que Conor O’Malley tem a nos ensinar?

Letícia Aguiar - Editado por Andrieli Torres
Reprodução/O Hall
“Histórias são criaturas selvagens. Quando você as solta, quem sabe o que podem causar?”. Saídas da boca de um teixo, essas palavras podem não fazer sentido para você, mas para Conor O’Malley elas fizeram toda a diferença, pois ali, na sua frente, estava a árvore, que fica no terreno de sua casa, falando com ele e lhe dizendo que iria contar três histórias. Ao final, Conor contaria a sua e teria que ser a “verdade”.

Se para os adultos a verdade pode até dar dor de cabeça, imagine para Conor, uma criança de 13 anos que está vendo sua mãe ser levada aos poucos por um câncer. Além de lidar com isso, seu pai não é muito presente e a avó não costuma ser afetuosa. A escola? Muito pior, lá, o bullying é sua rotina. Porém, é através do monstro e de suas histórias (todas ligadas a vida de Conor), que ele encontra um meio de lidar com toda dor que sente, entendendo, na verdade, o principal objetivo do teixo: curá-lo.



Inspirado nas ideias de Siobhan Dowd, o livro de Patrick Ness é revestido de imaginação, fantasia e a dura realidade de uma criança, que com certeza, não está nos seus melhores momentos. Assim como Ofelia, do Labirinto do Fauno, a fantasia se faz uma das maiores aliadas do personagem, e é por meio dela, que ele consegue lidar com todos os sentimentos conflitantes.

Quando comparado ao livro, o filme é quase uma tradução literal de todas as palavras, graças ao trabalho impecável de Patrick Ness, que também roteirizou o longa. Mas existem algumas diferenças. No livro Conor possui uma amiga fiel chamada Lily, que o ajuda na escola a se defender dos garotos “maus”, que praticam bullying com ele todos os dias. Outra distinção, é a presença de uma cena a mais no filme, dando a trama um desfecho ainda mais emocionante.

Por sua vez, os personagens seguem com sua essência no longa e ganham “rostos” bastante fidedignos. Lewis MacDougall (Conor), conseguiu ser tão cativante quanto nas páginas do livro, mantendo o garoto solitário, mas assustadoramente, corajoso, o mais fiel possível. Assim como Felicity Jones (a mãe), que mesmo em um momento tão delicado, vestiu-se de toda sua força para criar o menino. Sigourney Weaver (avó), também não deixou a desejar, e, apesar de ser mais distante de Conor, é possível entender que ela também está passando por uma tempestade, vendo o sofrimento da filha.



Ainda merece estrelas Liam Nesson (que dá voz ao monstro). Mesmo sendo assustador, o teixo é um grande conforto para Conor e, possivelmente, para os telespectadores, já que a vontade de querer abraçar o garoto e dizer: vai ficar tudo bem, é inevitável. Portanto, acompanhar a jornada de Conor O’Malley, tanto nas páginas quanto nas telas, é uma verdadeira lição de como é preciso encarar a verdade, por mais que ela doa e nos machuque, aceita-la pode ser libertador!

NA REALIDADE

Nas páginas da vida real, é preciso prestar atenção às crianças que estão passando por momentos difíceis, como Conor, para que essas situações não se agravem. De acordo com a psicóloga Fabíola Brandão, de maneira geral, as crianças lidam com as perdas melhor que os adultos, tudo depende de como os adultos vão encarar a situação.

Para ela, o ideal é que a criança esteja ciente do que está acontecendo. “Muitas vezes, em momentos como o adoecimento de um familiar, os adultos tentam esconder da criança a situação. Contudo, esse caminho pode não ser válido, o melhor é explicar para a criança o que está acontecendo, em uma linguagem que ela possa compreender”, disse.

De acordo com a profissional, é possível sim, que as crianças superem situações traumáticas, mas é preciso de uma boa rede de apoio, além do acompanhamento psicológico. Por isso, é importante estarmos atentos às crianças, pois, semelhante à Conor, elas podem estar vivendo um turbilhão, cabe a nós estarmos de braços abertos e munidos de todo o nosso amor!

 
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