28/09/2021 às 13h57min - Atualizada em 25/09/2021 às 22h54min

O vestido molhado de Zendaya e as esculturas gregas

Como a moda está refletindo a explosão sexual e exibicionista pós pandemia

Danielle Vaz - Editado por Flávia Pereira
Reprodução: Instagram/@zendaya



Se você é um consumidor da cultura pop atual, conseguiu perceber a explosão do nome de Zendaya nos últimos tempos. A atriz californiana de 25 anos, chamou atenção no tapete vermelho do Festival de Veneza deste ano, vestindo um longo Balmain de couro para a premiére de “Duna”, produção de ficção científica onde interpretará no cinema a jovem guerreira Chani. 



O vestido foi executado de forma artesanal e com uma ideia de ser a segunda pele da atriz, trazendo os drapeados de uma escultura, e seu aspecto molhado graças ao couro. De acordo com o stylist de Zendaya, Law Roach, a inspiração foi as estátuas de mármore italianas do século 19.

Não foi a primeira vez que Zendaya usou de uma peça feita a partir de seu busto, no ano passado, ela compareceu ao Critic Choice Awards vestindo um breastplate, da coleção de verão 2020 da Tom Ford


Peças que imitam e se moldam as curvas corporais, estão cada vez mais corriqueiras no festivais e desfiles de moda, um dos principais exemplos, foram os abdomes da marca Schiaparelli, de Daniel Roseberry, que copiam um abdômen trincado e foi apresentado na coleção de verão de 2021 da maison.


 

COMPORTAMENTO "PÓS-PANDÊMICO"
 

Esses comportamentos e inspirações na moda, estão sendo considerados as primeiras evidências de uma mudança social. De acordo com o sociólogo, médico e professor de Ciências Sociais e Naturais da Universidade de Yale, no EUA, Nicholas Christakis, no ano 2024, depois da pandemia, poderemos viver uma guinada a um período de libertinagem sexual e consumo exacerbado

Isso transparece na indústria da moda nos últimos dois anos, seja com Daniel Roseberry, ou a designer britânica Sinead O’Dwyer, com peças cada vez mais sensuais e que exaltam o corpo humano e lembram esculturas. Mas não são só referências atuais, em 1979, Thierry Mugler trouxe modelos similares nas suas coleções, e se tornou uma das principais referências nesse estilo.
 


Para Lorenzo Merlino, estilista, mestre e doutorando em História da Arte, e professor da FAAP, não é novidade que a moda beba das águas gregas e traga a estética da época nas roupas, mas o que o chama atenção na atualidade, e usando do vestido Balmain de Zendaya como exemplo, é todo o aspecto molhado e moderno da peça. Ele explica como enxerga desse movimento:
 

“Esse culto do corpo humano escultural é grego, totalmente. Ele vem muito mais de um lugar de idealização estética, do que propriamente de sexualidade e liberdade, principalmente liberdade, porque a sociedade grega numa sociedade extremamente pouco permissiva, sobretudo no aspecto feminino, né? Era uma sociedade extremamente machista e que configurava, relegava a mulher a um papel absolutamente secundário, inferior e dependente da figura masculina.” explica, Lorenzo.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Em relação ao consumo exacerbado, ainda estamos falando de maison, grandes casas de moda francesa, marcas inalcançáveis a grande parte da população. Mas pensando em Zendaya que compõe o vestido a uma estética poderosa, usando uma peça de alta-joalheria, o colar Serpenti com uma esmeralda colombiana de 93 quilates e que faz parte da nova coleção da marca Bulgari.


Exemplifica a visão do comportamento que se seguirá a partir do fim da pandemia, claro que não completamente, mas ilustra conceitos e ideias, que cobrirão uma explosão sexual na sociedade. A serpente é um dos símbolos da marca Greco-romana, Bulgari, que traz passado e adiciona modernismo a jóias, trazendo a mitologia grega da cobra, que representa positividade, renascimento, cura, proteção e sedução. 


Nesse sentido, de futuro exibicionista e sexual, o professor Lorenzo pontua, nas suas palavras, que é completamente natural a sociedade, principalmente passado o período de confinamento de mais de um ano, que a reação seja o radicalismo no comportamento. 

 

“Nós passamos, a humanidade passou um ano e meio se restringindo, se confinando se escondendo, se protegendo é evidente que agora que a situação comece a se normalizar, com as vacinações (...) enfim todas as questões tudo indica que talvez o ano vem, seja um ano um pouco mais próximo da normalidade, digamos assim. (...) Uma reação, que provavelmente, é da mesma intenção do ponto de vista reativo, né? Enfim, então uma reação tão forte quanto essa, é o radicalismo desse confinamento, e isso vai perdurar por algum tempo nas manifestações, principalmente da moda.” Finaliza o mestre em história da moda, Lorenzo Merlino.

 

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