30/09/2021 às 18h36min - Atualizada em 30/09/2021 às 18h18min

O artista plástico Arthur Bispo do Rosário e sua genialidade

Pessoas com transtornos psiquiátricos não são menos capazes que os outros

Ianna Oliveira Ardisson - Editado por Andrieli Torres
Fonte/Reprodução: Google
Um ser humano incomum, fora dos padrões da normalidade, Arthur Bispo do Rosário, consegue deixar seu legado em meio a tantas adversidades vividas. Era um homem pobre, preto e esquizofrênico. Mesmo com tanta destruição, que vive um interno psiquiátrico, foi capaz de construir algo admirável e valorizado no campo das artes. Com sua obra propunha a ressignificação do universo para ser reunido e apresentado no dia do juízo final. Tudo feito de acordo com orientações recebidas, já que dizia ouvir vozes que o guiavam em sua missão. Bispo do Rosário acreditava ser um enviado de Deus para salvar a humanidade. Ele não se considerava um artista, declarou certa vez:

“Não sou artista. Sou orientado pelas vozes para fazer desta maneira.”



Ao longo de sua história, Bispo permaneceu 50 anos em um manicômio e foi nesse ambiente que criou sua obra. Antes de ser internado foi boxeador e marinheiro. Apesar da relação anterior com o boxe não era um paciente considerado violento. Sobre suas obras observa-se que as formas navegatórias estavam muito presentes em suas criações, possivelmente devido a ligação com seu passado como marinheiro.
 
Em 1938 ele foi internado pela primeira vez no hospício da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro. Foi diagnosticado, então, como esquizofrênico-paranoico. Dali foi encaminhado para a Colônia Juliano Moreira, também no Rio.
 
A Colônia Juliano Moreira na qual Bispo viveu, felizmente, atualmente não funciona mais como manicômio. Hoje abriga o Museu Bispo do Rosário de Arte Contemporânea. O antigo manicômio era destinado a pacientes pobres, com distúrbios psiquiátricos, dentre os pacientes muitos eram considerados perigosos pela sociedade.
 
Para conhecer um pouco das obras do artista veja abaixo duas delas. A técnica usada na primeira, “Grande Veleiro”, foi a de montagem, carpintaria, escrita, revestimento, bordado, costura, pintura e perfuração. Já na segunda temos “Eu Vim”, a qual foi trabalhada com costura, bordado e escrita.
Bispo do Rosário viveu em uma época em que os recursos e alternativas para tratamento da saúde mental não eram tão abrangentes quanto atualmente. Entretanto, algo que ainda persiste é o preconceito em relação aos transtornos mentais. O psiquiatra Marco Antonio Abud, no “Canal Saúde da Mente” (YouTube), apresenta alguns estigmas/tabus relacionados aos transtornos mentais. Veja abaixo algumas ideias falsas sobre transtornos mentais relatas pelo psiquiatra:
  • Não são uma doença real;
  • São uma desculpa para comportamentos ruins;
  • Pais, ou cuidadores, ruins causam transtornos mentais;
  • Pessoas com transtorno são fracas;
  • Pessoas com transtorno são violentas e perigosas;
  • Transtornos mentais são incuráveis.
Esse ser humano atípico encontra na arte uma saída diante da situação que vivia de interno em um hospital psiquiátrico. Como afirmou o poeta Ferreira Goulart:

“A arte existe porque a vida não basta.”


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