30/09/2021 às 23h59min - Atualizada em 30/09/2021 às 23h37min

Coronavirus na década de 80: como seria?

Um estudante se questiona como poderia ser o ensino em tempos sem internet

Hellen Almeida - Editado por Andrieli Torres
Ilustração: Esudante /Reprodução: Google

Na última segunda-feira (27), o Google comemorou seu 23.º aniversário, o que me levou a questionar: como seria viver a pandemia do novo coronavírus na década de 80 e sendo um aluno de ensino médio (na época, ginásio), por exemplo, onde a plataforma não havia sido criada? Bem, aqui está uma possível resposta.

 

Uma pandemia sem Google

 

Se tivessem me falado que eu viveria meu ginásio em meio a uma pandemia onde temos que praticar o isolamento social e estudar longe da escola eu nunca acreditaria, mas bem aqui estou: 1978, com meu tão esperado ginásio e um tal de coronavírus na porta.

 

Por isso escrevo esta carta para a revista Lab Dicas Jornalismo, para dividir minha experiência como leitor. Prazer, me chamo Ulisses Costa, tenho 16 anos e espero que gostem da minha carta o bastante para publicação.

 

Ensino remoto? Curso por correspondência!

 

Este vírus pegou todo o mundo de surpresa, as escolas não sabem muito bem como continuar — é  humanamente impossível recebermos aulas em conjunto sem sair de casa — então tiveram a ideia de fazermos o ginásio por correspondência.

 

Eu mesmo já fiz alguns cursos por correspondência — inclusive um de detetive quando mais novo — normalmente funciona assim: vemos o curso nas revistas, enviamos uma carta com a solicitação e o pagamento e em uns dias ou semanas recebemos os livros em nossas casas e depois de um tempo, uma prova final para avaliação e só após a aprovação o certificado. 

 

E assim foi feito pelas escolas: recebemos semanalmente um calendário com o que devemos estudar e os livros para pesquisa — na realidade xerox, pois são muitos alunos para um livro apenas — e um trabalho avaliativo — individual por conta do isolamento — com o endereço do professor para enviarmos no prazo, ele avaliar e recebermos nossas notas. Um pesadelo? Você nem imagina!

 

Pesquisa pela internet?! Livros!

 

As escolas com um melhor financiamento compraram um gravador para cada professor, ele envia a fita com a explicação da matéria com o material (mas é individual, então vai da casa mais perto da sua e é repassada para todos os alunos), e nossas dúvidas? O professor liga semanalmente para todos os alunos e busca responder.

 

Mas na maioria das vezes pesquisamos nos livros, perguntamos aos nossos pais e por aí vai. Nem preciso comentar a quantidade de livros que temos para estudar, não é? Ainda bem que a turma se ajuda, enviando livros um para o outro. Se tivéssemos ao menos estes materiais em apenas um lugar e de acesso imediato para todos…

 

Trabalhos a mão: o pesadelo de todo estudante

 

Como disse a pouco, estamos sendo avaliados por trabalhos e gosto de dividir entre dois grupos: os  — sortudos — que tem máquina de escrever em casa, e os que precisam escrever a mão (ao menos podemos praticar a caligrafia)

 

Okay, falei que os colegas com máquina de escrever são sortudos, mas nem tanto assim: afinal, se clicarem em uma única letra errada, precisam escrever a página inteira novamente (ou então fazer como nós e passar um liquid paper, esperar secar e anotar por cima com caneta, nem sempre fica bom, mas é o que temos).

 

Ao menos podemos fazer uma capa bem enfeitada, com canetas coloridas, desenhos e marcadores. Nem preciso comentar a ansiedade que é enviar o trabalho para a casa do professor e ter que esperar a resposta (se ele morar em outra cidade então é melhor sentar e esperar umas semanas), meus pais nunca gastaram tanto com selo de correspondência. Se ao menos pudéssemos enviar o trabalho instantaneamente…


Narradora…

 

Para ter essas informações falei com meus pais sobre como poderia ser, eles falaram que seria praticamente impossível aprender sem internet neste caso mundial. E realmente, acredito que sim.

 

Após escrever esta crônica, estou mais aliviada e grata por ao menos ter a internet e plataformas como Google Meet, Zoom, Google Drive e outras possibilidades que podem facilitar nossa vida atual. 

 

Pois, se já é difícil absorver o conteúdo com esta ajuda, não consigo imaginar como seria na década de 80.

 

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